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Capital

Após semana com horário reduzido, pais reclamam de volta às aulas “pela metade”

Hora a menos é necessária para dar tempo de higienizar salas de aula, defende secretária de Educação

Por Anahi Zurutuza e Adriel Mattos | 30/07/2021 17:34
Movimentação no portão de acesso a uma das escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino) (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)
Movimentação no portão de acesso a uma das escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino) (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Depois da experiência de uma semana de aulas em carga horária reduzida nas escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino), pais questionam a “estratégia” de liberar alunos da manhã às 10h e da tarde, às 16h. Além dos horários inviáveis para quem “bate ponto” buscar os filhos, o baixo aproveitamento dos alunos também é motivo de críticas.

“Defendo a volta para o presencial de verdade. Não tem justificativa isso. Se os alunos, depois de um ano e meio em casa, já estão voltando com deficit de aprendizagem, agora era o momento de fazer uma força-tarefa para recuperar o tempo que as crianças ficaram em casa”, destaca a servidora pública federal, Aline Monteiro, 43 anos, mãe de aluno do 1º ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Manoel Inácio de Souza, localizada no Bairro Santo Antônio.

Segundo ela, o filho de 7 anos ainda não sabe ler e escrever. “Está com atraso na alfabetização. O ano de 2020 foi só enrolação, ninguém aprendeu nada”, opina a mãe, que trabalha em instituição federal de ensino, mas conta que virou professora dos filhos no ano passado. “Sou super cuidadosa, mas mesmo assim, não consigo [substituir o professor em sala de aula], porque não tenho competências técnicas para isso”.

De acordo com a secretária municipal de Educação, Elza Fernandes, durante entrevista na Escola Municipal Etalívio Pereira Martins, no Bairro Monte Castelo, nesta tarde, a redução de 25% na carga horária para os alunos do ensino presencial é necessário para garantir temo suficiente para a higienização da escola, por exemplo.

Aline Monteiro contesta. “Meu filho estuda numa escola que tem nove salas de aula. Eles têm de aumentar o quantitativo de pessoal para fazer a limpeza e não reduzir a carga-horária. É ilusão achar que 3 horas são suficientes para absorver o conteúdo”.

Pai de aluna da Escola Municipal Elpídio Reis, o serralheiro Nestor Marques, de 40 anos, diz ser inviável buscar a filha, de 13, às 16h. “É bem no meio do expediente. É impossível. A gente tem horário para cumprir com as empresas”.

Ele fez reclamação com a coordenação da escola, mas diz que agora só vai saber se a queixa surtiu efeito daqui duas semanas, quando a filha voltar ao ensino presencial. “Agora, vai ficar duas semanas sem aula. O certo, já que reduziu a quantidade de aulas, era pelo menos fazer o horário normal”.

A secretária de Educação afirma que reclamações do tipo não chegaram até ela, mas que tudo está sendo avaliado. Além disso, afirma que a carga horária de trabalho dos professores continua a mesma. Por isso, caso algum pai tenha problema de incompatibilidade de horário, ele pode conversar com a escola para que o filho fique um pouco a mais. Na hora que “sobra”, educadores podem continuar atendendo os estudantes, segundo a secretária, para tirar uma dúvida, auxiliar com as tarefas, por exemplo.

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