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Capital

Campo Grande gasta quase três vezes mais com “kit covid” do que com exames

Coquetel de medicamentos ainda sem eficácia comprovada contra novo coronavírus já demandou empenho de R$ 2,4 milhões

Por Jones Mário | 04/08/2020 13:53
Ivermectina, droga que compõe coquetel da prefeitura para pacientes com covid-19 (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Ivermectina, droga que compõe coquetel da prefeitura para pacientes com covid-19 (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

A prefeitura de Campo Grande já empenhou R$ 2,418 milhões para compra de medicamentos do chamado “kit prevenção” ao novo coronavírus. O número é 2,7 vezes maior que os gastos do município para compra de testes e insumos de exames para diagnóstico da doença.

As informações são de levantamento da reportagem no portal da Transparência do Executivo municipal. Segundo quadro de acompanhamento de despesas, Campo Grande já encomendou 180 mil comprimidos de ivermectina, 120 mil de hidroxicloroquina, 20 mil cápsulas de colecalciferol (vitamina D), 6,7 milhões de comprimidos de sulfato de zinco e 96 mil de azitromicina. Nenhum destes medicamentos tem, por enquanto, eficácia comprovada contra o Sars-CoV-2.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a hidroxicloroquina é indicada para pessoas com artrite, lúpus, doenças fotossensíveis e malária. A ivermectina, para infecções provocadas por vermes e piolho.

A azitromicina, um antibiótico, tem aval da Anvisa para tratamento de bronquite, pneumonia, sinusite e faringite, bem como de algumas doenças sexualmente transmissíveis.

Já o colecalciferol e o sulfato de zinco não passam de suplementos vitamínicos.

Caixa de testes rápidos para novo coronavírus; prefetura comprou 9,4 mil unidades (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)
Caixa de testes rápidos para novo coronavírus; prefetura comprou 9,4 mil unidades (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)

Até agora, R$ 866,5 mil foram investidos pela prefeitura para as estratégias de testagem da população. Em três compras, o município garantiu 9,4 mil testes rápidos e 8 mil swabs (cotonete usado para exames por biologia molecular).

A prioridade dada pela administração da Capital à compra de medicamentos sem eficácia comprovada se opõe ao que defendem autoridades em Saúde. Em entrevista ao Campo Grande News, médicos infectologistas condenaram a adoção do coquetel como política pública.

Já testagem e rastreio dos contatos de casos confirmados de covid-19 é um dos mecanismos de prevenção ao contaminação em massa mais pregados, inclusive diariamente pelo secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, durante transmissões ao vivo.

Segundo atualização mais recente da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Campo Grande tem 11.213 casos confirmados de covid-19. O total de mortes pela doença chegou a 149.

Em nota à reportagem, a Sesau disse que comprou 15,3 mil testes rápidos, com investimentos que somam R$ 1,3 milhão, e que pretende comprar mais 50 mil exames, em processo ainda em andamento.  Os gastos, porém, não estão listados no portal da Transparência.

A pasta declarou também que coopera com a testagem por meio da estruturação de espaços físicos, disposição de recursos humanos e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

A Sesau ainda reforçou o apoio do governo estadual e do ministério da Saúde no repasse de testes. Sobre a compra do coquetel de remédios, a Sesau alegou que “hidroxicloroquina, disfosfato de cloroquina e azitromicina fazem parte do protocolo do ministério da Saúde”.

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