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Capital

"Ato de covardia e criminoso", diz tia de homem morto a tiros pela PM

Sidnei estava em surto psicológico e tentou atacar policiais com faca; ele foi baleado na barriga e no coração

Por Ana Oshiro e Bruna Marques | 25/05/2022 09:27
Calçada ficou manchada com sangue de Sidnei. (Foto: Henrique Kawaminami)
Calçada ficou manchada com sangue de Sidnei. (Foto: Henrique Kawaminami)

Na manhã desta quarta-feira (25), familiares de Sidnei da Silva Venci Guerra, de 35 anos, morto pela Polícia Militar (PM) na noite desta terça-feira, no Jardim Tijuca, conversaram com o Campo Grande News. Para eles, a morte de Sidnei foi um ato de covardia da PM.

"Foi um ato de covardia da parte da polícia, e criminoso de um policial inexperiente. Meu sobrinho não era bandido, ele tinha problemas psicológicos. O policial era tão inexperiente que ele tinha como reagir contra o Sidnei atirando na perna, mas ele atirou pra matar, atingiu a barriga e o coração", disse uma tia do homem.

Sidnei em foto publicada no ano de 2019 no Facebook. (Foto: Redes Sociais)
Sidnei em foto publicada no ano de 2019 no Facebook. (Foto: Redes Sociais)

Sidnei estava com uma faca de 20 centímetros, ele foi morto pela PM depois de tentar atacar dois policiais da 10ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) que o abordaram após um vizinho denunciar Sidnei por tentativa de invasão e ameaça.

"Tiraram a vida de uma pessoa inocente. Ele nunca agrediu ninguém e aqui no bairro, todo mundo gostava dele. Ele estava transtornado, em surto psiquiátrico e sob uso de entorpecente. Quando ele ficava assim, escutava coisas, mas nunca machucou ou ameaçou ninguém", desabafa a tia.

Em relação à tentativa de invasão na casa do vizinho, a família de Sidnei explicou que não ficou sabendo de nada e só soube da denúncia quando a polícia chegou para abordá-lo. "O policial falou que ele tentou entrar na casa de alguém aqui atrás e a pessoa denunciou. Ele ouvia coisa, provavelmente durante o surto, escutou algum barulho e, achando que era com ele, tentou pular o muro", justifica a mulher.

Durante a conversa com a reportagem, a família de Sidnei explicou que ainda não chegou a conversar com o vizinho pra entender a história, como Sidnei faleceu, eles estão resolvendo a parte burocrática do velório e sepultamento primeiro.

Indignada com a morte do sobrinho, ela ainda desabafou dizendo que "o policial tinha uma distância que podia ter acertado a perna ou pé, derrubado ele, pra ele não reagir. Ele tava com uma faca, não tava com um revólver", reforçando que considera a situação criminosa.

Adão é vizinho da casa de Sidnei e viu ele em surto narua, "falando sozinho". (Foto: Henrique Kawaminami)
Adão é vizinho da casa de Sidnei e viu ele em surto narua, "falando sozinho". (Foto: Henrique Kawaminami)

Por meio da assessoria de comunicação , em nota, a PM informou que o uso da força foi necessária "em virtude do cidadão que fora alvejado ter se dirigido a equipe de serviço no intento de atacar os policiais militares utilizando-se de uma faca, sendo que a intervenção policial ocorrera no intuito de cessar a agressão por parte do autor". Segundo a nota, as circunstâncias da ocorrência e seus desdobramentos serão objeto de Inquérito Policial Militar.

Surto - Adão da Rocha, de 50 anos, é vizinho da casa onde Sidnei morava, ele contou ao Campo Grande News que na hora do almoço, encontrou com Sidnei na rua já em surto psicológico. "Ele tava falando sozinho 'tô muito doidão', estava transtornado", conta.

De acordo com Adão, a polícia disparou quatro vezes contra Sidnei, "escutei quatro tiros, estava assistindo um programa policial e quando deu os tiros, achei que era no celular, aí abaixei o volume e era aqui na rua".

Segundo ele, cerca de dez viaturas da PM chegaram no local após os disparos e a rua foi fechada. "Nunca vi tanta viatura da polícia na minha vida. A que socorreu ele, eu não vi, e também não vi bombeiro. Fui inventar de tirar foto, estava com o flash ligado e eles olharam pra minha cara, então, fui embora", finalizou Adão.

Bainha da faca usada por Sidnei deixada em lixeira na frente da casa onde ele morava. (Foto: Henrique Kawaminami)
Bainha da faca usada por Sidnei deixada em lixeira na frente da casa onde ele morava. (Foto: Henrique Kawaminami)

Confusão - Conforme registro policial, Sidnei teria tentado invadir a casa de um vizinho durante a manhã e ameaçado o morador. Durante a tarde desta terça-feira, a equipe da 10ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) foi ao local para apaziguar os ânimos entre os dois.

Por volta das 19h, a polícia foi acionada novamente, ao chegar no local, encontrou Sidnei e mais duas pessoas na calçada em frente à casa. Sidnei correu para dentro de sua residência. Enquanto seus familiares conversavam com os dois policiais, o homem teria saído do imóvel e partido para cima de um dos militares.

O policial se esquivou, mas acabou caindo e, com isso, atirou no morador. Mesmo ferido, o homem teria avançado contra o outro militar e houve mais disparos. Alvejado, o rapaz ainda foi em direção ao portão da residência e caiu.

Viaturas na Rua Aicás, onde Sidnei foi baleado nesta terça-feira. (Foto: Polícia Militar)
Viaturas na Rua Aicás, onde Sidnei foi baleado nesta terça-feira. (Foto: Polícia Militar)

(*) Matéria editada às 9h51 para acréscimo de nota da Polícia Militar.

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