Com modelo ganhando capitais, condutores defendem faixas exclusivas para motos
Motociclistas apontam possibilidade de ganho de tempo e redução de acidentes
Enquanto capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte avançam em testes ou implantação de faixas exclusivas para motocicletas, Campo Grande ainda não tem projeto em andamento.
RESUMO
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Motoristas e motociclistas ouvidos pelo Campo Grande News no Centro da cidade apoiaram a criação de faixas exclusivas para motos nas principais avenidas de Campo Grande. Os entrevistados destacaram segurança, organização e redução de acidentes como principais benefícios. Entregadores e motoristas de aplicativo ressaltaram que a medida facilitaria o trabalho, mas alertaram para a necessidade de conscientização de motociclistas e motoristas de automóveis.
A informação é da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), que afirma acompanhar as discussões nacionais sobre mobilidade urbana, mas sem previsão de adotar a medida na Capital.
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Em São Paulo, a chamada Faixa Azul funciona desde janeiro de 2022, quando foi implantada em caráter piloto na Avenida 23 de Maio. O modelo não é exatamente uma faixa exclusiva fechada para motos, mas uma sinalização no corredor entre pistas, criada para organizar o deslocamento de motociclistas em vias de grande movimento. Em janeiro de 2025, segundo a prefeitura paulistana, a cidade alcançou 215,2 quilômetros de Faixa Azul em 46 vias.
No Rio de Janeiro, a prefeitura também passou a testar motofaixas. A segunda estrutura do tipo começou a funcionar em dezembro de 2024 na Zona Norte, com sinalização azul entre as faixas de trânsito. Belo Horizonte também entrou nesse debate. A capital mineira prepara a implantação de faixa para motos na Via Expressa em caráter experimental.
Em Campo Grande, porém, a Agetran informa que não há projeto em andamento para implantação de faixas exclusivas para motocicletas. Segundo a agência, qualquer alteração na circulação viária depende de estudos técnicos específicos, análise de viabilidade e avaliação dos impactos na segurança e na fluidez do trânsito.
A posição do órgão municipal é de observar o movimento de outras cidades. Projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados prevê a possibilidade de implantação de faixas exclusivas para motocicletas em vias urbanas. Pelo texto em análise, caberia aos municípios decidir sobre a criação desses espaços, desde que houvesse estudos técnicos e planejamento local. Por enquanto, não há estudo anunciado, calendário definido nem via escolhida para receber estrutura voltada exclusivamente a motos.
Cinco motociclistas perderam a vida somente neste mês em Campo Grande. O número é assustador principalmente por ocorrer simultaneamente ao Maio Amarelo, campanha de conscientização no trânsito. O lema deste ano é “Enxergar o outro salva vidas”.
O último caso ocorreu na manhã desta quinta-feira no Bairro Montevidéu. Tarcisio Barboza, de 27 anos, morreu em acidente com carro na região norte.
O Campo Grande News foi as ruas ouvir motoristas e motociclistas no Centro sobre a possível implantação da faixa exclusiva. Todos os entrevistados demonstraram apoio à proposta, destacando principalmente a segurança e a organização no trânsito.
Para o entregador e motorista de aplicativo Edson Augusto, 24 anos, a medida seria positiva nas principais avenidas da cidade. "Nas principais, seria bom, como na Avenida Afonso Pena e na Duque de Caxias. Não tem espaço para a gente passar e, como são avenidas mais movimentadas, seria interessante. Hoje já existem muitas faixas exclusivas para ônibus, mas, se a moto andar nelas, acaba levando multa. A moto é muito usada atualmente, principalmente com Uber Moto, porque as pessoas preferem pela agilidade. Então, se tiver uma faixa específica para motos, vai ficar mais seguro também, principalmente com bastante sinalização. Então, a faixa ajudaria bastante”.
Cláudio Lemes Galvão, 40 anos, que usa moto para trabalhar, também avalia que a iniciativa pode contribuir para a redução de acidentes. “É muito importante, porque tem muita moto, até mais do que carro. Então, ter essa faixa, principalmente nas vias principais, seria muito importante. Acho que ajudaria a evitar acidentes também. Se o pessoal respeitar, a tendência é diminuir os acidentes”.
Adailson Ferreira, 45 anos, relembra que algumas cidades do país já têm a faixa e avalia a implementação como positiva. “São Paulo já tem essa faixa e lá ajudou bastante no serviço dos motoqueiros, facilitando mais para a gente. Hoje, se andar ao lado da faixa de ônibus, acaba tomando multa. Acho que ajudaria bastante aqui também. Creio que diminuiria os acidentes, principalmente se os motoristas respeitassem a faixa dos motociclistas. Também tem muito motoqueiro imprudente, então precisa de conscientização.”
A manicure Graciela Maidana, 42 anos, destaca a segurança como um dos principais benefícios da implantação da faixa. “Eu acho que ajudaria bastante, sim. Os motociclistas geralmente são mais apurados no trânsito e, tendo uma faixa só para nós, melhoraria bastante. Acredito que ajudaria a evitar acidentes também, não teria carro cortando a gente”
O motorista de aplicativo Jonathan Rafael, 35 anos, também vê a medida como positiva para a mobilidade urbana. “Seria interessante, principalmente por conta do trânsito que temos aqui. Facilitaria muito a locomoção na cidade. Para quem trabalha com aplicativo, seria excelente. Acredito que ajudaria a diminuir os acidentes, mas depende também da conscientização. Hoje vejo muitos acidentes acontecendo por falta de atenção, tanto de motociclistas quanto de motoristas de carro.”
O motorista Anderson de Olímpicos, 44 anos, avalia que a proposta pode beneficiar o trânsito de forma geral. “Com certeza seria benéfico para todo mundo, principalmente porque o trânsito em Campo Grande está ficando cada vez mais caótico. O fluxo de veículos aumentou bastante na cidade, então seria uma alternativa mais viável e acredito que teria uma boa aceitação da população”.
Já o motorista Elias Ferreira da Silva, 62 anos, afirma que a medida deveria ter sido implantada faz tempo. “Com certeza já deveria existir há muitos anos. A cidade está atrasada nesse sentido. Vemos a grande quantidade de veículos na capital e o trânsito cada dia mais assustador. Uma faixa exclusiva facilitaria a diminuição de acidentes e do estresse no trânsito”.
A assistente jurídica Ana Caroline Belinatti Gonçalves, 37 anos, também acredita que a organização do tráfego pode melhorar com a proposta. “A faixa com certeza ajudaria muito. Eles teriam mais organização, mais faixas e sinalizações explicativas. Muitos motociclistas acabam sendo desobedientes no trânsito, então acredito que isso ajudaria bastante na melhoria do trânsito aqui na Capital”.









