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Tempo seco aumenta alerta à população sobre os riscos da covid-19

Sete cidades de MS estão no ranking do Inmet entre as cidades mais secas do país

Por Ana Paula Chuva e Clayton Neves | 06/08/2020 13:46
Ruas nos bairros de Campo Grande estão desertas com tempo seco. (Foto: Kisiê Ainoã)
Ruas nos bairros de Campo Grande estão desertas com tempo seco. (Foto: Kisiê Ainoã)

O alerta do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para a baixa umidade do ar em sete municípios de Mato Grosso do Sul, traz preocupação para a saúde humana, principalmente em tempos de pandemia da covid-19. Nesta quinta-feira (6) a previsão é de índices de umidade em 13%, bem abaixo do mínimo recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

No ranking, Água Clara, aparece na sexta posição com índice de 13%, na sequência estão Campo Grande com 15%, Miranda e Ribas do Rio Pardo com 16%, Amambai, Cassilândia e Corumbá com 17%. O menor índice, de 7%, foi registrado na cidade de Novo Repartimento, no Pará.

Nas ruas de Campo Grande é possível ver um maior número de pessoas tomando tereré, procurando locais com sombra, usando roupas mais leves, tudo para driblar não só a baixa umidade como também as altas temperaturas que atingem Campo Grande, que está na lista do Inmet.

Dono de uma loja de produtos de refrigeração Moacir Carra, diz que sempre nesse período do ano as vendas aumentam em 40%, mas acredita que esse ano possa aumentar ainda mais por conta da covid-19.

“Daqui a pouco começa a dor de garganta nas pessoas e agora com a covid o povo fica assustado. Então a procura pelos  produtos de refrigeração e umidificação do ar devem aumentar entre o meio e o fim do mês. Todo ano é assim”, explica.

Inclusive a funcionária pública Daniele Passos, 44 anos, contou ao Campo Grande News, que para tentar driblar a baixa umidade tem usado muito umidificador de ar. “Tenho no quarto e na sala, tenho uma filha de 3 anos, preciso tomar cuidado. É um período muito ruim. O lábio fica rachado, a pele seca e áspera e pra somar tem a covid-19 que deixa a gente mais preocupado por causa da respiração”, declarou.

Perigo - Segundo a pneumologista Lilian Cristina Ferreira Andries, o tempo seco facilita e muito o aparecimento de infecções respiratórias, incluindo o covid-19, já que a baixa umidade aumenta o ressecamento das mucosas oculares, orais e nasais, principais vias virais e alérgicas.

“A umidade entre 50 e 80% faz om que nossas mucosas funcionem bem melhor barrando a entrada de poeira e microrganismos, situação contrário com os índices tão baixos que facilita o aparecimento das infecções respiratórias”, disse.

Ainda conforme a especialista, como a covid-19 se dissemina pelo ar, principalmente por meio de microgotas, quando alguém espirra ou tosse essas microgotas podem atingir outra pessoa em até 2 metros de distância.

“Alguns estudos mostram que quando a umidade está alta, essas microgotas se chocam com outras microgotas de água presentes no ar, ficam mais pesadas e caem mais rapidamente no solo, ou seja, a chance do contágio é bem menor”, destaca.

Cuidados – De acordo com a especialista, todos precisam tomar cuidados durante o período de seca, mas para os grupos  de alto risco para a covid-19 esse cuidado deve ser redobrado.

“Os cuidados nessa baixa umidade são basicamente tentar aumentar a umidade nos ambientes – locais de trabalho e residências – com o uso de umidificadores, bacias de água. Se manter hidratado bebendo bastante água. Evitar aglomerações, manter a distancia mínima de 2 metros entre outra pessoa, quando espirrar usar lenço, quando tossir cobrir a boca e sempre lavar as mãos”, conclui.

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