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Cidades

Sem ações mais duras na Capital e em Dourados, caos vai persistir, prevê médico

Para o infectologista Júlio Croda só uma de quatro medidas anunciadas por Campo Grande terá efeito

Por Lucia Morel | 11/03/2021 06:46
Muitas pessoas circulam no centro de Campo Grande e, em muitas casos, sem os cuidados necessários. (Foto: Kísie Ainoã)
Muitas pessoas circulam no centro de Campo Grande e, em muitas casos, sem os cuidados necessários. (Foto: Kísie Ainoã)

“Campo Grande e Dourados, que chegaram a 100% de ocupação em UTI, que já estão colapsando, precisam de medidas mais enérgicas”, diz o pesquisador e médico infectologista Júlio Croda, em relação às ações previstas para o Estado a partir de domingo, conforme decreto estadual publicado ontem.

Croda orienta que as atitudes sejam tomadas pelos gestores municipais, já que a determinação estadual, enquanto medida geral, está adequada. “Mato Grosso do Sul tem cidades muito pequenas, onde não há transmissão tão alta como em Campo Grande ou Dourados. Então, nesse sentido, o decreto do Estado está adequado e agora, cada cidade intensifica suas medidas, se precisar”, avalia.

Para o especialista, dentre as quatro medidas já anunciadas pela Prefeitura de Campo Grande para frear a transmissão, apenas uma terá resultado efetivo: a ampliação de ônibus no transporte coletivo.

Não faz sentido a sanitização de ruas, já está provado que não funciona. Fazer barreiras nas estradas também não, porque o maior contágio é dentro da cidade e não fora. O teste rápido nesses locais também é inócuo. Detecta só quem já pegou a doença. Até agora, somente a ampliação de ônibus é a medida mais eficaz”, avalia Júlio Croda.

O ideal nessas duas cidades, conforme o especialista, seria o chamado lockdown, como fez Araraquara (SP), que conseguiu reduzir drasticamente o número de casos e mortes. “As medidas lá continuam e já teve impacto. Muitos dizem que lockdown não funciona, mas o que fizemos no Brasil não é lockdown. O lockdown de verdade foi em Araraquara. Se não chegar a 70% de isolamento, não é lockdown”, ressaltou.

Sobre as medidas a serem adotadas em todas as cidades do Estado a partir do próximo domingo, o especialista afirma que é uma tentativa de retardar a transmissão. “De forma geral, é melhor que não ter medida nenhuma”, avalia.

Sem uma atuação mais dura da Capital e de Dourados, “o que o decreto do Estado vai fazer é tornar tudo uma medida paliativa, que não inverte a curva de crescimento da doença. Vai evitar uma catástrofe, mas reduzir rapidamente o número de casos e mortes, não vai”, sentencia.

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