A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

21/09/2012 09:31

A casa que, por causa da droga, virou um lixão e o policial que tenta ajudar

Luciana Brazil
A casa que, por causa da droga, virou um lixão e o policial que tenta ajudar
Muitas sujeira nos cômodos e roupas jogadas. (Fotos:Rodrigo Pazinato)Muitas sujeira nos cômodos e roupas jogadas. (Fotos:Rodrigo Pazinato)
Em área descoberta, móveis ficam misturados com roupas e lixos.Em área descoberta, móveis ficam misturados com roupas e lixos.

Um lugar imundo, cheio de lixo, com restos de comida e, no meio da bagunça, fezes humanas. Logo na entrada da casa, que fica na Morenhinha II, a sujeira chega a dar náuseas, e de cara a gente se pergunta como alguém consegue viver ali. Mesmo com o caos, o dono do imóvel, um homem de 35 anos e a companheira de 27 anos, ambos usuários de droga, vivem no mais fiel retrato do abandono e do repúdio.

O dono da casa, uma herança de família, e sua companheira estão há mais de dois anos nessa situação, vivendo no lixo. São usuários de pasta-base de cocaína. A casa reflete o estágio a que chegaram os dois, por causa da droga.

"Ele não está aqui porque deve ter ido atrás de droga. Ele é doente precisa de tratamento e eu sou mais louca ainda porque estou aqui", diz a mulher, sobre o fato de o companheiro não estar na casa.

Durante um tempo sem água, os fundos da casa viraram uma latrina a céu aberto. O mau cheiro incomoda até os moradores mais distantes e a situação da residência virou caso de polícia.

Mas o que poderia terminar de forma trágica, por envolver desavença entre vizinhos, foi resolvido, temporariamente, com o trabalho de mediação, por meio da filosofia da polícia comunitária da 4ª Delegacia de Polícia Civil.

Na manhã de quarta-feira (19), funcionários da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) retiravam a sujeira, o lixo e o entulho que serviam de depósito para dengue.

“É um alívio”, disse o aposentado Luiz Carlos, 76 anos, que mora bem ao lado da casa problema. Ele conta que já é a terceira vez que a prefeitura precisa intervir na desordem e imundice. “Outras duas vezes a caçamba da prefeitura veio aqui e recolheu tudo porque a gente não aguentava mais”, contou o aposentado que mora no local há mais de 30 anos.

Fezes ficam espalhadas na área externa da casa.Fezes ficam espalhadas na área externa da casa.
O caminhão da Sesau saiu lotado da casa de Wilson.O caminhão da Sesau saiu lotado da casa de Wilson.

Segundo Luiz, em um dos episódio contra os vizinhos o proprietário do imóvel ficou agressivo e se revoltou, mas nenhuma violência aconteceu já que Luiz garante ser da paz. "Eu não faço nada porque sou evangélico e vou levando com jeito".

Responsável direto pela mediação entre os vizinhos e desenvolvendo um trabalho de tirar o chapéu, o investigador da Polícia Civil Francisco de Melo conta que da última vez os moradores foram até a delegacia dizendo que não aguentavam mais o mau cheiro da casa. “Eu vim até aqui e dei uma semana para que o dono fizesse a limpeza. Ele não achou que eu voltaria, mas eu voltei e estava tudo do mesmo jeito”.

Melo conta que orientou os vizinhos para que fizessem um abaixo-assinado que depois foi levado para o Posto de Saúde do bairro. De lá, o documento chegou ao setor de epidemiologia da Sesau que mobilizou o caminhão para recolher a sujeira.

“Eu voltei na casa dele e expliquei a situação. Pedi para que ele assinasse um termo dando autorização para que nós entrássemos na casa para limpar. Ele aceitou”.

Na quarta-feira, logo cedo, o caminhão da Sesau estava transbordando e os funcionários tiraram um pouquinho de tudo de dentro do imóvel.

"Não é só o resíduo. São pessoas que precisam de um tratamento, são usuários de droga. O problema precisa ser resolvido pela raiz", destacou o gerente técnico do PNCD (Programa Nacional de Controle da Dengue) Mauro Lúcio Rosário.

Segundo Mauro Lúcio, o trabalho da Sesau é retirar entulhos que acumulem água e provoquem a proliferação do mosquito da dengue, ou ainda que causem a reprodução de outros mosquitos como o da leishmaniose.

 

Francisco garante fazer um trabalho de formiguinha, mas está com a consciência tranquila.Francisco garante fazer um trabalho de formiguinha, mas está com a consciência tranquila.
Vanessa separa, à pedido do policial, as roupas que estão jogadas em um cômodo da casa.Vanessa separa, à pedido do policial, as roupas que estão jogadas em um cômodo da casa.

Conforme o gerente, será entregue junto a SAS (Secretaria de Assistência Social) um relatório situacional para que o órgão faça o acompanhamento dos moradores. "Essa não é a função da Sesau, só viemos porque o entulho acumula água, senão seria trabalho direto para SAS".

O investigador Francisco acrescenta que o trabalho na casa de Wilson é paliativo. "É necessário mobilizar o poder judiciário para resolver a situação".

Conflitos: Entre 50% e 60% dos Boletins de Ocorrência registrados na Polícia Civil são causados por "pequenos conflitos", como afirma o investigador. "Se não são resolvidos, eles podem gerar grandes situações que envolvem todo o sistema".

Segundo Melo, 92,5% dos homicídios começam em pequenos problemas. "Quando se atua antes que algo aconteça, a gente evita que o pior ocorra".

