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Capital

"Comprei, paguei e cuidei", diz agricultor após ter propriedade destruída

Agricultor mora na área há 30 anos e tenta na Justiça o usucapião desde 2013

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 19/06/2021 11:32
Edson apontando parte da área destruída e equipe aos fundos nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)
Edson apontando parte da área destruída e equipe aos fundos nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)

Edson de Araujo Silva, 56 anos, procurou o Campo Grande News na manhã deste sábado (19) pare reclamar de uma situação que começou há 20 anos. Ele conta que em 1991, adquiriu uma área localizada no Jardim Monte Alegre, em Campo Grande, não documentou a posse e desde 2013,  tenta o usucapião da terra que vive sendo vendida várias vezes e "invadida" por outros compradores.

Nesta sexta-feira (18), ele teve parte do sítio destruído por um homem que diz ter comprado o local. Segundo ele, um grupo de pessoas "chegou destruindo" sua propriedade e voltou nesta manhã para continuar o trabalho.

"Comprei essa terra em 1991 de um senhor chamado Everaldo, mas não sabia que era uma posse. Em 2012, uma mulher apareceu aqui, cortou a cerca e invadiu. Ela falou que era loteado e que tinha comprado", disse Edson. Foi quando começou a saga de provar ser "dono" do terreno.

Documentos que Edson guarda para comprovar posse da área. (Foto: Henrique Kawaminami)
Documentos que Edson guarda para comprovar posse da área. (Foto: Henrique Kawaminami)

Segundo ele, após essa invasão ele procurou a Justiça e em 2013, entrou com processo de usucapião. Nos autos, a defesa explica que desde 1992 o agricultor possui posse mansa, pacifica e ininterrupta do imóvel e que anos depois, a cedência da posse de lotes nas quadras 4, 5, 6 e 7 foi formalizada por um herdeiro da dona da área.

"Por conta da invasão, entramos na Justiça através de um processo de usucapião para reivindicar a área que foi vendida para imobiliárias, mas não estamos tendo atenção necessária. Nunca acham a mulher que invadiu e vendeu os lotes. Fica nessa enrolação e as pessoas invadindo minha terra", explicou o agricultor.

No entanto, o que fez ele procurar o Campo Grande News foi a invasão da tarde de ontem, que teria sido um pouco mais agressiva.

Placa na propriedade que indica que a área está aguardando decisão da Justiça. (Foto: Henrique Kawaminami)
Placa na propriedade que indica que a área está aguardando decisão da Justiça. (Foto: Henrique Kawaminami)

"Chegou esse homem com mais cinco pessoas já destruindo tudo. Derrubaram cerca, destruíram meu silo e ainda acionaram a polícia. Ele disse que comprou mês passado da mesma mulher que invadiu em 2012. Por isso, fui na delegacia e registrei um boletim de ocorrência. Estou perdendo a paz. Toda hora vem alguém querendo entrar aqui", desabafou o homem.

"A terra é minha. Eu pago meus impostos. Cheguei aqui com 26 anos, agora estou com 56. Tenho uma liminar de 2014 contra uma empresa imobiliária e as pessoas que invadiram, mas nunca foi respeitada. Minha revolta é que estou a mercê da sorte. Quero que o processo seja julgado e que as liminares sejam respeitadas", continuou Edson.

O Campo Grande News não conseguiu encontrar a pessoa que mandou maquinário para área ontem e hoje. Por isso, o nome foi preservado.

Maquinário na área no Jardim Monte Alegre nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)
Maquinário na área no Jardim Monte Alegre nesta manhã. (Foto: Henrique Kawaminami)

Vizinhança - Mulher de 42 anos, vizinha de Edson, procurou o Campo Grande News após a reportagem e contestou a versão do agricultor. Segundo ela, que prefere não se identificar, o morador tem causado transtorno a todas as pessoas que compram um lote na área, dizendo que é tudo dele.

"Não tem nenhum invasor aqui. Nós pagamos o terreno certinho. Essa área foi loteada e tem gente que compro lote em 1982. Mas ele chegou, botou cerca em tudo e diz que pe dele. Esse senhor faz terro com todo mundo", disse a mulher.

No local, moram cerca de 20 famílias e os outros terrenos estão vazios porque ele não deixa os compradores tomarem posse, de acordo com a vizinha que disse "ele bota o povo para correr. Tem três anos que moro aqui, nunca falou nada. Ai em janeiro do ano passado começou a mandar cartinha para que nos retirássemos", afirmou.

Ainda de acordo com a vizinha, ela e o marido precisaram procurar a polícia diante de tanto que ele "incomodou".

"Precisamos registrar um boletim de ocorrência. Fomos a Justiça e ele foi condenado a pagar uma multa de R$ 500 por pertubação de sossego. Nós temos documentação. Como ele diz que é dono? Não temos sossego. Ele está sempre ameaçando a gente. Compramos o lote em imobiliária, não é brincadeira. ", completou a microempreendedora.

*Matéria editada às 13h20 para acréscimo de informações.

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