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Capital

Amigos e aliados se despedem de Alcides Bernal em velório intimista

Personagens de diferentes fases da vida do ex-prefeito recordam trajetória marcada por ascensão e reviravoltas

Por Gabi Cenciarelli e Mylena Fraiha | 13/07/2026 12:46
Amigos e aliados se despedem de Alcides Bernal em velório intimista
Despedida de Alcides Bernal ocorre na Capela Jardim das Palmeiras, em Campo Grande. (Foto: Osmar Veiga)

O velório do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP-MS), reuniu nesta segunda-feira (13) pessoas que conviveram com ele em diferentes momentos da vida pública e pessoal. Na Capela Jardim das Palmeiras, amigos, ex-integrantes da administração municipal e políticos recordaram trajetórias que se cruzaram com a do radialista que se tornou prefeito da Capital, em uma despedida marcada por diferentes leituras sobre seu legado.

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O velório do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, realizado nesta segunda-feira (13) na Capela Jardim das Palmeiras, reuniu amigos, ex-integrantes da administração e políticos que recordaram sua trajetória. Radialista que se tornou prefeito em 2012, Bernal foi o primeiro prefeito cassado da cidade, em 2014. Nos últimos meses, estava preso pela morte de um auditor fiscal e morreu de complicações cardíacas aos 60 anos.

A família optou por não receber a imprensa. Entre os presentes estava o aposentado Valdemir Gamarra Gaúna, de 69 anos, amigo de Bernal há mais de uma década. A relação começou ainda nos tempos em que o ex-prefeito atuava no rádio e continuou depois, já na advocacia. Frequentador do escritório de Bernal, ele diz que as conversas iam além da política e dos assuntos profissionais.

"Eu sempre ia ao escritório dele. A gente conversava particularmente, independentemente de política, de ação ou alguma coisa", relembrou.

Amigos e aliados se despedem de Alcides Bernal em velório intimista
Beto Figueiró lembrou a ascensão política e os episódios que marcaram a carreira do ex-prefeito. (Foto: Osmar Veiga)

Ao falar sobre a presença no velório, Valdemir preferiu não entrar nos episódios que marcaram os últimos meses da vida do ex-prefeito.

"Recentemente aconteceu o que aconteceu com ele, mas a gente tem as nossas considerações e eu vim aqui para me despedir. É a despedida de um amigo, de um companheiro."

Já para o vereador Riverton de Souza, que também esteve na cerimônia, a morte encerra uma trajetória política que não pode ser analisada apenas pelos acontecimentos recentes. Segundo ele, Bernal construiu uma história relevante na política de Campo Grande antes mesmo de chegar à Prefeitura.

"A gente não pode esquecer que ele foi vereador por dois mandatos, foi prefeito de Campo Grande, então tem uma história política", afirmou.

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Vereador Riverton de Souza destacou a trajetória de Bernal desde os tempos de rádio até a Prefeitura da Capital. (Foto: Osmar Veiga)

Riverton destacou ainda o fato de Bernal ter alcançado os principais cargos da política sem fazer parte de grupos tradicionais ou famílias influentes do Estado.

"Ele não veio de sobrenome. É um cara que realmente se tornou prefeito de Campo Grande pelo trabalho, principalmente dentro da comunicação."

Para o vereador, essa origem ajuda a explicar a identificação que Bernal construiu com parte da população ao longo da carreira. "Foi um cara que chegou onde chegou sozinho, sem padrinhos."

O parlamentar também lembrou a passagem do ex-prefeito pelo rádio, ambiente em que ambos construíram suas carreiras. "Era um cara do rádio, eu sou do rádio também. Então é um cara em que, com certeza, muita gente se inspirou."

A ex-secretária municipal Jacqueline Hildebrand Romero preferiu destacar experiências vividas ao lado de Bernal. Ela contou que recebeu do ex-prefeito a primeira oportunidade na advocacia e depois integrou sua equipe tanto no Legislativo quanto no Executivo.

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Ex-secretária municipal, Jacqueline Hildebrand Romero recordou projetos implantados durante a gestão Bernal. (Foto: Osmar Veiga)

"Eu tive a minha primeira experiência na advocacia com o Bernal, com a oportunidade que ele me deu para, além de atuar na advocacia, estar na assessoria dele enquanto vereador e deputado."

Jacqueline também recordou ações implantadas durante a gestão municipal. Entre elas, a criação da Secretaria Municipal da Mulher, uma promessa de campanha que saiu do papel após a eleição.

"Campo Grande até então não tinha uma secretaria, e essa foi uma pauta da campanha do Bernal: que, se ele fosse eleito, criaria a Secretaria da Mulher."

Ela também citou o início do projeto que resultou na Casa da Mulher Brasileira, inaugurada posteriormente e considerada referência nacional no atendimento a vítimas de violência.

"Foi o Bernal que lançou a criação, lançou a pedra fundamental quando a gente estava no governo dele."

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Bernal em entrvista ao Campo Grande News (Foto: Arquivo)

Ao avaliar o impacto do ex-prefeito sobre pessoas que trabalharam ao seu lado, Jacqueline afirmou que muitos profissionais tiveram oportunidades que influenciaram suas trajetórias.

"Hoje, graças a Deus e graças à oportunidade que ele nos deu, a gente está encaminhado profissionalmente."

Entre os políticos que passaram pelo velório, o Beto Figueiró fez uma das avaliações mais contundentes sobre a trajetória de Bernal. Embora tenha afirmado que não mantinha uma amizade íntima com o ex-prefeito, mas uma relação de respeito construída na política, disse enxergar a cassação de 2014 como um marco que jamais deixou de acompanhar a carreira dele.

"Eu entendo que o Alcides Bernal foi uma grande vítima de um sistema. Um sistema que o retirou, de forma espúria, da Prefeitura; um sistema que desprezou a vontade do eleitor e o arrancou dramaticamente do cargo", afirmou.

Para Figueiró, mais do que a gestão em si, a eleição de Bernal em 2012 representou uma ruptura com a lógica política que predominava em Campo Grande naquele período. Na avaliação dele, a cassação acabou se tornando um símbolo do embate entre o ex-prefeito e grupos que dominavam o cenário político local.

"Ele contrariou um sistema que parecia imbatível. O Alcides Bernal leva consigo uma reflexão muito forte sobre a política e sobre o que acontece quando alguém tenta romper estruturas já estabelecidas", disse.

Figueiró também afirmou que Bernal costumava compartilhar experiências e orientações sobre os desafios enfrentados após chegar à Prefeitura. Segundo ele, o ex-prefeito carregava as marcas daquele episódio até os últimos anos de vida e via na própria trajetória um exemplo das dificuldades encontradas por quem tenta fazer política fora dos grupos tradicionais.

As diferentes lembranças compartilhadas ao longo da manhã ajudam a retratar uma figura política difícil de resumir. Radialista, advogado, vereador por dois mandatos, deputado estadual e prefeito de Campo Grande, Bernal protagonizou uma das eleições mais surpreendentes da história da Capital ao derrotar o então favorito Edson Giroto em 2012.

Dois anos depois, tornou-se o primeiro prefeito cassado da história do município. Reassumiu o cargo após os desdobramentos da Operação Coffee Break, concluiu o mandato, mas não voltou a ocupar cargos eletivos.

Nos últimos meses, retornou ao centro do noticiário após ser preso pela morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Bernal aguardava julgamento quando sofreu complicações cardíacas que culminaram em sua morte na madrugada desta segunda-feira, aos 60 anos, um dia antes de completar 61.

 O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério Jardim das Palmeiras.

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