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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

29/01/2013 12:44

Avô de crianças encontradas sozinhas em casa nega abandono

Paula Maciulevicius
As crianças de cinco meses, 7 e 4 anos que estão desde ontem sob cuidados do Conselho Tutelar. (Foto: Simão Nogueira)As crianças de cinco meses, 7 e 4 anos que estão desde ontem sob cuidados do Conselho Tutelar. (Foto: Simão Nogueira)

O avô das três crianças encontradas abandonadas na tarde desta segunda-feira, nas Moreninhas, negou ao Campo Grande News que a filha de 25 anos tivesse deixado as crianças em situação de abandono. Sem ter condições de pagar pela fiança de pouco mais de R$ 4 mil da filha, ele estava na Depca (Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente) nesta manhã para prestar depoimento.

“Ela não abandonou as crianças. Ela estava lá em casa, aí pôs o guri no quarto e saiu até ontem. Eles ficaram comigo, quando foi de manhã, eu mandei o guri ir lá chamar a mocinha para dar apoio no banho”, conta o aposentado de 75 anos.

A mocinha a quem o idoso se refere é uma vizinha que segundo ele, ajudava a cuidar das crianças. Na tarde de ontem quando a Polícia chegou, o avô estava de cueca, falando frases desencontradas e aparentemente embriagado. Hoje, ele negou à reportagem que tivesse problemas de alcoolismo e que fizesse uso frequente de bebida alcoólica.

Para o Campo Grande News, o idoso disse que a mocinha que cuidava do neto mais novo tinha deixado a casa. “Ela estava cuidando do guri, mas ela entregou para os maiores e foi embora”, conta.

O avô conta que já tinha pedido para a filha parar de usar droga e cuidar principalmente do filho pequeno. “Já cansei de brigar com ela e não tem jeito. Eu disse cuida do menor que eu não sei trocar fralda, mas dos grandes eu cuido. Os outros sabem tomar banho. O problema é o pequeno”, falou.

Na casa mora o aposentado, os três netos e a filha. A mulher do idoso está desde o ano passado internada no Hospital Nosso Lar, por esquizofrenia, disse o marido. Sobre o pai biológico dos netos, ele alega que todos são filhos do mesmo pai, que mora no bairro Piratininga. “Mas ele não tem condições de cuidar das crianças. Ele não trabalha”, completa.

Em relação à filha, o idoso diz que ela usa drogas há muito tempo e que quando o bebê de cinco meses nasceu, ela prometeu que iria parar.

“Eu não sabia onde ela estava. Ela ligou da Depac já”, comentou. A mãe das três crianças não trabalha e é o idoso quem sustenta a casa com a aposentadoria de R$ 2 mil. “Eu cuido, reformo, compro comida, fraldas, leite e tudo”, completou.

O aposentado disse que só não vai pagar a fiança porque não tem dinheiro e defendeu que acha a prisão errada. “Eu acho errado, mas é por causa das crianças. Esses grandes eu posso cuidar, o pequeno eu não posso. Ela não deveria ir, querem que eu pague, mas é muito dinheiro”, relatou.

As crianças de cinco meses, 7 e 4 anos que estão desde ontem sob cuidados do Conselho Tutelar, farão falta ao avô, diz ele. “Não posso ficar sem eles. Eles estão acostumados lá”.

Caso – A Polícia chegou a casa ontem depois de receber denúncias sobre o abandono das crianças. O imóvel estava imundo. Na cozinha, utensílios sujos sobre a pia, panelas com comida estragada e, nas mamadeiras das crianças, leite azedo.

Vizinhos contaram ao Campo Grande News que os mais velhos passeavam com o bebê e falaram que a mãe havia saído de casa na sexta-feira sem dizer para onde ia. Segundo eles, as crianças passam a maior parte do tempo sozinhas.

A jovem foi reconhecida por um dos filhos, quando seguiam para a delegacia. Do carro, um deles viu um grupo de mulher nas proximidades da Orla Morena, na Vila Progresso, e disse: “Olha lá a mamãe”. Os policiais pararam e ela foi presa.

A mulher tem extensa ficha criminal. Entre os crimes estão tentativa de homicídio, lesão corporal/violência doméstica e abandono de incapaz, este último em 2010. Ela segue agora a tarde para o presídio Feminino da Capital.



Também concordaria que o melhor é deixar estas crianças para que o Estado tome conta, através do Conselho Tutelar e os abrigos para menores, porém, nós sabemos que a realidade é bem diferente. nem sempre elas conseguem uma família que as adote e a sensação de abandono é ainda pior por estar longe da família. Mais tarde quando completam 18 anos é ainda pior, porque se não estiverem trabalhando para se manter, simplesmente os colocam para procurar um lugar pra si na sociedade, porque ali é abrigo para menores e eles não podem mais ficar. Se o Sistema funcionasse da forma que está garantido em Lei não teríamos a menor dúvida do melhor para essas crianças. Mas neste caso, tenho que confessar que acredito que elas estejam "entre a cruz e a espada".
 
Marcilene Dutra em 29/01/2013 16:54:51
Não acho correto falar com tom de ironia que o avô "não cuida nem da filha, quem dirá dos netos" .... quando uma pessoa quer entrar no mundo das drogas não há forças que impeçam... talvez esse idoso até dê o melhor de si, mas o que pode uma pessoa nessa idade fazer por três crianças pequenas, não podemos julgá-los, mas com toda certeza desejamos que as crianças fiquem com pessoas que tem condições de cuidá-los, e isso a justiça pode providenciar...
 
Janaina Nascimento em 29/01/2013 16:05:56
Se fosse a primeira vez tudo bem, mas não é. É claro que o avô alcoólatra vai falar isso, ele deve ser até um anjo.... se não cuida nem da filha, quem dirá dos netos. Agora essa menina deveria ser entregue a uma clinica de recuperação, e as crianças a alguém que possa ter mais condições que esse avô, para ampará-las e protege-las de qualquer mal. Mas não irei me espantar se forem devolvidas a mãe, afinal foram devolvidas uma vez mesmo.
 
Rose Farfan em 29/01/2013 14:30:26
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