Ao juiz, músico alega ter matado jornalista por impulso após frase de desdém
Réu confessou o crime em juízo, mas negou intenção de assassinar a ex-noiva
Durante o interrogatório conduzido pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o músico Caio César Nascimento Pereira apresentou sua versão para o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, ocorrido em fevereiro de 2025, em Campo Grande. Alegando não se lembrar do que foi dito, o réu afirmou que uma frase dita pela vítima durante a discussão o motivou a esfaqueá-la.
RESUMO
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O músico Caio César Nascimento Pereira afirmou, durante interrogatório, que uma frase dita pela jornalista Vanessa Ricarte o motivou a esfaqueá-la, em fevereiro de 2025, em Campo Grande. Ele negou premeditação e atribuiu o crime a um impulso agravado pelo consumo de álcool. Vanessa havia registrado boletim de ocorrência contra ele horas antes de ser morta com três facadas ao tentar recolher pertences em casa.
Caio descreveu o relacionamento como estável e afetuoso. “Era um relacionamento normal, com muito amor envolvido”, afirmou, negando histórico de brigas ou violência. Ele também rejeitou as acusações de controle psicológico. Segundo o réu, o acesso à localização da vítima era consensual: “Era algo em comum”, disse, atribuindo o monitoramento a uma funcionalidade de celular.
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Sobre a acusação de perseguição (stalking), Caio admitiu que passou a acompanhar a localização de Vanessa após suspeitas de traição, mas negou insistência ou comportamento invasivo. “Eu não ficava ligando, porque tinha a localização”, declarou.
Em relação ao cárcere privado, ele negou categoricamente, sustentando que Vanessa tinha liberdade dentro de casa e acesso ao celular, contrariando a denúncia do Ministério Público, que aponta que ele teria impedido a saída da jornalista e restringido sua comunicação.
Caio também confessou ter tentado divulgar um vídeo íntimo de Vanessa como forma de retaliação. “Foi no calor da emoção”, disse, alegando que a publicação não chegou a ser efetivada porque a plataforma bloqueou o conteúdo.
Ao tratar do momento do crime, o músico afirmou que o casal já havia decidido pelo fim do relacionamento e que a conversa, inicialmente, foi tranquila. Segundo ele, após horas bebendo e “remoendo” a rejeição, eles tiveram uma nova discussão quando Vanessa retornou para casa.
O réu disse não se lembrar exatamente do que foi dito, mas atribuiu o ataque a um gatilho emocional. “Foi algo com muito desdém”, declarou. Em seguida, descreveu o momento da agressão: “Não passou pela minha cabeça matar a Vanessa, não tinha intenção. Parece que a faca fez a ocasião. Em nenhum momento eu vi a faca. Foi em um momento impulsivo”.
Ele admitiu ter desferido ao menos um golpe no peito da vítima, embora o laudo aponte três perfurações. “Na hora que aconteceu, eu acordei”, afirmou.
Contradições – O interrogatório foi marcado pelas lacunas na memória alegadas pelo réu. Caio disse não se recordar de detalhes importantes, como a quantidade de golpes e o que exatamente Vanessa teria dito antes da agressão. Também negou ter tentado atacar o amigo da vítima, Joilson Francelino, que estava na casa no momento do crime.
Segundo o réu, após o ataque, ele entrou em estado de choque. “Entrei no banheiro e vi meu rosto desfigurado, não conseguia me reconhecer”, relatou. Ele afirmou que não tentou fugir e decidiu aguardar a chegada da polícia.
Ainda assim, o promotor José Arturo Iunes Bobadilha questionou a dinâmica apresentada, especialmente sobre a ausência de socorro imediato e as circunstâncias da agressão. O promotor também confrontou o réu sobre o acesso a um vídeo íntimo da vítima, que ele disse ter encontrado em um site adulto.
Arrependimento – Nas perguntas finais, a defesa buscou reforçar a tese de ausência de premeditação. Caio voltou a atribuir o crime a um descontrole momentâneo, agravado pelo consumo de álcool. “Não planejei matar, não tinha intenção. Foi um impulso, eu fiquei cego.”
Demonstrando arrependimento, ele afirmou que mudaria sua conduta se pudesse voltar no tempo. “Teria ido para a casa de um parente, esfriado a cabeça antes de conversar. É difícil acordar todo dia e sentir esse amargo, saber que foi pelas minhas mãos”.
A morte – Vanessa Ricarte foi morta no dia 12 de fevereiro do ano passado, horas depois de ir à Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher) para denunciar o músico por violência e pedir medida protetiva. A ordem judicial para que Caio Nascimento se mantivesse afastado da jornalista foi expedida, mas não chegou até ele.
No fim da tarde, Vanessa decidiu ir até sua casa, acompanhada do amigo, para pegar roupas e pertences. Ao chegar ao local, ela foi esfaqueada pelo ex-noivo três vezes


