Aos 76 anos, empresário fecha construtora após prejuízo de R$ 150 mil com furtos
Em Campo Grande desde 2018, Ruy Portella diz que insegurança tornou inviável manter casas vazias à venda
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Empresário de 76 anos encerra construtora em Campo Grande após acumular prejuízo de R$ 150 mil com furtos e vandalismo em casas populares na Rua do Patrocínio. Ruy Portella, que atua no setor imobiliário desde 1968, relata que cinco imóveis vazios são invadidos com frequência, com roubo de fiação e danos à estrutura. Pichações associadas ao PCC foram encontradas nos imóveis.
Depois de quase uma década em Campo Grande, o empresário Ruy Portella, de 76 anos, afirma que decidiu encerrar a construtora após sucessivos furtos e atos de vandalismo em casas populares construídas por ele na Capital. Segundo o relato, o prejuízo acumulado e a sensação de abandono tornaram inviável seguir no ramo.
Ruy conta que começou a construir a carreira no setor imobiliário em 2018, com foco em moradias populares. Ao longo da trajetória, diz ter gerado empregos e ajudado famílias a conquistar a casa própria. Entre os empreendimentos, ergueu 17 casas na Rua do Patrocínio, região entre os bairros Centro-Oeste, Jardim Marajoara e Jardim das Macaúbas, além de outras 5 unidades na Moreninha.
Segundo ele, nas casas da Moreninha nunca houve problemas. Já na Rua do Patrocínio, a situação se agravou nos últimos anos. Das 17 unidades construídas no local, 12 foram vendidas e as outras cinco que continuam vazias passaram a ser alvo frequente de invasões.
“Lá na Moreninha nunca ninguém invadiu, nunca roubaram nada. Na Rua do Patrocínio, levaram a fiação elétrica de todas elas”, afirmou.
O empresário calcula já ter desembolsado cerca de R$ 150 mil para recuperar danos e repor materiais furtados. Agora, estima gastar mais R$ 15 mil apenas para reforçar a segurança das casas restantes.
Conforme o relato, os criminosos levam fios, torneiras e outros itens, além de danificar a estrutura dos imóveis. “Quebram tomadas, quadros de luz, cortam a cerca elétrica e arrebentam a concertina”, disse. Para evitar estragos maiores, algumas portas passaram a ser deixadas destrancadas. “Se trancar, eles quebram para entrar.”
Imagens enviadas pelo empresário também mostram pichações no interior de uma das casas. Em uma das paredes aparece o número 1533, sequência popularmente associada à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Os prejuízos vão além do furto. Telhas quebradas provocam infiltrações e obrigam novas reformas antes da venda. Em uma tentativa de reduzir perdas, Ruy começou a retirar itens de valor das residências. “Agora estão arrancando janelas. Daqui a pouco vão levar as portas.”
Ele conta que chegou a registrar alguns boletins de ocorrência, mas desistiu de dar continuidade aos registros por falta de respostas. Ele também afirma que moradores vizinhos evitam reagir ou acionar a polícia por medo de represálias. Segundo o empresário, ele já apresentou imagens de suspeitos e registros anteriores, mas o problema continua. “Não vejo polícia na rua”, resumiu.
Com problemas de saúde e cuidando da esposa, que enfrenta limitações há anos, Ruy diz que já não consegue acompanhar de perto a rotina dos imóveis. Após uma vida dedicada à construção civil, afirma que a decisão de fechar a empresa vem acompanhada de frustração.
“Depois de tantos anos trabalhando, estou parando por causa da insegurança”, concluiu.
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