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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020

24/11/2019 15:33

Policial afirma que quarto onde cocaína estava era de "gerente" de quadrilha

Rafael Grandini Salles, lotado em Ponta Porã, preso na sexta-feira (22), fez revelação em depoimento ao Garras

Marta Ferreira
Trecho do depoimento de Rafael Grandini depois da prisão na sexta-feira cita policiais já presos pela Omertà como frequentadores da casa onde estava porção, em Ponta Porã. (Foto: Reprodução de auto de prisão) Trecho do depoimento de Rafael Grandini depois da prisão na sexta-feira cita policiais já presos pela Omertà como frequentadores da casa onde estava porção, em Ponta Porã. (Foto: Reprodução de auto de prisão)

O quarto onde, durante buscas da Operação Omertà na sexta-feira (22), foram encontrados 45 gramas de cocaína e munições contrabandeadas, na Vila Laricia, em Ponta Porã, a 323 quilômetros de Campo Grande, era usado pelos policiais civis Vladenilson Daniel Olmedo, de 60 anos, e Frederico Maldonado Arruda, 56 anos. A informação consta do depoimento dado depois da prisão do escrivão Rafael Grandini Salles, 35 anos, autuado como responsável pela droga e pelo armamento e ainda por posse de pistola 9 mm, depois de cumprimento de mandado na república onde vive junto com o também policial Elvis Elir Camargo Lima, 46 anos, que trabalha na cidade fronteiriça.

Frederico, conhecido como “Fred”, e Elvis Elir, apelidado de “Lima”, estão presos desde o dia 27 de setembro, quando foi deflagrada a Omertà, contra milícia armada à qual são atribuídas execuções ocorridas em Campo Grande há pelo menos uma década. Vladenilson, o “Vlad”, é apontado pelas investigações como um dos integrantes do núcleo da gerência da organização criminosa identificada. Estaria, no organograma, abaixo apenas de Jamil Name, 80 anos, e Jamil Name Filho, 42 anos. Cumpre a pena preventiva em unidade penal federal de Mossoró, Rio Grande do Norte, mesmo lugar onde estão os Name.

“Fred” e “Lima”, emboram tenham casa em Campo Grande, são lotados em Ponta Porã, onde foram presos. "Vlad" é policial civil aposentado e de acordo com os detalhes da Omertà já tornados públicos, todos faziam viagens frequentes de Campo Grande a Ponta Porã. Nelas, cumpriam tarefas legais e ilegais para a família apontada como comandante da milícia armada, dizem os investigadores.

Pelo depoimento de Rafael Grandini Salles, a “casa” do gerente da quadrilha na cidade era a república dos outros colegas. Lá, diz ainda o policial civil preso mais recentemente, também havia o ponto de encontro de estudante de Medicina no País vizinho. Lá já estão Elvis Elir e Frederico. Vlad e ainda Márcio Cavalcanti da Silva, o “Corno”, estão em Mossoró, Rio Grande do Norte.

Como a prisão de Rafael foi em flagrante, ele tem previsão de passar nesta segunda-feira 25, por audiência de custódia no Fórum de Campo Grande. Na hora da prisão, não foi arbitrada fiança por se tratar de crimes, somados, com pena maior do que 4 anos: receptação, posse ilegal de armamento e tráfico de drogas. 

Droga estava em quarto que, segundo policial civil, é usado por Vladenilson Olmedo e Frederico Maldonado. (Foto: Direto das Ruas)Droga estava em quarto que, segundo policial civil, é usado por Vladenilson Olmedo e Frederico Maldonado. (Foto: Direto das Ruas)

Trata-se, segundo a descrição feita à polícia, uma casa grande, com três quartos, sala, copa, cozinha e ainda piscina.

“Não é minha” - Rafael Grandini Salles, ao ser ouvido no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), depois de ser preso onde o policial mora, em Terenos, cidade vizinha a Campo Grande, negou que a cocaína fosse sua. Segundo ele, estava afastado da cidade havia cerca de 15 dias. Ele rejeitou que o casaco onde estava o invólucro de cocaína fosse seu, depois de ver foto apresentada pelos policiais.

Segundo a alegação do escrivão, depois da prisão de Elvis Elir passou a dormir nesse quarto por ter um aparelho de ar-condicionado melhor. No cômodo foi encontrado o RG de Rafael. O escrivão da Polícia Civil disse que as chaves do imóvel, alugado no nome dele, ficavam com uma “secretaria do lar”, e que um amigo dele chamado “Douglas” também tinha liberdade de ir à residência, além de ter citado estudantes de Medicina, indeterminadamente.

Para negar envolvimento com a posse do entorpecente, Rafael alegou estar há 5 anos em Ponta Porã e já ter trabalhado em operações diversas contra o tráfico de drogas, citando apreensão de 30 toneladas de entorpecentes nesse período, pela 1ª Delegacia de Polícia Civil da cidade.

Revelou, também, já esperar pela busca na casa, em razão das pessoas que a frequentam e da magnitude da Operação Omertà. Segundo sua versão, se tivesse o que esconder, já teria mexido no quarto atribuído a Vlad e Frederico, mas não o fez.

Afirmou-se “constrangido” com a situação. O policial citouo nome de outro morador na casa, preservado pela reportagem por não ter identificado se é suspeito de irregularidades.

Flagrante – Rafael Grandini Salles é o quinto policial civil preso em consequência da Operação Omertà. Além do flagrante de tráfico de drogas e armamento irregular, não foi esclarecida qual a acusação contra ele em relação à Omertá. Foi trazido na sexta-feira para a Garras, ouvido e, segundo levantado pelo Campo Grande News, transferido para a 3ª Delegacia de Polícia Civi, onde ficam integrantes da Corporação presos.

Organograma mostra função de investigados na organização criminosa alvo da Omertá. (Foto: Divulgação)Organograma mostra função de investigados na organização criminosa alvo da Omertá. (Foto: Divulgação)
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