ACOMPANHE-NOS    
OUTUBRO, QUARTA  21    CAMPO GRANDE 26º

Capital

Com capa, professora e alunos têm dia para abraçar e matar a saudade

Capa de plástico é higienizada e vem de casa para que toda segunda-feira a aula só comece depois de um abraço

Por Paula Maciulevicius Brasil | 28/09/2020 08:36
Na imagem, aluna Betina corre para o abraço da professora Luana. "Eu viajei, estava com saudades", explica.
Na imagem, aluna Betina corre para o abraço da professora Luana. "Eu viajei, estava com saudades", explica.

Assim que as crianças chegam à sala de aula, são recepcionadas com um sorrisão pela professora Luana  da Silva Ribeiro Oliveira: "Bom dia, meu raio de sol". No Jardim III, da Escola General Osório, no Bairro São Francisco, toda segunda-feira é dia de matar a saudade, é dia de abraçar.

Das mochilas saem a sacolinha com a capa de plástico que dá o super-poder do abraço. O material já vem de casa higienizado pelos pais. Betina Landim, de 5 anos, esperava de bracinhos abertos pelo abraço da professora, a cena mostra o quanto as crianças precisam de afeto. "É que eu viajei e estava com saudade", diz a pequena.

No primeiro dia de aula, na semana passada, os pais receberam a capa plástica que deve vir higienizada na mochila todas às segundas. "Depois que eles tiram, nós passamos álcool e guardamos na sacolinha e envia para casa. O abraço é só na segunda, porque também é muito calor para eles ficarem assim todos os dias", explica Luana. Como se fosse uma capa de chuva, o material escolhido foi pensando justamente na higienização.

"Abraçante", segunda-feira, professora mata as saudades das crianças. (Foto: Marcos Maluf)
"Abraçante", segunda-feira, professora mata as saudades das crianças. (Foto: Marcos Maluf)

"Que dia feliz hoje, não é, Jardim III?
- Simmmmm!
Hoje é o dia do nosso abraço, de matar as saudades, não é?
- Simmmmm!
Vamos começar então?"

O diálogo acima é da professora com as crianças que respondem em coro. Distanciadas, cada uma em sua carteira, são sete crianças que são uma a uma vestidas pela professora. Antes do abraço, ainda é passado álcool em gel nas mãozinhas de cada uma.

Brincalhão da turma, José Otávio tem 6 anos, e diz que "faz 100 anos que não abraço ninguém".

"Atenção! Vamos ficar em pé? Cada um no seu lugar, quero ver quem vai dar o abraço mais gostoso e apertado. 1, 2, 3..."

Abraço é dado depois que mãos são higienizadas e crianças colocam o capuz. (Foto: Marcos Maluf)
Abraço é dado depois que mãos são higienizadas e crianças colocam o capuz. (Foto: Marcos Maluf)

E assim cada pequeno recebe seu abraço de urso. As crianças são levantadas pela professora uma a uma. A reação é de sorrisos, de quem sente saudade de abraçar. "Eu gosto de abraçar a prô", diz Betina Maluf, de 5 anos. A coleguinha Aline, também com 5, não via a hora de abraçar as amigas. "Quero abraçar a Betina", pedia. No entanto esse abraço vai ficar para daqui a um tempinho. A capa plástica permite o contato de pertinho, mas só com a professora. "Eles não se abraçam ainda, até para a gente não incentivar, porque criança não vai distinguir quando está com a capa ou não", justifica Luana.

A alegria na receptividade dos alunos faz a gente entender que o dia do abraço, é mesmo da professora. Luana tem 35 anos e dá aulas na educação Infantil há 10.  "Eu sou a pessoa mais abraçante do mundo, eu sinto muita saudade, porque para mim, o ensinar, o dar aula não está separado do afeto. Então eu abraço, pego no colo, antes da pandemia era assim e a escola até brincava que ia ter que me colocar aquela roupa de apicultor, porque não iam ter como me segurar", relata.

Abraço de urso é recebido com todo carinho por aluno e professora. (Foto: Marcos Maluf)
Abraço de urso é recebido com todo carinho por aluno e professora. (Foto: Marcos Maluf)

Há 10 anos atuando na Educação Infantil, a professora diz que "não tem como olhar para a carinha deles e não amar..."

As crianças não permanecem com a capa e logo tiram e ela volta para a mochila. "Eu gosto de abraçar a professora, todo mundo abraça ela", diz José Otávio no final.

A professora higieniza a capa e se precisar, volta a colocar. "Se machucou, eu pego no colo, porque eles precisam desse carinho, desse afeto", resume.

Na despedida, a equipe também ganha um super abraço, mas de longe, claro, cada criança abre os bracinhos e se abraça enviando carinho.

Afeto chega entre capas e proteções. (Foto: Marcos Maluf)
Afeto chega entre capas e proteções. (Foto: Marcos Maluf)


E traz amor e carinho para dentro da escola. (Foto: Marcos Maluf)
E traz amor e carinho para dentro da escola. (Foto: Marcos Maluf)


Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário