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Interior

PM diz que mortos em Corumbá tinham ligação com caso de soldado executado

Ações na fronteira mobilizam Choque, Bope e inteligência após morte de militar durante abordagem

Por Bruna Marques | 06/07/2026 11:44
PM diz que mortos em Corumbá tinham ligação com caso de soldado executado
Comandante-geral da PMMS, coronel Renato dos Anjos Garnes, durante coletiva sobre as ações ligadas à morte do soldado Marcelo Pimenta da Silva, em Corumbá (Foto: Bruna Marques)

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Renato dos Anjos Garnes, afirmou na manhã desta segunda-feira (6), durante coletiva de imprensa, que a maioria dos mortos em ações policiais em Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande, nos últimos dias, tinha ligação direta ou indireta com o caso do soldado Marcelo Pimenta da Silva.

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Cinco homens morreram em Corumbá após o assassinato do soldado Marcelo Pimenta da Silva, morto a tiro de fuzil durante abordagem policial. O comandante da PM de Mato Grosso do Sul, coronel Renato Garnes, afirmou que as mortes têm ligação direta ou indireta com o caso e ocorreram em contexto de disputa pelo tráfico na fronteira. Unidades especializadas seguem atuando na região para localizar outros envolvidos.

O militar foi morto com tiro de fuzil durante abordagem na noite de terça-feira (30). Desde então, cinco homens morreram em ações ou ocorrências associadas à resposta das forças de segurança no município. Segundo o comandante, as mortes ocorreram em um contexto de disputa entre criminosos pelo domínio do tráfico de drogas na região de fronteira.

Entre os mortos estão Everton da Silva Viana, Rubens Zilio Neto, Luis David Justiniano Flores, Alixberto Vasquez Corrales, conhecido como “Coiote”, e Marlon de Souza Silva.

Durante a coletiva, Renato explicou que dois suspeitos foram presos com apoio da polícia boliviana após atravessarem a fronteira. Segundo ele, a polícia do país vizinho abordou os suspeitos e acionou as forças brasileiras.

PM diz que mortos em Corumbá tinham ligação com caso de soldado executado
Arma encontrada com bolivianos mortos em Corumbá (Foto: Divulgação/PMMS)

“A polícia boliviana deu apoio. Toda ação que ocorre em Corumbá, de imediato, aciona todas as forças de segurança”, disse.

Everton da Silva Viana e Rubens Zilio Neto foram apontados como suspeitos de participação na morte do soldado Marcelo Pimenta. Conforme o comandante, eles foram apresentados às autoridades brasileiras para que respondessem perante a Justiça.

Everton morreu durante uma ação policial após, segundo a versão oficial, tentar tomar a arma de um agente. Rubens, que estava preso desde quarta-feira, morreu durante deslocamento para um presídio em Campo Grande.

O comandante afirmou que a morte de Rubens Zilio Neto ocorreu em uma ação preparada por criminosos. Segundo ele, havia informações sobre possível ataque contra o preso, considerado um “alvo sensível”, e por isso foi solicitado apoio especializado ao deslocamento.

Rubens era levado pelo Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) quando a viatura teve um pneu furado na BR-262. A escolta parou próxima a uma área de mata e, nesse momento, houve disparos.

“Dificilmente um pneu de viatura fura. Mas justamente furou naquele momento, ou seja, a emboscada estava preparada”, afirmou o comandante.

PM diz que mortos em Corumbá tinham ligação com caso de soldado executado
Soldado Marcelo Pimenta da Silva aparece durante cerimônia de formatura; militar foi morto durante abordagem em Corumbá (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Segundo Renato, a Polícia Militar já trabalhava com a possibilidade de retaliação. Ele disse que os policiais estavam posicionados e preparados para uma ação contra a escolta, mas não conseguiram impedir a morte do preso.

“Eles estavam monitorando, nenhum atirador fica no mato aguardando. Houve, sim, o preparo para que aquilo ocorresse”, declarou.

O autor dos disparos não havia sido localizado até o momento informado pelas autoridades. A investigação é conduzida pela Polícia Judiciária Militar e pela Polícia Civil, com apoio do serviço de inteligência da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

Bolivianos no apoio a suspeitos - O comandante também relacionou as mortes de Luis David Justiniano Flores, de 29 anos, e Alixberto Vasquez Corrales, de 32 anos, conhecido como “Coiote”, ao caso Marcelo Pimenta. Os dois, de nacionalidade boliviana, morreram neste domingo, durante a Operação Jovem Guerreiro.

Segundo Renato, eles teriam dado apoio ao grupo que participou da ação inicial, que tinha como alvo outro criminoso.

“Eles deram apoio à equipe daqueles três primeiros que foram efetuar o atentado contra o outro cidadão. Eles deram apoio e estão envolvidos diretamente no fato”, disse.

De acordo com a versão divulgada pela Polícia Militar, os dois foram localizados após denúncia sobre transporte de drogas para Campo Grande. Ainda conforme a corporação, eles desceram de um veículo e atiraram contra policiais. Dois revólveres calibre .38 foram apreendidos.

Na coletiva, o comandante voltou a afirmar que a morte do soldado Marcelo Pimenta ocorreu depois de um desacordo entre traficantes.

“O que nós temos é que houve um desacordo entre as partes, entre os traficantes de droga. Em decorrência desse desacordo, ocorreu, infelizmente, a morte do nosso policial militar”, afirmou.

Segundo Renato, o grupo envolvido pretendia matar um criminoso rival, mas a ação terminou com a morte do policial durante abordagem.

“Eles realmente foram para efetuar o homicídio do cidadão e, infelizmente, não conseguiram. Conseguiram matar um policial militar nosso”, disse.

PM diz que mortos em Corumbá tinham ligação com caso de soldado executado
Rubens Zilio Neto, preso na última quarta-feira (1º). (Foto: Direto das Ruas)

Na madrugada desta segunda-feira, Marlon de Souza Silva, de 42 anos, morreu durante ação do Batalhão de Choque em Corumbá. Segundo o boletim de ocorrência, ele foi abordado em um Renault Duster preto na BR-262, próximo ao km 760.

Conforme o registro policial, Marlon não obedeceu à ordem de parada, correu em direção à vegetação e atirou contra os militares. O comandante da equipe revidou. Marlon foi atingido, chegou a ser socorrido para a Santa Casa de Corumbá, mas morreu após atendimento médico.

No veículo, os policiais encontraram uma mochila azul com 3,245 quilos de maconha. Também foram apreendidos um revólver calibre .38, um fuzil, munições, o carro e a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) de Marlon.

Segundo o comandante, Marlon seria de Caxias e atuaria no transporte de veículos relacionados a golpes de seguro para a Bolívia, retornando com drogas para estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo. A informação, conforme Renato, ainda faz parte dos levantamentos iniciais.

Forças especializadas seguem em Corumbá — O comandante afirmou que as ações de policiamento continuam em Corumbá, com participação de unidades especializadas da Polícia Militar, entre elas o Batalhão de Choque, o Bope, o DOF (Departamento de Operações de Fronteira), o TOR (Tático Ostensivo Rodoviário) e a Polícia Militar Rodoviária.

Segundo ele, o objetivo é conter o avanço de grupos criminosos na região de fronteira e localizar outros envolvidos na morte do soldado Marcelo Pimenta.

“Nós vamos continuar com as ações. As abordagens estão ocorrendo”, afirmou.

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