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Capital

“Você que devia morrer”, teria dito sargento a testemunha de tiroteio

A versão foi dada por amigo do tenente morto no boletim de ocorrência de ameaça contra o autor dos disparos.

Por Adriano Fernandes | 07/07/2017 15:37
Curioso por onde houve o crime no bairro Nova Lima, no último sábado (01). (Foto: (Foto: Yarima Mecchi)
Curioso por onde houve o crime no bairro Nova Lima, no último sábado (01). (Foto: (Foto: Yarima Mecchi)

Boletim de ocorrência registrado por um amigo do tenente aposentado da PM João Miguel Além Rocha, 50, no último sábado (1), afirma que o sargento da PM César Diniz da Silva, 43, suspeito pelos disparos, de fato teria ameaçado uma das testemunhas do crime.

A informação já havia sido repassada em nota à imprensa, na manhã de ontem (06), pelos advogados, assistentes da acusação contra o sargento, Fábio Ricardo Trad Filho e Luciana Abou Ghattas.

No registro policial feito por uma testemunha de 48 anos, ele conta que o sargento teria dito “Você que tinha que morrer porque que trouxe ele aqui”. A versão da testemunha também levanta a hipótese de que não houve troca de tiros, mas confirma que o sargento teria efetuado os disparos depois que a vítima deu um tapa em seu rosto.

De acordo com a testemunha ele e João Miguel, teriam indo juntos pegar o veículo modelo Nissan Sentra, na oficina onde houve o crime. O tenente aposentado teria levado um comprovante de pagamento do veículo, mas que foi negado pelo suspeito.

"Vagabundo, sem vergonha. Esse documento na sua mão não vale nada”, César teria dito, segundo a testemunha em depoimento. Em seguida houve o tapa e os três disparos que mataram o tenente aposentado.

Armas usadas na suposta troca de tiros.(Foto: André Bittar)
Armas usadas na suposta troca de tiros.(Foto: André Bittar)

O amigo da vítima então teria tentado se esconder dentro da oficina, foi perseguido pelo tenente que teria o ameaçado e foi embora depois de dar um chute em sua perna.

A testemunha disse ainda que já conhecia o sargento da PM pela “fama” dele pelo Nova Lima por ser bravo e violento. E que ele, inclusive seria agiota, envolvido em esquemas de compra e venda de veículos no bairro, conhecido por sempre cobrar quem lhe devia.

Procurado pela reportagem o advogado de Diniz, Sebastião Francisco dos Santos Júnior comentou que o que houve foi uma revista a testemunha.

“O João Miguel foi ao local com mais dois rapazes. Um deles fugiu e outro foi revistado, pois ele queria se certificar se o homem também estaria armado. Mas essa situação já foi esclarecida com o delegado e atestada no inquérito”, comenta.

A testemunha que registrou o boletim de ocorrência também já foi ouvida pelo delegado Weber Luciano de Medeiros, titular da 2° Delegacia de Polícia Militar e que é responsável pela investigação.

O caso - O tenente aposentado da PM João Miguel Além Rocha, 50 anos, morreu ao ser atingido por três tiros na frente de uma mecânica pelo sargento, César Diniz da Silva, 43, na tarde do último sábado (1).

Eles começaram a discutir e trocaram agressões por uma desavença na venda de um veículo Nissan Sentra, preto que Diniz alega ser seu. Houve os disparos e além de João Miguel, um rapaz que estava em uma bicicletaria na frente do local também acabou atingido.

Diniz, atualmente afastado do trabalho nas ruas por conta de problemas nos ligamentos do tornozelo, se apresentou à Polícia Civil e confessou o assassinato. Ele foi indiciado e responderá o crime de homicídio em liberdade pela falta de antecedentes. O jovem foi internado mas liberado sem maior gravidade.

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