Propondo a existência de um núcleo de mediação, integrado com a polícia, que seja desenvolvido em associações de moradores ou outras entidades, Francisco garante que a filosofia de polícia comunitária é o que acontece nos países de primeiro mundo. "No japão, nos primeiros dois anos o policial só trabalha com conflitos comunitários".

Identificar, priorizar e resolver junto a comunidade são os princípios que Francisco desenvolve diariamente. 'Meu trabalho é como de um beija-flor, levando a gotinha de água, fazendo minha parte, com a consciência tranquila".

Já conhecido como o policial comunitário, Francisco diz levar os valores cristãos a todo instante. "Não saio de casa sem ler a bíblia, sou catequista, ministro da Eucaristia e me envolvo mesmo. Tem muita gente que precisa".

Apesar do belo trabalho, ele sabe que situações como a casa da Moreninha II existem em vários pontos da cidade.

O que fica entre os vizinhos é a sensação de que a qualquer hora o caos volte. "Daqui a pouco eles vão ficar sem água de novo e pode ser que volte tudo de novo, se nada for feito de verdade", lembrou Luiz Carlos, o vizinho que sofre ao lado.



O Francisco faz um excelente trabalho, já adotamos algumas de suas "tecnicas" em Ribas com bons resultados. Oxala outros policiais se juntem a Francisco e construamos um formigueiro.
 
Reginaldo Salomão em 21/09/2012 12:00:11
Parabens a reportagem...muito boa, completa, mostrou a realidade de dentro e de fora. Os elogios a jornalista Luciana Brazil, que como ja conheco e trabalhei ao seu lado, pode parecer de "amigo". Mas digo como colega da area ou ate mesmo como simples leitor: voce sempre escreveu muito bem, tem sensibilidade e faz seu trabalho quase que como uma missao. Que o CG News saiba te valorizar muito.
 
Lucio Borges Ortega em 21/09/2012 11:55:26
Luciana Brazil!! sempre gostei muito do seu trabalho, até comentei contigo e com a Ana Paula (redação).
Como todas suas reportagens, mais uma vez, surpreendeu pela matéria bem elaborada.
Parabéns!!!
Gde abraço.
 
Neyde Oliveira em 21/09/2012 11:11:44
Ainda mais lamentável que o estado que se encontra a residência, é a situação onde chega o ser humano, a código penal deveria ser revisto e mais rigoroso com crimes relacionados ao tráfico de drogas, muito triste ver a situação desse casal.
 
ROSE PATEZ em 21/09/2012 11:00:11
Continuando, os alunos fumam Maconha a céu aberto, fumam pasta base ali no Pátio Moreninhas, não se intimidam com a presença das pessoas, isso faz tanto mal para quem passa perto, tenho criacinhas que são obrigadas a sentirem o fedor dessas drogas, por favor polícia faz alguma coisa, ja estive pensando em ir falar com o Francisco , pois não suporto mais a poluição visual e ser obrigada a inalar
 
Loenir G. de Arruda em 21/09/2012 10:57:02
Parabens ao Francisco Melo, belo trabalho, este poblema está acabando com os nossos jovens, adolescentes e crianças, penso que o Conselho Tutelar, deveria entrar na causa, pois nas feiras livres, nos shows que acontecem as nossas crianças e juventude estão se perdendo nas drogas, por causa dos aliciadores, fazem-os dependentes, DENAR venha investigar nas Moreninhas, alunos das escolas, fumando.
 
Loenir Gomes de Arruda em 21/09/2012 10:47:02
É A UNIÃO DE VARIAS FORMINHAS ASSIM,QUE CONSIGUIREMOS FORMAR UM GRANDE FORMIGUEIRO DE BOAS AÇOES,PARABENS A INICIATIVA.
 
LAURA CRISTINA em 21/09/2012 10:32:51
faltou a presença do estado e do municipio com a assistencia social, com pessoas preparadas, eles precisam de tratamento e de ajuda, mas precisam querer isso, precisam ser convencidos a mudar de vida, o policial está ajudando, os vizinhos também, e o poder publico oque vai fazer?
 
claudenir arlindo anderson de angelo em 21/09/2012 10:24:50
Parabéns ao IPJ Francisco pelo excelente e admirável trabalho que realiza. Trabalho de formiguinha, como diz na reportagem, mas que serve de exemplo e que se mtos fizessem seria de um bem maior à sociedade.
 
Luzia Maria em 21/09/2012 10:21:57
É lamentavel essa situação e que sabemos, acontece igual em vários outros lugares. Agradeço nesse momento a Deus pela vida desse policial que faz esse trabalho de formiguinha ou beija flor como ele diz, se todos nós tivessemos esse amor pelo ser humano e ajudassemos alguem, quem sabe isso poderia diminuir.
 
Estela Vasques em 21/09/2012 10:20:43
muito boa essas materias sobre como as drogas acabam com a vida de alguem.
 
lau barcellos em 21/09/2012 10:00:01
Lamentável... que situação chega uma pessoa sem estrutura .
 
Flaviana Silva em 21/09/2012 09:48:30
Bonito trabalho e merece elogios Francisco. Agora infelizmente o mal tem que ser cortado pela raiz , como? Criar leis mais rigorosa contra o trafico de drogas, de preferencia que fuzilem todos os traficantes, ai sim, sem a existencia deles com certeza pra ser usuario ficaria bem mais dificil. A droga é um dos grandes, se nao o maior, problemas que destroem familias, independente classe social.
 
luci santos em 21/09/2012 07:28:07
Esse verdadeiramente merece o título de cidadão campograndense. Alô vereadores.
 
Áttila Gomes em 21/09/2012 02:15:08
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions