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Pandemia foge do controle onde turismo manda e a população indígena é maior

Em quatro semanas, ocorrências de covid-19 saltaram 33 vezes em Miranda, sete em Aquidauana e quase dobraram em Bonito

Por Jones Mário | 14/08/2020 10:23
Rua no Centro do município de Bonito, principal destino turístico do Estado (Foto: Divulgação/Prefeitura)
Rua no Centro do município de Bonito, principal destino turístico do Estado (Foto: Divulgação/Prefeitura)

Há quatro semanas, o município de Miranda tinha só dez casos confirmados de novo coronavírus e uma morte. Boletim de ontem (13) da SES (Secretaria Estadual de Saúde) atualizou o saldo para 340 - aumento de 3.300% - e seis óbitos.

Na região pantaneira, a cidade ficou pelo menos dois meses com restrições ao turismo de pesca. A reabertura para as atividades foi na segunda quinzena de junho.

A pandemia fugiu do controle em Miranda a partir do momento em que o vírus chegou à população indígena. Aproximadamente um quarto dos habitantes da cidade são indígenas, segundo último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Dos 340 casos confirmados, 278 são entre povos nativos. Das seis mortes, quatro foram de indígenas.

O agravo da pandemia na região motivou até visita do titular da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Robson Santos da Silva, na semana passada, a fim de definir ações para frear a contaminação nas aldeias.

O salto de casos em Bonito foi menor. Em quatro semanas, passou de 104 ocorrências de covid-19 para 191. Porém, o avanço da doença no principal destino turístico do Estado preocupa.

Bonito se reabriu para o turismo no início de julho. A primeira morte causada pelo novo coronavírus no município foi registrada nesta semana.

No início do mês, o prefeito de Bonito, Odilson Soares (PSDB), disse que os três meses de fechamento das atividades turísticas foram “terríveis” para a economia.

Triagem de pacientes com suspeita de covid-19 em Aquidauana (Foto: Divulgação/Prefeitura)
Triagem de pacientes com suspeita de covid-19 em Aquidauana (Foto: Divulgação/Prefeitura)

O aumento de casos fez o município retomar as barreiras sanitárias nesta semana. O bloqueios ficam nos acessos à cidade e permanecem até o fim do mês.

Descontrole - A também turística Aquidauana é outra cidade sul-mato-grossense com salto substancial de casos em quatro semanas. De 107 registrados até 23 de julho para 880, acumulados até ontem - aumento equivalente a 722,4%.

A população indígena é a maior vítima da doença na cidade, com 508 casos confirmados e 14 das 25 mortes.

A incidência de casos entre indígenas é ainda maior no município de Dois Irmãos do Buriti, que tinha só três ocorrências confirmadas há quatro semanas. Dos 140 casos atualmente, 131 nas aldeias. As quatro mortes foram de indígenas terena.

Total - Mato Grosso do Sul já soma 35.434 casos de covid-19 e 591 mortes pela doença. Só na semana passada foram 4.967 novas confirmações.