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Capital

Ação encontra 26 casas vendidas ou alugadas no Mandela

Balanço da Emha aponta imóveis vazios, ocupados por terceiros e com pendências após denúncia

Por Gabi Cenciarelli e Kamila Alcântara | 09/07/2026 15:23
Ação encontra 26 casas vendidas ou alugadas no Mandela
Fiscalização interdita imóveis na comunidade (Foto: Maya Severino)

A fiscalização iniciada pela Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) após denúncia de venda irregular de uma casa popular encontrou 26 irregularidades em imóveis destinados às famílias reassentadas da antiga Comunidade Mandela, o que corresponde a 1 problema a cada 7 casas dos 181 imóveis do local.

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A Emha identificou 26 irregularidades em imóveis destinados a famílias reassentadas da Comunidade Mandela, em Campo Grande. Foram encontrados 7 imóveis vendidos, 4 alugados, 6 desocupados e 5 ocupados por terceiros. Das 181 casas entregues, 158 têm parcelas em atraso. Moradores notificados têm cinco dias para se apresentar à agência, que pode retomar imóveis usados de forma irregular.

O balanço da operação, divulgado nesta quinta-feira (9), mostra que foram identificados 7 imóveis vendidos irregularmente, 4 alugados, 6 desocupados, 5 ocupados por terceiros, 2 casos de permuta e outros 2 imóveis com pendências relacionadas a inventário ou ocupação regular.

As irregularidades foram descobertas durante a ação realizada na quarta-feira (8), um dia após o Campo Grande News revelar o anúncio de uma casa popular oferecida por R$ 60 mil em uma rede social. Na publicação, o vendedor aceitava carro ou moto como parte do pagamento e oferecia condições para quem assumisse as parcelas restantes do imóvel.

Ação encontra 26 casas vendidas ou alugadas no Mandela
Fiscalização em região do Nova Lima (Foto: Maya Severino)

A denúncia levou a Emha a intensificar a fiscalização nas moradias entregues às famílias que deixaram a Comunidade Mandela após o incêndio que destruiu barracos da ocupação, em novembro de 2023.

Durante a vistoria, fiscais da agência, acompanhados por agentes da GCM Ambiental (Guarda Civil Metropolitana Ambiental), percorreram imóveis no loteamento Iguatemi 2 e em outros empreendimentos ligados ao reassentamento das famílias.

O resultado chamou atenção justamente pela variedade das irregularidades encontradas. Além das vendas e aluguéis, a equipe encontrou casas fechadas, imóveis ocupados por pessoas que não constam nos contratos e até casos de troca informal de moradias entre beneficiários.

Ação encontra 26 casas vendidas ou alugadas no Mandela
Vila de casas sendo fiscalizadas pela prefeitura (Foto: Maya Severino)

Foi o caso de uma aposentada de 68 anos ouvida pela reportagem durante a fiscalização. Ela contou ter trocado a casa que recebeu no Jardim Talismã por outra no Iguatemi 2 porque não se adaptou ao bairro onde morava. A negociação, segundo ela, foi feita apenas entre os moradores, sem qualquer comunicação oficial à agência.

Além das questões relacionadas à ocupação dos imóveis, a Emha também acompanha a situação financeira dos contratos. Conforme dados apresentados durante a operação, das 181 casas entregues às famílias da antiga Comunidade Mandela, 158 possuem parcelas em atraso. O financiamento prevê prestações de R$ 185 mensais, divididas ao longo de 30 anos.

Os moradores notificados receberam prazo de cinco dias para comparecer à agência e apresentar esclarecimentos. Segundo a Emha, os casos serão analisados individualmente para diferenciar situações de vulnerabilidade financeira de irregularidades relacionadas ao uso indevido dos imóveis.

Ação encontra 26 casas vendidas ou alugadas no Mandela
Vila de casas fiscalizada (Foto: Maya Severino)

Quando houver comprovação de venda, aluguel, cessão ou ocupação irregular, a agência poderá iniciar processo administrativo para retomada da unidade habitacional. Nesses casos, o imóvel pode ser destinado a outra família cadastrada nos programas de habitação social do município.

A fiscalização deve continuar nos próximos dias em outros conjuntos habitacionais que receberam moradores da antiga Comunidade Mandela. A intenção da agência é verificar se os imóveis estão sendo utilizados conforme as regras do programa habitacional e evitar que unidades destinadas à moradia de famílias em situação de vulnerabilidade sejam transformadas em objeto de negociação.

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