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Capital

Após sete anos esperando, mãe de Wesner finalmente pode sentir luto

Adolescente morreu em 2017; responsáveis pela morte foram presos neste ano

Por Clara Farias | 14/04/2024 10:24
Marisilva Moreira da Silva, 51, ao lado de cartazes que relembram história do filho (Foto: Alex Machado)
Marisilva Moreira da Silva, 51, ao lado de cartazes que relembram história do filho (Foto: Alex Machado)

A mãe de Wesner Moreira da Silva, morto aos 17 anos após ter mangueira de compressão introduzida no ânus, respira aliviada após os dois responsáveis pela morte de seu filho estarem presos, mesmo que sete anos depois. "Lutei pela vida e agora luto por justiça", diz Marisilva Moreira da Silva, de 51 anos.

Religiosa, Marisilva conta que foram sete anos de luta, mas com a certeza de que a Justiça seria feita. “Quando fiquei sabendo que o último responsável pela morte do meu menino estava foragido, Deus falou para eu não me preocupar, para olhar para frente. Agora que ele foi preso, meu luto que tinha virado luta, vai poder acontecer”.

Os dois responsáveis pela morte de Wesner, Thiago Giovanni Demarco Sena, o dono do lava a jato, e o funcionário, William Enrique Larrea tiveram a prisão decretada um ano após o júri que os sentenciou a 12 anos de prisão. Willian ficou 11 dias foragido da Justiça, enquanto que o dono do lava a jato foi preso somente no dia 3 de abril.

Dona Marisilva relata que enquanto esperava que os dois homens fossem presos, viveu um dia de cada vez. Foram mais de 2.600 dias lutando, entre passeatas clamando por Justiça e testemunhos religiosos do que vivencia. "Eu não tinha tempo, parava só para chorar e enxugar minha lágrima. Foram sete anos, mas para mim, parece que foi ontem", descreveu.

Cartazes pregados na janela de casa da mãe de Wesner (Foto: Alex Machado)
Cartazes pregados na janela de casa da mãe de Wesner (Foto: Alex Machado)

A mãe ainda conta que prometeu a Wesner, no hospital, que só descansaria quando os responsáveis pela tragédia fossem responsabilizados. "Lembro que o último dia que o vi no hospital ele me pediu para fazer massagem no pé dele. Nesse dia, ele teve os tubos retirados do seu corpo, eu virei o rosto para não olhar e ele me disse: 'pode olhar mãe, agora eu tô livre para abraçar a senhora'". O rapaz então precisou ser transferido para o CTI (Centro de Terapia Intensiva), com hemorragia interna e pouco tempo depois, morreu.

"O sentimento agora é de vitória, para todos nós. A batalha foi grande, mas a vitória é maior ainda", diz Marisilva.

O júri popular que sentenciou Thiago e Willian a 12 anos de prisão ocorreu em março de 2023. Os dois deixaram o Fórum de Campo Grande pela porta da frente, pois poderiam recorrer da sentença em liberdade. Em dezembro, os juízes da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça negaram os recursos para a anulação do julgamento.

Os mandados de prisão foram expedidos no dia 16 de fevereiro, 11 dias depois, em 27 de fevereiro, o lavador de carros, Willian Enrique Larrea, de 37 anos, foi preso em Campo Grande. Somente um mês após a decisão judicial, o dono do lava jato, Thiago Giovanni Demarco Sena, de 27, foi preso.

Thiago Giovanni Demarco Sena e William Enrique Larrea durante julgamento, em março do ano passado (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Thiago Giovanni Demarco Sena e William Enrique Larrea durante julgamento, em março do ano passado (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

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