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Capital

Alvo de operação, policial foi fotografado com traficante em frente de delegacia

Célio Rodrigues Monteiro já havia sido preso na operação Omertà e foi alvo de busca em março deste ano

Por Ana Paula Chuva | 17/06/2024 14:50
Célio (camiseta cinza) durante conversa com Douglas (camiseta e boné laranjas) (Foto: Reprodução)
Célio (camiseta cinza) durante conversa com Douglas (camiseta e boné laranjas) (Foto: Reprodução)

Alvo de mandados de buscas e apreensão na operação Snow, o investigador da Polícia Civil Célio Rodrigues Monteiro, o “Manga Rosa”, foi flagrado conversando com o traficante Douglas Oliveira Santanader, o “Dodô”, em frente à 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, no dia 23 de novembro de 2023. O servidor já havia sido investigado na operação Omertà.

A operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) foi deflagrada no dia 26 de março deste ano. Na ocasião, Célio foi alvo de dois mandados de busca, um em sua casa e outro em seu local de trabalho, no caso, a 5ª Delegacia no Vila Piratininga em Campo Grande.

O policial passou a ser alvo da ação que investiga rede de tráfico de cocaína que contava com apoio de policiais. Além dele, outros dois investigadores também faziam parte do esquema e foram presos, Anderson César dos Santos e Hugo César Benites, ambos lotados na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã.

Conforme imagem registrada nos autos da investigação, Célio foi flagrado conversando o Dodô na porta da 5ª DP. O rapaz, que é réu pelo homicídio de Cristian Alcides Ramires, o “Galo”. A vítima foi executada no dia 22 de outubro de 2022, após perder carga com 435 quilos de cocaína que pertencia à quadrilha.

Não há detalhes da participação de Célio no esquema. No entanto, o processo corre em sigilo e está na fase de instrução contra os suspeitos. Hoje, a transferência do investigador para a Delegacia de Sidrolândia foi publicada no Diário Oficial do Estado.

Registro de longe mostra que a conversa entre o policial e o traficante aconteceu em frente à 5ª DP (Foto: Reprodução)
Registro de longe mostra que a conversa entre o policial e o traficante aconteceu em frente à 5ª DP (Foto: Reprodução)

A remoção é assinada pelo delegado-geral Lupersio Degerone Lucio e considera requerimento protocolado na Delegacia Geral que teve parecer favorável do Departamento de Polícia da Capital, além do dever da administração superior da corporação de estabelecer medidas que atendam as demandas de cada unidade.

“Remover, por permuta, atendido a conveniência do serviço, os servidores abaixo relacionados, relativos as matrículas, cargos, classes e lotações ali mencionados, concedendo 10 (dez) dias de trânsito, com base no inciso III, do artigo 85, da Lei Complementar nº 114/2005 e alterada pela Lei Complementar nº 140, de 22 de dezembro de 2009, a contar da data da publicação. (NUP n. 31.147.085-2024/DPC/MS)”, diz o texto.

Em 2020, Manga Rosa foi alvo de mandado de prisão da operação Omertà. Ele foi acusado de lavagem de dinheiro do grupo ligado à exploração do jogo do bicho, mas acabou sendo inocentado em primeiro e segundo graus na semana passada.

Publicação da remoção de Célio para a Delegacia de Sidrolândia (Foto: Reprodução)
Publicação da remoção de Célio para a Delegacia de Sidrolândia (Foto: Reprodução)

Entenda - Segundo a investigação do Gaeco, que contou com o auxílio da Corregedoria da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal, a organização criminosa era altamente estruturada.

"(...) com uma rede sofisticada de distribuição, com vários integrantes, inclusive policiais cooptados, fazia o escoamento da droga, como regra cocaína, por meio de empresas de transporte, as quais eram utilizadas também para a lavagem de capitais, ocultando a real origem e destinação dos valores obtidos com o narcotráfico."

Para isso, a cocaína era escondida em carga lícita, ou seja, com documentações legais, o que dificultava a fiscalização policial nas rodovias "principalmente quando se tratava de material resfriado/congelado (carnes, aves etc.), já que o baú do caminhão frigorífico viajava lacrado".

Outra maneira que utilizavam para traficar a droga de Ponta Porã a Campo Grande era o chamado “frete seguro”. “(...) policiais civis transportavam a cocaína em viatura oficial caracterizada, já que, como regra, não era parada, muito menos fiscalizada por outras unidades de segurança pública”, aponta a investigação.

A quadrilha ainda fazia a transferência da propriedade de caminhões entre empresas usadas pelo grupo e os motoristas, desvinculando-os dos reais proprietários. Com isso, chamavam menos atenção em eventual fiscalização policial, porque, em regra, a liberação é mais rápida quando o motorista consta como dono do veículo.

Durante a investigação, foi possível identificar mais duas toneladas de cocaína da organização criminosa, apreendidas em ações policiais.

Policiais civis Hugo (esquerda) e Anderson (direita) ajudando traficante a descarregar cocaína (Foto: Reprodução)
Policiais civis Hugo (esquerda) e Anderson (direita) ajudando traficante a descarregar cocaína (Foto: Reprodução)

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