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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

18/06/2016 16:34

Após execução de Rafaat, polícia cria cartório especializado em narcóticos

Luana Rodrigues
Hummer blindada de Jorge Rafaat foi atingido por rajada de tiros de metralhadora .50 (Foto: MS Diário)Hummer blindada de Jorge Rafaat foi atingido por rajada de tiros de metralhadora .50 (Foto: MS Diário)

A morte do narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, ocorrida na quarta-feira (15), levou medo e tensão para aos moradores da fronteira. É que, segundo a polícia, Rafaat tinha o comando das ações criminosas entre o Brasil e o Paraguai, tanto que ficou conhecido como "Rei da fronteira". Diante da situação de insegurança, a Polícia Civil criou, nesta semana, um cartório especilizado em narcóticos em Ponta Porã - cidade distante 323 quilômetros de Campo Grande.

Conforme o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil da cidade, Jarley Inacio de Souza, o departamento era um desejo antigo de policiais que atuam naquela região. "Justamente para atender essa demanda em narcóticos e crimes organizados, com isso que chamamos de quebra de paradgmas no crime que foi a morte do Rafaat, a Delegacia Regional e o delegado geral entenderam por bem criar", explica.

Ainda segundo o delegado, o cartório está em funcionamento desde a última quinta-feira (16), um dia após a morte de Rafaat. A quantidade de policiais que compõem o grupo não foi revelada, por questões de sigilo policial, mas eles trabalham de maneira coordenada e em funções específicas. "Estamos trabalhando com informações que vem de todas delegacias da fronteira e já temos detalhes novos em relação ao narcotráfico. Nosso objetivo é cruzar tudo isso e fazer um trabalho mais específico de combate a esse crime", relata a autoridade policial.

A ideia é que as informações colhidas pelo cartório de narcóticos na fronteira, sejam repassada a delegacias especializadas de Campo Grande, como a Denar(Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado). "Com melhor estrutura e pessoal eles podem avançar nas investigações e no combate", considera o delegado.

Após a morte de Rafaat, moradores relataram o medo de que, sem um um comando, a fronteira fique aberta às facções criminosas do Brasil, como o PCC e o CV, que tem modo de atuação violenta, com ataques e explosões a bancos e atentados a unidades militares. "A Polícia Civil, assim como Polícia Militar, está trabalhando com informações, justamente para ver se irá evoluir alguma coisa com relação a criminalidade, por enquanto, só que alterou foi a rotina da cidade, mas aos poucos vai voltando a normalidade. Com relação a crimes, não houve nenhum aumento, nem sinal de novos atentados", disse Inácio.

Investigação - Quanto a morte do narcotraficante, o delegado de Ponta Porã explica que a principal investigação ocorre no Paraguai, mas a polícia do Brasil também tem investigado o fato, paralelamente, e cedido informações ao país vizinho.

Fonte ligada a área da segurança do Paraguai ouvida pelo Campo Grande News disse, nesta sexta-feira (17), que as investigações indicam que Jarvis Pavão teria contratado o CV (Comando Vermelho) para eliminar Rafaat.

Segundo o que foi apurado, o narcotraficante mantinha o controle das atividades na fronteira e todas as organizações criminosas só podiam agir com a sua autorização, um sistema semelhante ao adotado pela milícia nos morros do Rio de Janeiro, por exemplo. Quem descumpria as regras, era eliminado.

Jorge Rafaat foi executado com vários disparos após cair em uma emboscada no início da noite desta quarta-feira (15), em Pedro Juan Caballero - cidade que faz fronteira com a brasileira Ponta Porã. Rafaat foi condenado em 2014 por tráfico pelo juiz federal Odilon de Oliveira.



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