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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

25/05/2011 14:11

Até ex-funcionário diz ter apanhado de seguranças das Lojas Americanas

Francisco Júnior

Vítima trabalhava dentro da loja como vendedor de celulares

Caso mais recente, vigilante esteve hoje na Câmara de Vereadores.Caso mais recente, vigilante esteve hoje na Câmara de Vereadores.

Mais um caso de violência envolvendo as Lojas Americanas em Campo Grande veio à tona nesta quarta-feira. A vítima é Renan Carvalho Nogueira, que diz ter sido espancado no dia 7 de dezembro de 2009, por seguranças da loja, depois de ser acusado de facilitar o furto de celulares.

O detalhe é que o rapaz não era cliente e sim funcionário de uma operadora de celulares com quiosque dentro das Americanas.

O caso foi relatado hoje aos vereadores, em mais uma audiência sobre as agressões.

De acordo a advogada de Renan, Simone Aparecida Cabral Amorim, este tipo de procedimento que termina em agressão é uma política da empresa. “É uma política agressiva para tentar resolver as situações”, disse.

A mesma opinião é compartilhada pela advogada Regina Iara Bezerra. “Eles (segurança) têm o costume de fazer isso e ficar isentos”, afirmou.

Os membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara ao final da audiência decidiram fazer um levantamento dos casos de violência registrados dentro da loja e pretendem encaminhar um relatório dos sobre o assunto para a direção nacional da empresa e para a OAB.

Terceiro caso - Na época da agressão, Renan trabalhava como promotor de vendas nas Americanas. Dois dias antes das agressões, um rapaz entrou na loja e furtou dois aparelhos do quiosque de responsabilidade da vítima.

Conforme a advogada de Renan, Simone Aparecida Cabral Amorim, ao verificarem as imagens gravadas no dia do crime, os seguranças deduziram que seu cliente, por ter feito um movimento com a cabeça, teria facilitado o furto. “Meu cliente fez um movimento com a cabeça e não percebeu o furto. Pela filamgem eles (segurança) acharam que meu cliente estava sabendo do furto",afirmou.

Os representantes da empresa no qual a vítima era empregada foi acionada pela direção da loja que apresentou os fatos. De acordo com a advogada, a empresa não considerou as acusações, e já sabendo como agiam os seguranças, transferiu Renan para outro estabelecimento.

Após o ocorrido, o mesmo rapaz que furtou os celulares retornou a loja dois dias depois e acabou flagrado pelos seguranças tentando pegar outros aparelhos. Ele foi levado para uma sala e lá violentamente espancado.

Segundo a advogada, muito machucado e cansado de apanhar, ele foi induzido a acusar seu cliente de ter participação no crime. “Prenderam ele naquela maldita sala. O menino apanhou tanto que acusou Renan”, disse relatando que durante as agressões, os seguranças citaram o nome do Renan como ajudante nos furtos e o rapaz, coagido, acabou confirmando.

Em seguida a declaração do autor, juntamente com um representante da loja, os seguranças foram até o local de trabalho da vítima e a obrigaram a acompanhá-los até uma sala nas Lojas Americanas. Ao entrar no local, conforme a advogada, Renan começou a ser espancado pelos seguranças que o golpearam várias vezes na cabeça. “Ele ficou muito machucado. Teve corte na cabeça, no rosto, no nariz e nas orelhas”.

Para tentar minimizar a situação, os agressores alegaram que seu cliente e o autor do furto teriam se agredido.

“Mesmo meu cliente afirmando que não tinha nada a ver com o furto, os seguranças continuaram batendo nele”, disse.

Renan procurou a policia e registrou um boletim de ocorrência contra os seguranças. Ele está processando a loja e quer uma indenização de R$ 50 mil reais por danos morais.

Este é o quarto caso envolvendo a loja. No dia 23 de abril deste ano, o vigilante Marcio Antonio de Souza teve o nariz quebrado e várias fraturas no rosto provocadas por socos desferidos pelo segurança Décio Garcia de Souza.

As agressões aconteceram depois que os seguranças suspeitaram que Marcio havia furtado um ovo de páscoa de dentro da loja. Ele foi levado para uma sala e agredido com requintes de crueldade.

Em novembro de 2010, dois deficientes mentais após pegaram um CD também foram agredidos. Na ocasião, os seguranças só pararam de bater depois que as vítimas, bastante feridas, começaram a chorar.

Este caso está sendo acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil secional Mato Grosso do Sul).

Em 2008, Heitor Medeiros Guedes acusou de agressão dois seguranças da loja. Na época ele relatou a polícia que foi levado para uma pequena sala, sem janelas, no interior da loja e agredido com cabo de vassoura, socos e chutes no estômago. Um dos seguranças o teria tentado sufocar.

Os seguranças agrediram Heitor porque ele saiu do provador com uma camiseta da loja.

Representantes das Americans foram nesta semana também à Câmara, explicar procedimentos adotados na loja.Representantes das Americans foram nesta semana também à Câmara, explicar procedimentos adotados na loja.

Audiência – Na manhã desta quarta-feira (25) teve continuidade a audiência proposta pela da Comissão Permanente de Cidadania e Direitos Humanos da Câmara Municipal de Campo Grande referente às agressões sofridas pelo vigilante Marcio Antonio de Souza.

A advogada da vítima, Regina Iara Bezerra, relatou aos vereadores membros da comissão os fatos que provocaram agressões e como está seu cliente depois das agressões.

Regina Iara foi categórica ao afirmar que Márcio foi vítima de crime de racismo e tortura. “ Eles xingaram meu cliente de negão, de vagabundo e o espancaram brutalmente”, afirmou.

Durante relato a comissão, a advogada apresentou um exame de ressonância magnética realizado na face da vítima, que mostra a gravidade dos ferimentos provocados pelas agressões. “Ele teve o osso do nariz totalmente destruído. Ele não consegue abrir o olho esquerdo”, disse.

Márcio preferiu não se pronunciar devido ao estado de saúde que se encontra. Mas em entrevista após o termino na audiência disse que ficou traumatizado depois do ocorrido. “Eu não consigo dormir direito. Eu quero justiça, sou um trabalhar, não sou bandido”.

Ele está com dificuldades de comprar os medicamentos prescritos.

Ontem (24), o advogado da loja, Silzemar Mendonça, disse aos vereadores que as Lojas Americanas “repudiam e não aceitam qualquer tipo de agressão”, mas manteve a tese de que o vigilante Décio Garcia de Souza agiu em “legítima defesa”.

Segundo ele, o vigilante teria agredido o segurança primeiro.

Versão negada veementemente pela advogada de Márcio. “As imagens não mostram meu cliente agredindo ninguém, mas mostra ele sendo empurrado pelo segurança”.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes, Celso Adriano Gomes da Rocha, que esteve presente na audiência, afirmou que o segurança agiu totalmente ao contrario das normas de segurança em casos de furto. “O papel do segurança nestes casos é abordar e conduzir o elemento para uma inspeção de um representante da loja”, explicou.

De acordo o presidente, o sindicato deverá cassar o registro de segurança de Décio Garcia de Souza, além de uma punição para a empresa na qual ele trabalha.

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