ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, TERÇA  29    CAMPO GRANDE 28º

Capital

Caso de menino esfaqueado na saída da aula causa surpresa entre pais de alunos

Responsáveis relatam que não foram avisados sobre o ataque e dizem ter descoberto o episódio pela imprensa

Por Bruna Marques e Victória Costacurta | 29/09/2026 12:10
Caso de menino esfaqueado na saída da aula causa surpresa entre pais de alunos
Crianças acompanhadas da mãe na saída da escola, nesta terça-feira (Foto: Osmar Veiga)

A surpresa tomou conta de pais e moradores que vivem nas proximidades da Escola Municipal Arassuay Gomes de Castro, na região do Tiradentes, em Campo Grande, na manhã desta terça-feira (29). Até então, a maioria não sabia que dois alunos do 6º ano haviam se envolvido em uma briga que terminou com um menino de 12 anos esfaqueado na saída da aula.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Pais e moradores da região do Tiradentes, em Campo Grande, disseram ter sido surpreendidos ao saber que um aluno de 12 anos foi esfaqueado por um colega do 6º ano na saída da Escola Municipal Arassuay Gomes de Castro, na segunda-feira (28). Vários responsáveis afirmaram não ter recebido comunicado da escola. O menino sofreu ferimentos no abdômen e na perna e está em bom estado. A Semed diz que a briga ocorreu fora do espaço escolar e que o caso será apurado e encaminhado à delegacia especializada.

Entre os pais ouvidos pelo Campo Grande News, apenas uma mãe contou ter tomado conhecimento do caso ao ver a notícia na imprensa. Outros disseram que não receberam qualquer comunicado da escola. Enquanto os adultos afirmavam desconhecer o episódio, os próprios estudantes já comentavam e até faziam brincadeiras sobre o ocorrido.

Uma mulher que trabalha há quatro anos em uma casa em frente à escola disse nunca ter presenciado situação semelhante na região. “Aqui nunca teve nada, juro por Deus. As crianças passam aqui, a gente está aqui e nunca houve nada. Nunca houve nenhuma confusão, nunca teve nada”, afirmou.

Ela contou ter ficado surpresa com o episódio e defendeu que os pais acompanhem de perto o comportamento dos filhos. “Eu acredito que a educação vem de casa. A educação vem de casa. Então, eu acho que houve algum equívoco aí. Não sei o que aconteceu com os pais".

Caso de menino esfaqueado na saída da aula causa surpresa entre pais de alunos
Alunos assistem ao vídeo da briga entre os colegas na saída da escola (Foto: Osmar Veiga)

A analista financeira Lucimeire Pereira, 40 anos, tem duas filhas que estudam ou estudaram na unidade. A mais velha passou pela escola do 5º ao 9º ano e saiu no ano passado. A mais nova está no 1º ano.

Ela disse nunca ter tido reclamações sobre a escola, mas ficou surpresa ao saber da briga. “Eu não tenho reclamação da escola, estou surpresa. Não me comunicaram nada. Não chegou nada até mim e eu também não estava nem sabendo disso”.

Para ela, a notícia mudou a sensação de segurança em relação à filha mais nova.

“Se realmente isso aconteceu aqui... Nossa, não. Insegurança total. Agora eu fico com medo, ainda mais porque eu tenho criança pequena aqui”.

A corretora de imóveis Iusemar Pizato, 50 anos, também disse ter descoberto o caso pela imprensa. Os filhos dela estudaram na escola e a filha mais nova atualmente está no 5º ano.

“Eu fiquei sabendo pela mídia. Fiquei espantada porque aqui é um colégio muito tranquilo. Meus filhos todos estudaram aqui e eu nunca tive relato disso”, afirmou.

Segundo ela, nunca ouviu da filha relatos sobre brigas ou problemas semelhantes dentro da escola. “Não, aqui não. Nesse colégio, não".

Iusemar afirmou que, apesar de considerar a escola tranquila, situações como a registrada entre os alunos precisam ser comunicadas aos responsáveis.

“Mas tem que falar, infelizmente”, disse.

Caso de menino esfaqueado na saída da aula causa surpresa entre pais de alunos
Valdir Arcândio, 54 anos, pai de aluno da escola, ficou surpreso ao saber do caso (Foto: Osmar Veiga)

Ela também defendeu que os pais acompanhem de perto a rotina dos filhos e afirmou que a escola tem papel diferente da família na formação das crianças.

“Eu sei que não é referente à escola, porque a escola vem ensinar. A educação vem de casa. Na verdade, quem tem que educar os filhos são os pais, e não a escola".

O mestre de obras Valdir Arcândio, 54 anos, também ficou surpreso ao ser informado pela reportagem. O filho dele estuda na unidade há cerca de quatro anos. As duas filhas também estudaram no local antes de seguirem para o ensino médio.

“Não, aqui é tranquilo. Meu guri estuda aqui. Já vai para quatro anos. As minhas meninas estudaram aqui também até entrarem no ensino médio e não deu nenhum problema. Nunca teve esse caso".

Ao ouvir sobre a ocorrência, afirmou: “Eu estou até surpreso com isso aí que você está me dizendo. Eu não sabia”.

Para Valdir, a informação deveria chegar aos responsáveis. “É bom, tem que informar para todo mundo e, outra coisa, avisar os pais também. Fazer uma reportagem bem legal para avisar os pais e os demais, para ficarem cientes”.

Depois de saber do caso, ele disse que pretende reforçar as conversas com o filho sobre violência. “Vou dar mais essa reforçada. Sempre estou conversando, não só com ele, mas com as duas também. Eu sempre tenho alertado, porque o mundo que nós estamos vivendo está muito perigoso".

Entenda - O menino de 12 anos foi esfaqueado duas vezes por um colega de classe no início da noite de segunda-feira, enquanto aguardava ônibus para voltar para casa, nas proximidades da escola.

Imagens registradas por uma colega mostram os dois estudantes discutindo antes do confronto. O vídeo começa com os meninos conversando, até que um deles dá um tapa no rosto do outro. Na sequência, o garoto que recebeu a agressão retira uma faca da cintura e avança contra o colega.

Os dois entram em luta corporal, enquanto estudantes que assistiam gritam: “faca não pode”. Em determinado momento, um dos colegas afirma: “esfaqueou”.

O menino atingido sofreu ferimentos no abdômen e em uma das pernas. Ele foi levado ao CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes, onde estava consciente e em bom estado geral.

Em nota, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) informou que tomou conhecimento da ocorrência registrada no horário de saída dos estudantes e que o desentendimento aconteceu fora do espaço escolar. Segundo a pasta, o ferimento foi supostamente superficial.

A secretaria informou que a situação será acompanhada e apurada pelas áreas competentes, com atuação da DAE (Divisão de Acompanhamento Escolar) junto à direção da unidade.

O caso será encaminhado à DEAIJ (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude).