Coronel atribui violência em Corumbá a “arrocho” entre traficantes
Comandante nega domínio de facções no município e relaciona conflito a roubo de droga na fronteira

Os conflitos recentes em Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande, estão ligados a desacordos entre traficantes, incluindo o chamado “arrocho”, termo usado para definir o desvio ou roubo de droga na região de fronteira. A avaliação foi feita pelo comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato, na manhã desta segunda-feira (6), durante coletiva de imprensa.
RESUMO
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Conflitos recentes em Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande, estão ligados a disputas entre traficantes pelo controle da droga que sai da Bolívia, segundo o comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato Garnes. Ele negou domínio de facções na cidade e destacou que o estado apreendeu 420 das 920 toneladas de drogas confiscadas pelas polícias militares do Brasil em 2024, registrando 69 confrontos com mortes por ação policial.
Segundo o comandante, esse tipo de disputa ocorre há anos na fronteira e tem relação direta com o interesse econômico pela droga que sai da Bolívia. Ele afirmou que Corumbá é uma área estratégica para o tráfico por ser uma das portas de saída da cocaína boliviana.
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“Ali há muito interesse pela droga que sai da Bolívia. Tenho certeza de que esses desacordos são entre os traficantes, onde você citou agora há pouco o arrocho, que é o desvio da droga, o roubo da droga. Isso ocorre na fronteira e não é de hoje”, afirmou.
Apesar da tensão no município, Renato negou que seja possível falar em domínio de facções criminosas em Corumbá. Segundo ele, a disputa local está mais ligada à circulação da droga do que ao controle formal da cidade por grupos como Comando Vermelho ou PCC (Primeiro Comando da Capital).
“Vamos falar que tem domínio de cidade, de Comando Vermelho ou PCC? Não. Ali há muito interesse pela droga que sai da Bolívia”, disse.
O comandante afirmou que o crime organizado tenta avançar sobre Mato Grosso do Sul, mas garantiu que a resposta das forças de segurança será mantida. Segundo ele, grupos criminosos estão se fortalecendo na Bolívia e tentando entrar no Estado.
“Eles estão se fortalecendo na Bolívia e estão tentando adentrar o nosso Estado. Não vão conseguir”, declarou.
Renato disse que a ação dos criminosos mudou e passou a envolver enfrentamento mais direto contra a Polícia Militar e outras forças de segurança. Para ele, a corporação tem dado resposta proporcional ao avanço da criminalidade.
“Desde o início do nosso comando, nós estamos falando que a ação dos criminosos mudou. É um enfrentamento à Polícia Militar, enfrentamento às forças de segurança, e nós estamos dando resposta à altura”, afirmou.
A fala ocorreu em meio à repercussão da morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, na terça-feira (30), durante uma abordagem, e ao aumento da tensão em áreas de fronteira. O comandante lamentou a perda, mas afirmou que o policial estava cumprindo o seu papel.
“Infelizmente, perdemos um policial, mas tenho certeza de que ele estava cumprindo o seu papel”, disse.
Mesmo diante do cenário, Renato afirmou que a população não deve se sentir insegura. Segundo ele, as ações policiais seguem dentro da normalidade para um Estado com as características de Mato Grosso do Sul, marcado pela extensa faixa de fronteira.
O comandante destacou que Mato Grosso do Sul tem cerca de 1,6 mil quilômetros de fronteira e que 80% da droga passa pelo Estado. Ele também afirmou que, das 920 toneladas de drogas apreendidas pelas polícias militares do Brasil, 420 toneladas foram apreendidas pela Polícia Militar.
“Quem mais apreende droga no país é Mato Grosso do Sul, são as forças de segurança”, declarou.
Segundo Renato, o enfrentamento ao tráfico transfronteiriço envolve o Batalhão de Choque, o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e batalhões de área. “Não é o Bope, não é o Choque em si. É o enfrentamento normal”, disse.
De acordo com o comandante, somente neste ano foram registrados 69 confrontos com mortes de indivíduos em decorrência da ação policial. Ele afirmou que não é possível dizer que todos tinham ligação com facções criminosas, mas que grande parte estava envolvida com o crime.
Para a Polícia Militar, a disputa em Corumbá não é tratada oficialmente como domínio de facção, mas como reflexo do valor econômico da cocaína na fronteira.


