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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019

22/10/2019 13:25

“História de milícia remonta a mais de 20 anos”, diz secretário de Segurança

Valério Azambuja é “comandante máximo” de uma corporação de onde saíram 8 integrantes de organização criminosa denunciada

Izabela Sanchez
Valério Azambuja fala para plateia lotada de guardas municipais em evento sobre saúde mental da corporação (Foto: Marcos Maluf)Valério Azambuja fala para plateia lotada de guardas municipais em evento sobre saúde mental da corporação (Foto: Marcos Maluf)

Responsável maior pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), o secretário de Segurança Pública de Campo Grande, Valério Azambuja, disse hoje que milícia atribuída à família Name  era conhecida, inclusive pelas “autoridades”, há mais de 20 anos. “Essa história da milícia no Estado não é nova, ela remonta a mais de 20 anos. Nesse momento que foi identificado tem essa exposição”, declarou.

A afirmação foi usada por ele para lembrar que não é de hoje que se observa a participação de agentes públicos no crime organizado. Da Guarda Municipal, saíram 8 integrantes do grupo de extermínio investigado pelo Gaeco e Garras (Delegacia Especializada na Repressão de Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).

Para os responsáveis pela Operção Omertà, que no total denunciou 21 pessoas por organização criminosa, incluindo Jamil Name e Jamil Name Filho, toda a estrutura de crimes já era conhecia há, ao menos, 10 anos. Ainda assim, funcionava sob o signo da “Omertá”, expressão da máfia italiana que alerta que o melhor é ficar calado.

O secretário ainda fez analogia com a metáfora, também do folclore italiano, “ovo de colombo”. “É como aquela história, descobrimos o Ovo de Colombo, mas, na verdade, muitos desses problemas já eram conhecidos pelas autoridades”, disse.

Para Valério Azambuja, a diferença agora é a cobrança da sociedade. “É que houve uma melhora nessa questão do controle interno pelo Estado e o controle externo que é a mídia. Isso acaba resultando em uma cobrança maior da sociedade para apuração desse tipo de crime e aplicação da pena para essas pessoas”, justificou.

 

Valério Azambuja, secretário municipal de segurança pública (Foto: Marcos Maluf)Valério Azambuja, secretário municipal de segurança pública (Foto: Marcos Maluf)

Investigações internas – O ex-guardas conhecidos como Zezinho e Joanil, que já não eram da corporação à época da investigação, e os então guardas municipais Marcelo Rios, Rafael Antunes, Robert, Eronaldo, Igor da Cunha e Rafael Carmo foram todos denunciados por crimes que vão de obstrução de Justiça a organização criminosa.

Para o secretário, “desvios de conduta” já eram investigados antes da operação Omertá, deflagrada no dia 27 de setembro. “Nós já havíamos, em 2018, processado e apurado desvio de conduta e 3 haviam sido exonerados. Esse processo, já vínhamos trabalhando para investigar e processar internamente, administrativamente e punir, no caso a pena capital, que é a demissão”, disse.

O Gaeco aponta, na investigação, que os guardas eram parte de um dos 4 núcleos da organização criminosa, o chamado “núcleo de operação”. Marcelo Rios, preso em maio com arsenal em uma residência que seria de Jamil Name, é citado como responsável pela contratação de pistoleiros.

Ex-guardas municipais presos desde o dia da operação, 27 de setembro Ex-guardas municipais presos desde o dia da operação, 27 de setembro

“Esse problema específico não [era de conhecimento], se tivéssemos conhecimento, é uma obrigação legal comunicar às autoridades, mas já vínhamos fazendo a parte de correção interna, de mostrar para a instituição que você tem uma corregedoria forte, uma ouvidoria forte e que as instituições estão trabalhando no mesmo sentido. Então, que isso sirva de modelo para que aqueles que tiverem, por ventura, uma tendência ao desvio de conduta, que não cometam qualquer tipo de infração, porque serão penalizados e, além de responder administrativamente, vão responder judicialmente”, comentou Valério.

O secretário disse ser comum que além do trabalho na GCM, os guardas acumulem até 3 empregos, os chamados “bicos” e afirma que investimentos no plano de carreira, publicado em agosto pela Prefeitura, serão tentativa de oferecer mais atrativo ao trabalho na segurança municipal. Valério Azambuja chamou de “meia dúzia de ovelhas negras” os integrantes da milícia e afirma que a exposição dessa realidade atinge o dia-a-dia da corporação.

“Afeta da seguinte forma: toda profissão você tem ovelhas negras. Não tem como. Você tem maus médicos, maus engenheiros, maus advogados, maus juízes. Temos aqui no Estado N exemplos. Dentro da estrutura de uma corporação de segurança, no caso a guarda, em torno de 1100 funcionários, há alguns desvios de conduta. O que acontece? Em uma proporção de 1100 para meia dúzia acaba afetando psicologicamente e até a auto estima dos demais”, opinou.



essa guarda civil é a coisa mais despreparada que ja vi. Um bando de gente sem sabermos a procedência, com arma na cintura.
 
fabiano silva em 22/10/2019 15:05:25
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