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Capital

Advogado cita exame de DNA em 2005 e nega que “novo herdeiro” é filho de Name

“Mas não adianta querer se aproveitar de um vantajoso patrimônio”, diz defesa

Por Aline dos Santos e Bruna Marques | 25/01/2022 10:45
João Paulo Delmondes mostra documento do exame de DNA realizado em 2005. (Foto: Henrique Kawaminami)
João Paulo Delmondes mostra documento do exame de DNA realizado em 2005. (Foto: Henrique Kawaminami)

O surgimento de um “novo herdeiro” para Jamil Name, empresário que morreu no ano passado, quando estava preso na Operação Omertà, mobilizou entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (dia 25).

O advogado João Paulo Sales Delmondes afirmou que exame de DNA, realizado no ano de 2005, em laboratório de Campo Grande, apontou que Name não é pai de Afrânio Alberto da Silva Brocuá, 57 anos, empresário em Osasco (São Paulo). O documento não foi repassado à imprensa durante a coletiva, mas a reportagem teve acesso ao resultado.

“Constataram que o Jamil Name não era pai biológico de Afrânio. O que é curioso disso tudo é que esse senhor, o Afrânio, esperou mais de dez anos para propor uma ação na comarca de Osasco. Ou seja, ele já soube que não era filho em 2005 e esperou mais de dez anos para propor uma ação”, diz o advogado.

Ainda conforme João Paulo, quando a ação foi aberta em São Paulo, nunca houve recusa de Jamil Name em fazer o exame de DNA. “Sempre Jamil Name quis fazer um novo exame, porque ele estava seguro daquele exame que já havia sido feito em Campo Grande”, diz.

No ano de 2019, a Justiça paulista reconheceu que Afrânio é filho de Name, por meio de paternidade presumida. “Ele é filho por presunção. O juiz de Osasco entendeu que Jamil Name se recusou a fazer exame de DNA. Ele aplicou uma súmula do Superior Tribunal de Justiça de maneira equivocada. Porque recusa é falar não vou fazer o exame, mas ele não disse isso. Ele só manifestou no processo uma objeção sobre a forma da coleta”, afirma o advogado.

A preocupação era com a segurança da coleta e do material, portanto, Name queria informações de como seria despachada a amostra, como seria lacrada e detalhes do envio para São Paulo. “Como é uma pessoa de conhecimento público e notório, que tem posses, a gente não ia deixar enviar o sangue dele de qualquer maneira. Jamil Name queria que a coleta fosse simultânea”.

Empresário Jamil Name morreu no ano passado, aos 82 anos. (Foto: Reprodução)
Empresário Jamil Name morreu no ano passado, aos 82 anos. (Foto: Reprodução)

O advogado nega que qualquer envolvimento amoroso de Name com a mãe de Afrânio. “Ele foi procurado por esse rapaz. Tratou ele super bem, aceitou fazer o exame”. Ainda de acordo com João Paulo, nunca houve proposta de acordo. “Ninguém vai sair por aí sorteando herdeiros para ser beneficiário em herança alheia”.

A proposta feita pela família Name é custear os gastos para Afrânio vir a Campo Grande, incluindo passagens, hotel e reembolso por dias de trabalho perdido. “Se ele for filho, a família vai dar o que é dele. Mas não adianta querer se aproveitar de um vantajoso patrimônio. É curioso que o senhor Afrânio já foi herdeiro uma vez. O pai dele, senhor Hermes Brocuá, já faleceu, teve inventário aberto e ele já herdou. Agora, ele quer um novo pai para herdar novamente. Acho que ele gosta muito de participar de inventários”, sustenta o advogado.

O suposto herdeiro comunicou à Justiça paulista que não confiava no exame feito em Mato Grosso do Sul devido à influência de Name. Desta forma, a Justiça paulista ordenou uma nova coleta, que não foi realizada.

Para rebater o argumento de que a amostra era fraudada, o deputado estadual Jamilson Name fez exame no mesmo laboratório em outubro do ano passado. O comparativo do material genético armazenado confirmou que Jamilson é filho de Name.

Campo Grande News teve acesso ao resultado de exame de DNA negativo. (Foto: Direto das Ruas)
Campo Grande News teve acesso ao resultado de exame de DNA negativo. (Foto: Direto das Ruas)

Segundo a defesa, a expectativa é que a decisão da Justiça de Osasco, sobre presunção de paternidade, seja reformada. A família Name também entrou com ação de produção antecipada de provas na Justiça de Campo Grande, em que exige que Afrânio faça exame de DNA, até mesmo comparando com material recolhido da exumação do corpo do empresário.

O advogado pediu que o processo tramite sob sigilo e anexou matérias jornalísticas sobre o caso como justificativa. Durante a coletiva, não foi divulgada informação sobre o valor da herança deixada por Jamil Name.

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