Troca de informações será estratégia para combater crime na Rota Bioceânica
Aposta será na integração internacional entre aduanas e polícias, sem afetar o fluxo das exportações

À medida que a Ponte Internacional Bioceânica entra na reta final de construção e a abertura do corredor logístico entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile se aproxima, a Receita Federal prepara uma estratégia para impedir que a nova rota seja utilizada por organizações criminosas. A aposta será na integração entre os países, compartilhamento de informações e uso de inteligência para identificar cargas suspeitas sem comprometer a fluidez do comércio internacional.
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A Receita Federal prepara estratégia para impedir que a Rota Bioceânica seja usada pelo crime organizado, com integração entre aduanas do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A ponte, financiada pela Itaipu Binacional com cerca de US$ 100 milhões, está a 5,60 metros de ser concluída. A nova rota deve reduzir em 15 dias o transporte para mercados asiáticos e diminuir em 30% os custos logísticos das exportações brasileiras.
O tema foi discutido na manhã desta quarta-feira (1º), durante o evento "Receita Federal e Corredor Bioceânico de Capricórnio – Aduanas sem Fronteiras", realizado em Campo Grande. No evento, a Receita apresentou o relatório técnico elaborado após uma expedição que percorreu todo o trajeto da futura rota, entre Mato Grosso do Sul e o litoral do Chile, para mapear gargalos logísticos e ouvir empresários sobre as necessidades para o funcionamento do corredor.

Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a Rota Bioceânica tornou-se prioridade do governo federal por representar uma nova ligação entre o Brasil e os mercados asiáticos. "Nós sabemos que a integração do Brasil com o Oriente, principalmente com a China e os mercados asiáticos, depende do fortalecimento dessa rota", afirmou.
Barreirinhas ressaltou que, mais importante do que concluir a ponte, será integrar o funcionamento das aduanas dos quatro países envolvidos. "Não adianta ganhar 15 dias e perder 20 dias com a burocracia de quatro aduanas diferentes. Um contêiner que saia do Brasil não precisa ser aberto no Chile. Para isso, as aduanas têm que estar integradas", disse.
O secretário também afirmou que a Receita está preparada para iniciar as operações assim que a travessia entrar em funcionamento. "Se a ponte for inaugurada amanhã, a aduana brasileira vai estar pronta".
O aumento esperado no fluxo de mercadorias também traz preocupação com a atuação de organizações criminosas e do narcotráfico. Segundo Barreirinhas, o desafio será impedir essa infiltração sem criar obstáculos ao comércio legítimo.
Ele também acrescentou que o intercâmbio de informações entre os órgãos brasileiros e dos demais países já está em andamento e será ampliado conforme a rota entrar em operação.
"Se a gente começar a parar toda carga, sem inteligência, para tentar fiscalizar droga, inviabiliza o comércio. Tem que permitir o fluxo e ser certeiro, com base em inteligência, para interceptar o crime organizado que pode, sim, se infiltrar nesse tipo de rota", afirmou o secretário especial da Receita Federal.
Cooperação entre polícias - A diretora de Operações da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Nádia Zilotti, afirmou que a corporação também trabalha com a possibilidade de aumento da atuação do crime organizado no corredor internacional.
"Sabemos que as organizações criminosas sempre buscam novas formas de atuação e, nesse momento, com a Rota, abre-se essa possibilidade. Então, a PRF, em conjunto com outros órgãos de segurança pública, vai coibir de maneira eficiente esse eventual incremento", disse Zilotti.

Segundo ela, a fiscalização será baseada na cooperação entre instituições brasileiras e estrangeiras, com compartilhamento de informações, operações conjuntas e integração dos sistemas de inteligência.
A diretora informou ainda que a PRF já mantém diálogo com forças policiais dos países que integram o corredor, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores, e prepara intercâmbios técnicos para aperfeiçoar as ações de fiscalização.
Outro desafio apontado pela corporação é o efetivo. Hoje, segundo Zilotti, a PRF conta com cerca de 13 mil servidores para fiscalizar aproximadamente 75 mil quilômetros de rodovias federais, e busca ampliar esse contingente diante da expectativa de aumento do fluxo de cargas.
Reta final - As discussões ocorrem enquanto a Ponte Internacional Bioceânica se aproxima da conclusão. Segundo o Consórcio Pybra, restam apenas 5,60 metros para a união definitiva das estruturas erguidas pelos lados brasileiro e paraguaio, etapa conhecida como "beijo das aduelas", prevista para ocorrer até o dia 10 de julho.
Financiada pela Itaipu Binacional, com investimento aproximado de US$ 100 milhões, a ponte ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, e formará o principal elo do Corredor Bioceânico.
A expectativa é que a nova rota reduza em até 15 dias o tempo de transporte para os mercados asiáticos e diminua em cerca de 30% os custos logísticos das exportações brasileiras.
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