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"Não tive coragem de abrir", diz pai sobre prontuário médico após morte de Luísa

Investigação sobre a morte da criança Luísa, de 11 meses, foi repassada à Depca e família será ouvida na semana que vem

Por Paula Maciulevicius Brasil e Mariana Rodrigues | 25/02/2021 12:19
Luiz Gustavo é pai de Luísa, menininha que morreu no dia 19, e descreve que não teve coragem de ler prontuário da criança. (Foto: Marcos Maluf)
Luiz Gustavo é pai de Luísa, menininha que morreu no dia 19, e descreve que não teve coragem de ler prontuário da criança. (Foto: Marcos Maluf)

Há dois dias, o pai olha o prontuário médico da filha Luísa Nocetti Aguillar Steim, de 11 meses, mas diz que não tem coragem de folheá-lo. A criança morreu no dia 19 de fevereiro, depois de vir transferida de Coxim para o Hospital da Cassems da Capital em estado grave. Para a família, a suspeita é de negligência médica e, desde então, o pai tem movido o mundo para que haja investigação.

Luísa morreu um dia antes de completar 1 aninho. (Foto: Arquivo Pessoal)
Luísa morreu um dia antes de completar 1 aninho. (Foto: Arquivo Pessoal)

Luísa começou com sintomas gripais e foi internada no dia 16 deste mês no Hospital da Cassems, em Coxim. Administrador rural, Luiz Gustavo Aguillar Steim relata que na cidade onde a família mora, o médico que prestou atendimento demorou a entrar com antibiótico indicado.

Os familiares chegaram a tentar transferir a menina para Campo Grande, mas tiveram a negativa da Cassems. Na sexta (19), depois de apresentar melhora com o uso do antibiótico, Luísa teve uma convulsão logo após tomar uma injeção de bromobrida e veio transferida para a Capital, onde morreu um dia antes de completar 1 aninho.

"Não tive coragem de olhar. Cheguei a pegar para ver, mas tenho medo de ler alguma coisa, acabar não entendendo e tirar conclusões precipitadas", explica Luiz Gustavo.

A família esteve na manhã de hoje na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) que vai tocar a investigação registrada como morte a esclarecer na 3ª Delegacia de Polícia Civil.

Ouvidos informalmente, o pai e o tio de Luísa, o empresário Rafael Aguillar Steim contaram que a delegada quis saber detalhes para se inteirar do caso, mas que deve ouvir os depoimentos na próxima quinta-feira e também pedir o prontuário formalmente.

Pai diz que confia nas investigações e espera resultado da sindicância aberta pelo Hospital da Cassems. (Foto: Marcos Maluf)
Pai diz que confia nas investigações e espera resultado da sindicância aberta pelo Hospital da Cassems. (Foto: Marcos Maluf)

"Estamos dando um voto de confiança para a Cassems, porque ouvimos da boca do presidente que ele vai fazer tudo o que estiver ao alcance dele. Não vamos descansar enquanto não houver resultado desse caso", resume o tio.

A equipe jurídica da Cassems foi para Coxim na manhã desta quinta-feira (25) para iniciar a sindicância no hospital onde Luísa recebeu os primeiros atendimentos. "Bom frisar que a Cassems não está obstruindo nada, inclusive estão nos dando apoio. Eles foram hoje com advogado e especialistas para verificar e abrir a sindicância em Coxim", relata o tio.

Festa - O primeiro aninho de Luísa seria comemorado com uma festa neste sábado (27). A família conversou com os fornecedores para reaver o dinheiro já pago em buffet e decoração e assim poder realizar uma festa beneficentes para crianças que são atendidas pela igreja evangélica que a família frequenta.

"Uma forma de comemorar com outras crianças o que meu irmão nunca mais vai poder comemorar com a filha dele", resume Rafael. A festa para os pequenos vai ser organizada seguindo os decretos de biossegurança em uma data posterior.

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