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Política

Após 1 ano de espera, idoso volta a ouvir com aparelho entregue em mutirão

Ação atende 125 pacientes e é usada por secretário para defender terceirização

Por Geniffer Valeriano e Mylena Frahia | 28/05/2026 11:52
Após 1 ano de espera, idoso volta a ouvir com aparelho entregue em mutirão

Após um ano de espera, o aposentado Roberto Ojeda, de 85 anos, voltou a escutar com mais qualidade na manhã desta quinta-feira (28), em Campo Grande. A melhora auditiva foi possível após ele receber o aparelho que aguardava desde 2025.

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Após um ano de espera, o aposentado Roberto Ojeda, de 85 anos, recebeu aparelho auditivo em Campo Grande durante mutirão da Funcraf, dentro do programa Vira CG, que prevê investimento de R$ 60 milhões e 24,8 mil atendimentos. Outras 125 pessoas serão beneficiadas. O secretário de Saúde usou o evento para defender a terceirização da gestão, rejeitada pela Câmara por 17 votos a 11.

A entrega ocorreu durante mutirão promovido pela Funcraf (Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais), dentro do programa “Vira CG”. No evento, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, usou a ação como exemplo para defender a terceirização da gestão na área, proposta rejeitada pela Câmara Municipal no último dia 5.

“Isso aqui é um exemplo de terceirização da gestão. É uma entidade que mantém, graças a Deus, uma identidade construída há muitos anos na assistência aos pacientes com deficiência auditiva e aos pacientes que nascem com lábio leporino”, afirmou.

Roberto e a filha, Marisa Carvalho Ojeda, de 48 anos, são de Corumbá e fazem acompanhamento na instituição. Durante o tratamento, foi constatada perda auditiva nos dois ouvidos.

“Nesse período de espera, ele acabou tendo uma melhora em um dos ouvidos. Agora chamaram para entregar o aparelho, depois de um ano aguardando. Antes, ele quase não ouvia nada”, relatou a filha.

Logo após receber o equipamento, o aposentado comemorou. “Eu não conseguia conversar com ninguém, simplesmente não escutava. Agora estou ouvindo melhor”, disse Roberto.

Após 1 ano de espera, idoso volta a ouvir com aparelho entregue em mutirão
Prefeita Adriane Lopes (PP) ao lado do secretário municipal da Saúde, Marcelo Vilela (Foto: Mylena Fraiha)

Assim como ele, outras 125 pessoas devem ser beneficiadas com a entrega de aparelhos auditivos. Nesta primeira etapa, 90 pacientes foram agendados para atendimento ao longo do dia. O programa “Vira CG”, lançado na segunda-feira (25), prevê investimento superior a R$ 60 milhões e cerca de 24,8 mil atendimentos em diversas áreas da saúde.

Segundo o diretor da Funcraf, Ariel Frutuoso, a iniciativa deve reduzir o tempo de espera. “Hoje há casos em que o paciente aguarda até um ano por um aparelho. A expectativa é diminuir significativamente esse prazo”, afirmou.

Ele também destacou a ampliação dos atendimentos, que podem chegar a 5 mil até o fim do convênio. A fundação também atua em tratamentos de fissura palatina, condição que pode afetar a audição.

Durante o evento, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a ampliação dos serviços é resultado de emendas da bancada federal. “São parcerias para avançar, diminuir filas e entregar resultados esperados há muito tempo”, disse. Ela também destacou que o programa deve beneficiar mães atípicas, com reforço na área de neuropediatria.

O secretário Marcelo Vilela informou ainda que pretende discutir parceria com o governo estadual. “Vamos tentar trazer o Estado para essa parceria, já que 40% dos pacientes atendidos são do interior”, afirmou.

Após 1 ano de espera, idoso volta a ouvir com aparelho entregue em mutirão
Cartaz de protesto contra a terceirização no plenário da Câmara (Foto: Mylena Fraiha)

Terceirização — Por 17 votos contrários e 11 favoráveis, a Câmara Municipal rejeitou o projeto que previa a contratação de organizações sociais para administrar os CRS (Centros Regionais de Saúde) Aero Rancho e Tiradentes.

A votação ocorreu em sessão marcada por protestos de servidores da saúde, representantes sindicais e integrantes do Conselho Municipal de Saúde, contrários à proposta.

O projeto, de autoria do Executivo, previa a terceirização em formato piloto de duas unidades consideradas estratégicas. A prefeitura defendia a medida como forma de melhorar a gestão e ampliar a eficiência do atendimento.

Com a rejeição, a administração municipal fica impedida, neste momento, de avançar com a terceirização dos CRS por meio de organizações sociais. O tema, no entanto, deve continuar em debate diante da pressão por melhorias na rede pública de saúde.

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