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Cidades

Troca de informações será estratégia para combater crime na Rota Bioceânica

Aposta será na integração internacional entre aduanas e polícias, sem afetar o fluxo das exportações

Por Mylena Fraiha e Izabela Cavalcanti | 01/07/2026 11:19
Troca de informações será estratégia para combater crime na Rota Bioceânica
Agente da Receita Federal acompanha apresentação de relatório técnico sobre a Rota Bioceânica (Foto: Juliano Almeida).

À medida que a Ponte Internacional Bioceânica entra na reta final de construção e a abertura do corredor logístico entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile se aproxima, a Receita Federal prepara uma estratégia para impedir que a nova rota seja utilizada por organizações criminosas. A aposta será na integração entre os países, compartilhamento de informações e uso de inteligência para identificar cargas suspeitas sem comprometer a fluidez do comércio internacional.

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A Receita Federal prepara estratégia para impedir que a Rota Bioceânica seja usada pelo crime organizado, com integração entre aduanas do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A ponte, financiada pela Itaipu Binacional com cerca de US$ 100 milhões, está a 5,60 metros de ser concluída. A nova rota deve reduzir em 15 dias o transporte para mercados asiáticos e diminuir em 30% os custos logísticos das exportações brasileiras.

O tema foi discutido na manhã desta quarta-feira (1º), durante o evento "Receita Federal e Corredor Bioceânico de Capricórnio – Aduanas sem Fronteiras", realizado em Campo Grande. No evento, a Receita apresentou o relatório técnico elaborado após uma expedição que percorreu todo o trajeto da futura rota, entre Mato Grosso do Sul e o litoral do Chile, para mapear gargalos logísticos e ouvir empresários sobre as necessidades para o funcionamento do corredor.

Troca de informações será estratégia para combater crime na Rota Bioceânica
Secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que o intercâmbio de informações entre os órgãos brasileiros e os dos demais países será ampliado conforme a rota entrar em operação (Foto: Juliano Almeida).

Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a Rota Bioceânica tornou-se prioridade do governo federal por representar uma nova ligação entre o Brasil e os mercados asiáticos. "Nós sabemos que a integração do Brasil com o Oriente, principalmente com a China e os mercados asiáticos, depende do fortalecimento dessa rota", afirmou.

Barreirinhas ressaltou que, mais importante do que concluir a ponte, será integrar o funcionamento das aduanas dos quatro países envolvidos. "Não adianta ganhar 15 dias e perder 20 dias com a burocracia de quatro aduanas diferentes. Um contêiner que saia do Brasil não precisa ser aberto no Chile. Para isso, as aduanas têm que estar integradas", disse.

O secretário também afirmou que a Receita está preparada para iniciar as operações assim que a travessia entrar em funcionamento. "Se a ponte for inaugurada amanhã, a aduana brasileira vai estar pronta".

O aumento esperado no fluxo de mercadorias também traz preocupação com a atuação de organizações criminosas e do narcotráfico. Segundo Barreirinhas, o desafio será impedir essa infiltração sem criar obstáculos ao comércio legítimo.

Ele também acrescentou que o intercâmbio de informações entre os órgãos brasileiros e dos demais países já está em andamento e será ampliado conforme a rota entrar em operação.

"Se a gente começar a parar toda carga, sem inteligência, para tentar fiscalizar droga, inviabiliza o comércio. Tem que permitir o fluxo e ser certeiro, com base em inteligência, para interceptar o crime organizado que pode, sim, se infiltrar nesse tipo de rota", afirmou o secretário especial da Receita Federal.

Cooperação entre polícias - A diretora de Operações da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Nádia Zilotti, afirmou que a corporação também trabalha com a possibilidade de aumento da atuação do crime organizado no corredor internacional.

"Sabemos que as organizações criminosas sempre buscam novas formas de atuação e, nesse momento, com a Rota, abre-se essa possibilidade. Então, a PRF, em conjunto com outros órgãos de segurança pública, vai coibir de maneira eficiente esse eventual incremento", disse Zilotti.

Troca de informações será estratégia para combater crime na Rota Bioceânica
Diretora de Operações da PRF, Nádia Zilotti, afirmou que a corporação já mantém diálogo com forças policiais dos países que integram o Corredor Bioceânico (Foto: Juliano Almeida).

Segundo ela, a fiscalização será baseada na cooperação entre instituições brasileiras e estrangeiras, com compartilhamento de informações, operações conjuntas e integração dos sistemas de inteligência.

A diretora informou ainda que a PRF já mantém diálogo com forças policiais dos países que integram o corredor, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores, e prepara intercâmbios técnicos para aperfeiçoar as ações de fiscalização.

Outro desafio apontado pela corporação é o efetivo. Hoje, segundo Zilotti, a PRF conta com cerca de 13 mil servidores para fiscalizar aproximadamente 75 mil quilômetros de rodovias federais, e busca ampliar esse contingente diante da expectativa de aumento do fluxo de cargas.

Reta final - As discussões ocorrem enquanto a Ponte Internacional Bioceânica se aproxima da conclusão. Segundo o Consórcio Pybra, restam apenas 5,60 metros para a união definitiva das estruturas erguidas pelos lados brasileiro e paraguaio, etapa conhecida como "beijo das aduelas", prevista para ocorrer até o dia 10 de julho.

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Apenas 5,60 metros separam o encontro dos dois lados da megaestrutura da ponte (Foto: Toninho Ruiz)

Financiada pela Itaipu Binacional, com investimento aproximado de US$ 100 milhões, a ponte ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, e formará o principal elo do Corredor Bioceânico.

A expectativa é que a nova rota reduza em até 15 dias o tempo de transporte para os mercados asiáticos e diminua em cerca de 30% os custos logísticos das exportações brasileiras.

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