Rede de esgoto transforma cotidiano e reduz riscos à saúde em bairros
Em meio ao déficit nacional, Capital se aproxima de cobertura total de saneamento
O conceito de inclusão sanitária deixou de ser apenas um termo técnico para se tornar realidade concreta em bairros de Campo Grande. Impulsionada pelo novo Marco Legal do Saneamento, a ampliação do acesso à água tratada e à rede de esgoto vem mudando o cotidiano de milhares de famílias e consolidando a capital sul-mato-grossense como referência nacional em cobertura dos serviços.
RESUMO
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A expansão da rede de esgoto em Campo Grande tem transformado a vida dos moradores e consolidado a capital sul-mato-grossense como referência nacional em saneamento básico. Com índices próximos à universalização, a cidade atende quase um milhão de habitantes, contrastando com a realidade nacional, onde 32 milhões de pessoas ainda não têm água encanada. O plano de investimentos da concessionária Águas Guariroba prevê a implantação de 200 quilômetros de novas redes em 2026, beneficiando 22 bairros. Atualmente, 99% da população tem acesso à água tratada e 94% do esgoto é coletado, com meta de alcançar 98% de cobertura até 2028, antecipando em cinco anos o prazo estabelecido pela legislação federal.
Enquanto o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais — com 32 milhões de pessoas sem água encanada e cerca de 90 milhões sem coleta de esgoto, segundo dados do Censo 2022 e do Instituto Trata Brasil — Campo Grande apresenta índices próximos da universalização, atendendo quase um milhão de moradores.
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Na prática, o avanço do saneamento vai além da infraestrutura urbana. Ele impacta diretamente a saúde preventiva, a frequência escolar e o desenvolvimento social das comunidades.
Nova realidade nos bairros
No bairro Tijuca, na região Lagoa, a chegada da rede de esgoto em 2026 simboliza uma mudança aguardada há anos pelos moradores. O comerciante Lúcio Flávio Carneiro resume a transformação vivida pela vizinhança.
“Antes era comum o mau cheiro da fossa e o gasto constante com caminhão para esvaziar. Agora começamos uma nova fase”, relata.
Histórias semelhantes se repetem em outras regiões da cidade. Na área sul, a moradora Janicleia Ferreira lembra das dificuldades enfrentadas com fossas improvisadas e custos frequentes de manutenção.
“Já tivemos vazamentos e tivemos que abrir outra fossa no quintal. Era caro e inseguro. Saber que a rede chegou é um alívio”, afirma.
Para o aposentado Isaque Fidelis, o ganho mais imediato está na saúde e no bem-estar coletivo. “O cheiro forte desaparece e isso melhora a vida de todo mundo”, diz.
Investimento amplia cobertura
Somente em 2026, o plano de investimentos da concessionária Águas Guariroba prevê a implantação de cerca de 200 quilômetros de novas redes de água e esgoto, alcançando 22 bairros e beneficiando diretamente mais de 100 mil moradores.
Hoje, a água distribuída na cidade é captada nos córregos Guariroba e Lageado e em mais de 150 poços profundos, passando por tratamento antes de percorrer uma rede superior a 4 mil quilômetros, monitorada continuamente. O serviço já atende aproximadamente 99% da população.
Já o sistema de esgotamento sanitário soma cerca de 3 mil quilômetros de tubulações, conduzindo o material até estações de tratamento antes do retorno ao meio ambiente, processo que já contempla cerca de 94% do esgoto gerado na capital.
A meta estabelecida em parceria com o município é alcançar 98% de cobertura até 2028, antecipando em cinco anos o prazo definido pela legislação federal.
Segundo o diretor-presidente da concessionária, Gabriel Buim, o avanço representa ganhos amplos para a cidade.
“A ampliação elimina fossas, reduz riscos à saúde pública, preserva o meio ambiente e valoriza os imóveis, fortalecendo a qualidade de vida das comunidades”, afirma.
Obras com menos impacto
Para acelerar as intervenções e reduzir transtornos, novas técnicas de engenharia vêm sendo adotadas, incluindo perfuração subterrânea e métodos não destrutivos, que diminuem a necessidade de abrir grandes valas nas ruas.
De acordo com o supervisor de Engenharia, José Clementino Leite, a escolha da tecnologia varia conforme cada trecho, priorizando segurança e agilidade nas obras.
Interior acompanha avanço
O movimento de expansão do saneamento não se restringe à Capital. Nos municípios atendidos pela parceria público-privada entre o Governo do Estado e a Ambiental MS Pantanal, a cobertura de esgoto saltou de 46% para 75% em poucos anos, com previsão de atingir 86% até 2026.
O plano inclui obras em 39 cidades, com mais de 480 quilômetros de novas redes, ampliação de estações de tratamento e novas ligações domiciliares, antecipando metas nacionais de universalização.
Saneamento como vetor de desenvolvimento
Responsáveis pelas operações no Estado, Águas Guariroba e Ambiental MS Pantanal integram o grupo Aegea Saneamento, que atua em quase 900 cidades brasileiras e atende mais de 39 milhões de pessoas.
Mais do que números, especialistas apontam que a expansão do saneamento representa um dos investimentos públicos com maior retorno social. A cada rede implantada, diminuem doenças, aumentam oportunidades e cresce a qualidade de vida.
Em Campo Grande, a inclusão sanitária começa a deixar de ser promessa — e passa a fazer parte da rotina das famílias, silenciosamente, por baixo das ruas, mas com efeitos visíveis no dia a dia da cidade.


