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Capital

Chefe de quadrilha que planejou furto milionário a banco usava dez nomes falsos

“Velho” é considerado um dos bandidos mais procurados por roubos a bancos no país. Ele foi preso pelo Garras em Marília (SP)

Por Geisy Garnes | 02/04/2020 17:45
Equipamentos usados pela quadrilha para cavar o túnel até o cofre na Nuval (Foto: Divulgação)
Equipamentos usados pela quadrilha para cavar o túnel até o cofre na Nuval (Foto: Divulgação)

Investigações do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro) relevaram que o líder da quadrilha que planejou o furto milionário ao Nuval (Núcleo de Valores) do Banco do Brasil, em Campo Grande, usava pelo menos dez nomes falsos para cometer crimes e tinha diversas condenações por roubo a banco pelo país.

Conhecido como “Velho”, o gerente do grupo foi preso no dia 13 de março, na cidade de Marilia, interior de São Paulo, durante a segunda fase da Operação Euphractu – realizada em sincronia com à Operação Hórus.

Na data, os policiais viajaram para Bela Vista, no interior de Mato Grosso do Sul, e aos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para capturar integrantes da organização criminosa. Assim que foi preso, “Velho” se identificou como Márcio Dorneles Mandes Júnior.

Conforme apurado pelo Campo Grande News, ao longo das semanas, as equipes de investigação da delegacia especializada descobriram que “Velho” na verdade se chamava Ernandes Pereira da Silva e usava várias identidades diferentes para cometer crimes por todo o país.

Além de Marcio Dorneles, foram identificados pelos menos outros nove nomes falsos utilizados por ele: Ernande Pereira da Silva; Ernandes Pereira A Silva; Hernandes Pereira da Silva; Jose Abílio Xaster; José Abílio Xastre; Jose Ferreira da Silva; José Inácio de Sa Goncalves; Jose Wichester e Armando Cezário.

Com isso, foi constatado que “Velho” é considerado um dos bandidos mais procurados do Brasil por roubo a banco. Ao todo, ele foi processado mais de 80 vezes nos estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

Foi também condenado em vários dos processos, que somavam mais de 30 anos de pena, porém passou tanto tempo foragido que as condenações foram prescritas, ou seja, não podem ser mais aplicadas pelo Estado. No entanto, o criminoso ainda estava com um mandado de prisão expedido justiça de Catalão, Goiás, em aberto. Ele foi cumprido está semana.

Vários integrantes da quadrilha já foram presos, no entanto, ainda há mandados de prisão que não foram cumpridos. Por conta disso, os policiais do Garras seguem as investigações e as buscas pelos envolvidos.

Túnel tinha 63 metros, mas por erros na construção não levou bandidos a cofre (Foto: Henrique Kawaminami/ Arquivo)
Túnel tinha 63 metros, mas por erros na construção não levou bandidos a cofre (Foto: Henrique Kawaminami/ Arquivo)

Esquema milionário – As investigações da delegacia especializada indicaram que para viabilizar o plano milionário, que consistia na construção de um túnel até o cofre do Nuval, a quadrilha praticou dois roubos a bancos de Campo Grande.

O primeiro em 2016, quando levaram R$ 1,1 milhão de agência do Brasil do Brasil da Avenida Afonso Pena. E o segundo no ano passado, em uma agência da Caixa Econômica Federal, de onde fugiram com R$ 230 mil. Os dois crimes aconteceram da mesma maneira. Dois bandidos armados entraram nas agências, renderam funcionários e vigilantes e fugiram com dinheiro.

A partir do segundo roubo, as equipes do Garras encontraram um nome que ligava os dois casos: Nilmara de Souza Rosa. Os policiais descobriram que em 2016 Nilmara trabalhava no Banco do Brasil e em 2019 era atendente da Caixa Econômica Federal. A partir disso, constataram a participação do marido dela, Anderson Lourenço, no crime.

Os dois foram presos e com eles foi encontrado um revólver calibre 38 – roubado de um vigia do primeiro roubo. As investigações continuaram e levaram a descoberta do plano do Nuval (Núcleo de Valores).

Em 22 de dezembro do ano passado, a primeira fase da operação foi realizada e terminou com a prisão de sete pessoas: Wellington Luiz dos Santos Junior, 28 anos; Lourinaldo Belisario de Santana, 51 anos; Robson Alves do Nascimento, 50 anos; Gilson Airis da Costa, 43 anos; Eliane Goulart Decursio, 36 anos; Francisco Marcelo Ribeiro, 42 anos e Bruno Oliveira de Souza, 30.

Outros dois suspeitos, identificados como Antônio de Melo Leal, o Barba de 42 anos, e José Williams Nunes Pereira da Silva, natural de Caxias (MA), de 48 anos, foram mortos em confronto com os policiais. Segundo as investigações, Renato era um dos líderes do grupo e William o idealizador do plano.

Na hierarquia da quadrilha, havia os três gerentes – “Velho”, “Barba” e um terceiro que ainda está foragido – o chamado núcleo de apoio era composto por seis pessoas,  responsáveis pelo suporte permanente aos criminosos e a quarta divisão, que segundo as investigações, era formada por 7 indivíduos que trabalhavam na escavação do túnel, conhecidos como “tatus”.