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Capital

Após 20 dias, mulher descobre seis costelas quebradas e pulmão perfurado

Ela se acidentou em buraco e enfrentou vai e vem entre a rede pública e privada da Capital

Por Cassia Modena | 06/10/2026 10:25
Após 20 dias, mulher descobre seis costelas quebradas e pulmão perfurado
Sirley recebendo atendimento do Corpo do Bombeiros no dia do acidente, que estava chuvoso (Foto: Direto das Ruas)

A auxiliar de escritório Sirley Costa dos Anjos, 48, caiu da moto quando passou por um buraco no asfalto da Avenida Vereador Thirson de Almeida, em Campo Grande. Só 20 dias depois descobriu quais foram os danos do acidente: seis costelas quebradas e perfuração no pulmão.

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A auxiliar de escritório Sirley Costa dos Anjos, de 45 anos, caiu da moto ao passar por um buraco na Avenida Vereador Thirson de Almeida, em Campo Grande, e só descobriu 20 dias depois que teve seis costelas quebradas e perfuração no pulmão. Ela passou por quatro atendimentos em UPAs, uma UBS, duas clínicas populares, uma clínica privada e duas idas à Santa Casa, além de gastar mais de R$ 1 mil. A Sesau não comentou o caso, citando a LGPD, e disse seguir os protocolos do SUS.

Para chegar à conclusão, a motociclista precisou ir quatro vezes em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento); uma vez numa UBS (Unidade Básica de Saúde); em duas consultas particulares; uma vez numa clínica privada para fazer exame; e duas vezes na Santa Casa.

"Estou inconformada com a Saúde. Foi descaso total, uma falta de amor, falta de empatia. A vida não está além de nada. É um absurdo. Entrei a primeira vez no consultório gemendo de dor, apertando o peito para aliviar, e ouvi que em três dias iria passar", se revolta.

UPA Universitária - Socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada ao primeiro local em 15 de setembro, Sirley fez um raio X, mas foi liberada. "Falaram que não tinha nada, me deram um remédio na veia para dor, atestado de três dias e me pediram para ir para casa", relata.

Ela afirma que não aguentava sequer andar no dia, mas confiou no que havia ouvido de uma médica.

UPA Leblon - A auxiliar de escritório continuou sentindo dor e voltou a buscar atendimento, dessa vez na unidade mais próxima de onde mora.

"O médico mal me examinou, olhou novamente o raio-x e afirmou que 'não deu nada'", diz.

Antes de ir embora, ela foi aconselhada na UPA a pedir uma ressonância ou tomografia. "Me disseram que se quebrou alguma coisa 'por dentro', o raio-x não ia mostrar", continua.

Exame em clínica - No terceiro dia após o acidente, a mulher pagou R$ 330 por uma tomografia numa clínica. O exame mostrou 4 costelas quebradas que o raio X não apontou.

Após 20 dias, mulher descobre seis costelas quebradas e pulmão perfurado
A mulher preenchendo ficha antes de fazer tomografia (Foto: Arquivo pessoal)

"Daí a médica veio e falou assim: 'sai direto para a Santa Casa porque deu muita alteração no seu exame'. Imprimiu as imagens e me entregou", conta.

Santa Casa, UBS e UPA novamente - Sirley foi direto para o hospital, mas não pôde ser atendida por não ter encaminhamento nem o laudo do exame. "Daí eu voltei para casa e passei sábado e domingo morrendo de dor", lembra.

Na manhã de 21 de setembro, levou as imagens para a UBS Cophavilla. Já com o laudo, foi encaminhada de volta para a UPA Leblon.

O segundo atendimento do dia foi ágil. "Super-rápido. A médica me atendeu muito bem, solicitou vaga para a Santa Casa e saiu em meia hora", continua.

Após 20 dias, mulher descobre seis costelas quebradas e pulmão perfurado
Imagem da tomografia feita em 17 de setembro (Foto: Arquivo pessoal)

No hospital, foi repetida a tomografia. "Confirmaram que tinha costelas quebradas, mas como não desalinharam, só foi fratura, disseram que iam me dar alta. Nem colete podia colocar. Então me deram alta e fui para casa", pontua. Foi dado a ela mais um atestado.

Consultas particulares - As dores continuaram e a motociclista decidiu se consultar com um ortopedista numa clínica particular. Ele suspeitou de uma mancha que aparecia num dos pulmões da paciente e a orientou a procurar um pneumologista.

O outro especialista confirmou que houve perfuração no pulmão. "Daí ele falou para eu esperar mais um pouco e ser avaliada novamente em três dias. Escreveu uma receita recomendado que a UPA encaminhasse para avaliação com um cirurgião torácico, para saber se teria que fazer uma raspagem", afirma.

UPA Leblon pela terceira vez - Ontem (5), a auxiliar de escritório voltou à UPA Leblon e enfrentou espera de aproximadamente seis horas para ser avaliada novamente. Continuava sentindo dor e falou na triagem sobre as costelas quebradas, mas recebeu a classificação verde.

Após a longa espera, conseguiu novo encaminhamento para a Santa Casa e lá se surpreendeu ao saber que foram quebradas seis e não quatro costelas.

Após 20 dias, mulher descobre seis costelas quebradas e pulmão perfurado
Acompanhante e Sirley aguardando atendimento na UPA Leblon (Foto: Arquivo pessoal)

"O médico me ouviu, percebeu que eu estava prostrada. Pediu uma tomografia com contraste e viu a perfuração, mas afirmou que já estava melhorando. Me recomendaram mais repouso e me deram mais 14 dias de atestado", fala a mulher sobre o desfecho.

Sirley agora está em casa, tomando os remédios indicados e evitando se movimentar para que se recupere mais rápido. Ela calcula ter gastado mais de R$ 1 mil entre exame, consulta e medicamentos.

O que diz a Sesau - Questionada sobre a peregrinação da paciente, as despesas na rede particular e os protocolos adotados nas UPAs com relação às vítimas de acidentes de trânsito e outros traumas, a assessoria de imprensa da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) respondeu que não passa informações individualizadas em respeito à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

"A Sesau informa que todos os serviços de consultas, exames e atendimentos prestados à população seguem os protocolos do SUS (Sistema Único de Saúde), que estabelecem critérios de priorização conforme urgência e gravidade", acrescentou.

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