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Economia

Estudo alerta que super El Niño pode pressionar economia de MS no fim do ano

Agronegócio, energia, logística e turismo estão entre os setores que podem sofrer prejuízos

Por Ketlen Gomes | 09/07/2026 13:54
Estudo alerta que super El Niño pode pressionar economia de MS no fim do ano
Calor e sol em Campo Grande, capital de MS, durante o verão de 2025. (Foto: Osmar Veiga)

Pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) indicam a possibilidade de um Super El Niño no segundo semestre de 2026 e alertam que o fenômeno pode trazer impactos que vão além das mudanças no clima. Estudo do LCA (Laboratório de Ciências Atmosféricas) da instituição aponta que, se as projeções atuais se confirmarem, o fenômeno poderá afetar o agronegócio, o transporte, a geração de energia, o turismo e até pressionar os preços dos alimentos no fim do ano.

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Pesquisadores da UFMS alertam para a possibilidade de um Super El Niño no segundo semestre de 2026, com anomalias de temperatura entre 3°C e 4°C acima do normal no Oceano Pacífico. O fenômeno pode impactar o agronegócio, transporte, energia e saúde pública. Em Mato Grosso do Sul, há previsão de aumento de chuvas no sul e comportamento variável no norte e oeste. Especialistas recomendam planejamento antecipado para reduzir prejuízos.

As projeções divulgadas em julho pelos principais centros internacionais de monitoramento climático indicam que o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Centro-Leste poderá atingir seu pico entre novembro e dezembro. As anomalias previstas variam entre 3°C e 4°C a mais na região, patamar que colocaria o evento entre os mais intensos desde o início das medições modernas, superando episódios registrados em 2015-2016 e outros anos anteriores.

O El Niño altera a circulação atmosférica global ao aquecer as águas do Oceano Pacífico Equatorial, modificando os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta, incluindo no Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, os reflexos variam conforme a região. A tendência é de aumento das chuvas no sul do Estado, enquanto as regiões norte e oeste podem apresentar comportamento mais variável, dependendo da intensidade do fenômeno e da atuação de outros sistemas atmosféricos.

O estudo destaca que o agronegócio está entre os setores mais vulneráveis. A irregularidade das chuvas pode comprometer o desenvolvimento de culturas como soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar, além de afetar a pecuária com redução da qualidade das pastagens, estresse térmico dos animais e aumento da ocorrência de doenças.

O pesquisador do LCA da UFMS, Thiago Rangel Rodrigues, relata que o desafio não está apenas na quantidade total de chuva, mas também na forma como ela se distribui ao longo da estação de cultivo. "A irregularidade das precipitações pode comprometer significativamente a produtividade agrícola", destaca o pesquisador.

Os impactos, porém, não se limitam ao campo. Quebras de safra e dificuldades no transporte da produção podem elevar os custos logísticos e pressionar os preços dos alimentos. Chuvas intensas também podem aumentar gastos com manutenção de rodovias, enquanto alterações no regime de cheias afetam o turismo, especialmente no Pantanal.

Na área de recursos hídricos, mudanças na distribuição das chuvas influenciam o nível dos rios, a recarga de reservatórios e a disponibilidade de água para abastecimento, irrigação e geração de energia. Já na saúde pública, períodos mais quentes e úmidos favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando o risco de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Embora o cenário exija atenção, os pesquisadores ressaltam que o El Niño pode ser acompanhado com meses de antecedência, permitindo que produtores, empresas e gestores públicos adotem medidas para reduzir prejuízos.

"O monitoramento contínuo permite que governos, produtores rurais e a sociedade se preparem com antecedência. Planejamento agrícola, gestão dos recursos hídricos, fortalecimento da infraestrutura e sistemas de alerta são ferramentas essenciais para aumentar a resiliência diante dos eventos climáticos extremos", afirma Thiago.

O pesquisador reforça que a confirmação da intensidade do fenômeno dependerá da evolução das condições do oceano e da atmosfera nos próximos meses e defende o uso das previsões climáticas no planejamento.

"Mais do que reagir aos eventos extremos, precisamos desenvolver uma cultura de prevenção baseada na ciência. Quanto mais cedo produtores, gestores públicos e a sociedade incorporarem as previsões climáticas ao planejamento, maiores serão as chances de reduzir prejuízos e aproveitar melhor as oportunidades de cada safra e de cada estação", conclui.

Apesar da expectativa, o pesquisador relata que ainda é cedo para confirmar a intensidade do fenômeno. Thiago destaca que os modelos mais recentes desenvolvidos pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) vêm elevando as estimativas para a temperatura da superfície do mar no Pacífico. Em algumas simulações, as anomalias chegam a 4,8°C a mais, enquanto metodologias mais conservadoras apontam valores entre 3,3°C e 3,5°C a mais, suficientes para caracterizar um episódio extremamente intenso.

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