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Capital

Caos por falta de anestesistas deixa pacientes espalhados em macas na Santa Casa

Famílias e pacientes denunciam superlotação, procedimentos suspensos e impacto direto da greve de médicos

Por Gabi Cenciarelli | 20/01/2026 15:28


RESUMO

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A Santa Casa de Campo Grande enfrenta uma grave crise devido à redução no número de anestesiologistas, causada por atrasos nos pagamentos. A situação resultou na suspensão de cirurgias eletivas e na superlotação do pronto-socorro, especialmente na ala ortopédica, com macas ocupando corredores e dificultando a circulação. Pacientes relatam esperas prolongadas por procedimentos simples, alguns há mais de uma semana, e problemas estruturais como apenas um elevador em funcionamento. A instituição mantém apenas cirurgias de urgência e emergência, enquanto pessoas permanecem em jejum indefinidamente aguardando procedimentos constantemente adiados.

Vídeos gravados nesta segunda-feira (20) e enviados ao Campo Grande News mostram um cenário de superlotação no pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande, especialmente na ala da ortopedia. As imagens revelam macas posicionadas uma ao lado da outra, praticamente sem espaço entre elas, ocupando salas lotadas e também corredores da unidade. Em alguns pontos, a circulação de profissionais e pacientes ocorre com dificuldade diante do número de pessoas internadas no mesmo ambiente.

A situação reforça o que já havia sido noticiado pelo Campo Grande News na segunda-feira (19), quando o hospital confirmou a redução do número de anestesiologistas em razão do atraso nos pagamentos. Um dia depois, pacientes e acompanhantes relatam que o impacto é sentido diretamente por quem está internado, com cirurgias e procedimentos paralisados, inclusive os considerados simples, mas que dependem de anestesia.

Segundo os relatos, há pacientes internados há mais de uma semana aguardando procedimentos de baixa complexidade, sem qualquer previsão de realização. A espera prolongada mantém pessoas ocupando vagas hospitalares por dias, enquanto outras seguem aguardando atendimento.

Caos por falta de anestesistas deixa pacientes espalhados em macas na Santa Casa
Pacientes em cadeiras e macas no corredor do hospital (Foto: Direto das Ruas)

“A gente sabe da situação com os médicos, mas também não é culpa da minha avó doente. Ela está com queimaduras, mais de uma semana esperando um procedimento simples, ocupando uma vaga que poderia ser de alguém que precisa mais. Além disso, não ter nenhuma previsão é desumano, mas não pe considerado urgente”, relatou um acompanhante, que pediu para não ser identificado por ainda estar com familiar internado na unidade.

Há ainda relatos de pacientes orientados a permanecer em jejum na véspera de cirurgias, com a promessa de que o procedimento ocorreria no dia seguinte. No entanto, as cirurgias acabam sendo adiadas repetidas vezes, fazendo com que essas pessoas passem dias sem se alimentar adequadamente, aguardando uma definição que não chega.

A superlotação também foi percebida dentro do hospital. “Quando ela estava no pronto-socorro, estava lotado, muita gente esperando alguma coisa. Agora ela está na ala, mas lá dentro está horrível, feio, caótico”, descreveu.

Caos por falta de anestesistas deixa pacientes espalhados em macas na Santa Casa
Elevadores com sinal de manutenção (Foto: Direto das Ruas)

Além dos problemas assistenciais, acompanhantes também relatam dificuldades estruturais dentro da unidade. Uma mulher cadeirante, que acompanha a avó internada após um problema cardíaco, afirma que há apenas um elevador em funcionamento em todo o hospital.

“Só tem um elevador no hospital inteiro. Às vezes a gente fica mais de meia hora esperando para conseguir subir ou descer. Já é difícil ficar aqui por causa da situação da saúde dela, e isso acaba piorando tudo”, relatou.

Greve? -  o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) informou que não há qualquer comunicado formal de paralisação envolvendo anestesistas na Santa Casa. Segundo o sindicato, os contratos de prestação de serviço não são firmados diretamente com os médicos, mas com empresas médicas, o que impede a caracterização formal de greve. A entidade afirma, no entanto, que os contratos entre a Santa Casa e as empresas prestadoras de serviços estão em atraso há mais de sete meses e que termos de acordo firmados com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) não estariam sendo cumpridos. Apesar disso, o sindicato reforça que não foi oficialmente comunicado ou oficiado sobre greve.

Em nota enviada ao Campo Grande News, a Santa Casa informou que, em razão do atraso nos pagamentos, houve redução do contingente de profissionais anestesiologistas, o que impactou diretamente a capacidade técnica e operacional do hospital, ocasionando atrasos nos procedimentos cirúrgicos.

Segundo a instituição, as cirurgias consideradas eletivas estão temporariamente suspensas, enquanto as cirurgias de urgência e emergência continuam sendo realizadas, conforme avaliação das especialidades médicas, em conjunto com a coordenação do centro cirúrgico e a diretoria técnica.

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