Rompeu com a família e sumiu: 90% dos desaparecimentos em MS são voluntários
Mesmo com quase 400 ocorrências por ano, polícia afirma que só uma pequena parcela vira investigação criminal
Apesar de Mato Grosso do Sul registrar quase 400 ocorrências de pessoas desaparecidas por ano, a maioria dos casos não envolve crime. Segundo o delegado Rodolfo Daltro, titular da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa), cerca de 90% dos registros dizem respeito a desaparecimentos voluntários, quando a própria pessoa decide se afastar da família ou romper vínculos.
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Cerca de 90% dos registros de desaparecimentos em Mato Grosso do Sul são voluntários, segundo o delegado Rodolfo Daltro, da DHPP. O estado registra aproximadamente 400 casos por ano, mas a maioria não envolve crimes, sendo situações em que as pessoas optam por romper vínculos familiares. Dos casos que demandam investigação policial, apenas 2% a 5% apresentam indícios de homicídio. O tráfico de pessoas, embora preocupante, tem menor incidência em MS comparado a outros estados, fato atribuído à forte presença do agronegócio e maiores oportunidades de emprego na região.
“Somente cerca de 10% dos casos são de pessoas efetivamente desaparecidas, em que a polícia atua para localizar e entender o que aconteceu”, explicou.
Dados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública) mostram que o Estado registrou 354 desaparecimentos em 2023, número que subiu para 391 em 2024 e fechou 2025 com 378 ocorrências. Mesmo com oscilações, o volume anual se mantém elevado.
Ainda assim, segundo o delegado, a maioria absoluta desses registros não se transforma em investigação criminal. Há situações em que a pessoa apenas decide seguir a própria vida, romper vínculos familiares ou mudar de rotina, o que não configura crime.
Entre os casos classificados como voluntários, há também pessoas que optam conscientemente por não manter contato com a família. “Existe um percentual de pessoas que não quer mais manter vínculo familiar. São pessoas que decidiram seguir a própria vida, e isso não é crime. Acontece muito”, afirmou Daltro.
Segundo ele, muitos registros também estão associados a contextos de uso de álcool e drogas, o que contribui para afastamentos temporários e posterior retorno.
Dentro do grupo menor que exige investigação aprofundada, os casos com indícios de homicídio sem localização do corpo representam uma parcela ainda mais reduzida. De acordo com o delegado, algo entre 2% e 5% dos registros pode envolver mortes violentas.
“É um percentual muito baixo. Os casos em que realmente não se tem nenhuma resposta são raros, e menor ainda é o número de situações em que há indícios concretos de homicídio”, disse.
Tráfico de pessoas
Quando surgem indícios de tráfico de pessoas, a apuração costuma ser mais trabalhosa do que em outros tipos de desaparecimento. Isso porque, inicialmente, a polícia sempre trabalha com a hipótese de desaparecimento voluntário.
Para avançar nessa linha investigativa, a participação da família é fundamental. “São os relatos de familiares e amigos que muitas vezes trazem informações como propostas de emprego em outros países, contatos prévios e promessas de ganhos financeiros”, explicou o delegado.
Esses elementos permitem à polícia traçar uma linha investigativa mais precisa e reunir indícios sobre o que efetivamente pode ter acontecido com a vítima.
Segundo a DHPP, muitos dos casos de tráfico investigados estão relacionados à prostituição em outros países. Em geral, a pessoa é atraída por promessas de ganhos elevados, mas não revela à família qual atividade pretende exercer, informando apenas que recebeu uma proposta de emprego fora do Brasil.
No curso da investigação, surgem informações de que, ao chegar ao destino, a pessoa se deparou com uma situação de tráfico e não consegue retornar. “É comum a cobrança de passagem aérea, alimentação e outros custos, criando uma dívida que impede o retorno,” relatou Daltro.
Incidência é menor em MS do que em outros estados
Apesar da gravidade, o delegado avalia que Mato Grosso do Sul registra menos casos de tráfico de pessoas do que estados como São Paulo e algumas regiões do Nordeste. Para ele, fatores econômicos ajudam a explicar essa diferença.
“A forte presença do agronegócio e a oferta de empregos acabam reduzindo esse tipo de ocorrência”, disse. No interior do Estado, o surgimento de fábricas e outras atividades econômicas amplia as oportunidades de trabalho e diminui a vulnerabilidade da população, embora ainda existam casos envolvendo promessas de ganhos elevados.
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