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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

19/09/2013 10:05

Criança não dá lucro e hospitais reduzem leitos infantis, diz entidade

Luciana Brazil
Cubel ressalta o amor pela profissão. (Foto: Arquivo)Cubel ressalta o amor pela profissão. (Foto: Arquivo)

Nos últimos 10 anos, o número de leitos infantis na rede pública de Campo Grande sofreu redução de, pelo menos, 20%, segundo o presidente da Sociedade de Pediatria de Mato Grosso do Sul, Alberto Cubel Brull Junior. 

“Campo Grande tem déficit de leitos para crianças. Só na rede pública, houve redução de 10% de vagas nos últimos 10 anos”, disse Cubel, que também é vice-presidente do CRM/MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul).

O pequeno lucro obtido com o atendimento feito às crianças faz a situação ser ainda pior nos hospitais particulares. Há mais de 20 anos não são feitos investimentos em estrutura e atendimento na rede privada.

“Os hospitais visam o lucro e a criança não dá lucro. Muitos serviços infantis estão sendo fechados, e infelizmente as crianças estão ficando desassistidas. Com um estetoscópio, um hemograma e palitinho para ver a garganta, 90% dos problemas são resolvidos no consultório. Não tem pedido de exame e isso não gera lucro para o hospital”, afirmou o pediatra.

Professor de residência em pediatria do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Cubel explica que entre as especialidades médicas a de pediatria é a menos rentável para os profissionais. “É a especialidade que tem menor remuneração. Precisa ter amor, não só pela criança, mas também pela família. Tem que ter vontade de ser pediatra”.

Justamente por causa da baixa remuneração, os que escolhem a pediatria, muitas vezes acabam optando por áreas de atuação dentro da especialidade. Ou seja, ao invés de realizar a pediatria geral, opta por área que dê mais benefícios financeiros. “Por baixa remuneração, alguns pediatras buscam se especializar na gastroenterologia pediátrica, na neonatologia, na pneumologia pediátrica, na neurologia pediátrica, entre outras”.

Mas apesar disso, ele garante que não faltam profissionais pediatras em Campo Grande. Porém, a baixa rentabilidade e a procura por outras áreas de atuação, criam um déficit imaginário. “Campo Grande tem número suficiente de pediatras para fazer atendimento. Porém, alguns fatores dificultam esse processo”.

A polêmica ganhou força após a morte de Bianca, de 13 dias, que morreu após ser rejeitada por dois hospitais por falta de pediatras. Ela teve parada cardíaca e morreu na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel Antonino.

Mãe de Bianca mostra a ultrassonografia. (Foto: Marcos Ermínio)Mãe de Bianca mostra a ultrassonografia. (Foto: Marcos Ermínio)

A presença feminina na pediatria também pode ser um dos fatores que dificultam o processo de atendimento nos hospitais. Segundo Cubel, na capital, e também no restante do país, as mulheres dominam a pediatria e somam 70% entre os profissionais.

“A pediatria é a maior especialidade do país. Dos 12 alunos de residência, 11 são mulheres. E a tendência disso é só aumentar”. Dividir a vida pessoal e familiar com a vida profissional diminui muitas vezes a disponibilidade de horário, o que pode gerar certa dificuldade, segundo o médico. “Não é culpando ou diminuindo as mulheres, é apenas um fato”.

Para ele, a falta de investimento e de estrutura pública e particular é o que tem gerado problemas como o que aconteceu na segunda-feira (16), quando um bebê de 13 dias morreu sem receber atendimento.

“Há alguns anos, até uma reunião foi feita porque seria construído um hospital infantil municipal. Mas até hoje ficou na conversa. O poder público já tinha que ter construído”.

O médico alerta para o atendimento infantil de urgência. No Prontomed da Santa Casa, é o único local a receber casos mais graves, de alta complexidade. “Isso porque tem a retaguarda da Santa Casa”. Os outros hospitais costumam receber os casos de baixa e média complexidade.

Para ele, se o bebê que morreu na segunda-feira tivesse sido levado ao Prontomed ou Hospital Regional, teria sido atendido. “Não dá para dizer se o bebê teria sobrevivido, mas ele, com certeza, receberia atendimento”.



Os Constituintes de 88 não tiveram força e coragem suficiente de proibirem a privatização da saúde, cederam a forte pressão da máfia branca que lucra milhões sugando o dinheiro daqueles que tem e, após esgota-los, os encaminham para a rede pública.
 
sergio oliveira em 19/09/2013 14:23:31
ISSO NÃO VEM AO CASO QUE CRIANÇA NÃO DA LUCRO,MEU FILHO TEM UNIMED PAGO UM ABSURDO POR ELE TER 2 ANOS DE IDADE E MESMO ASSIM O ATENDIMENTO NOS HOSPITAIS É DEMORADO E TD.....E AIII CRIANÇA NÃO DA LUCRO??????????????????SE VCS FOREM LÁ NO HOSPITAIS PARTICULARES QUE ATENDEM CRIANÇAS TODOS ALI DÃO LUCROS,MAIS O ATENDIMENTO É IGUAL DO SUS........VERDADEIRAMENTE A NOSSA SAUDE AQUI ESTA PRECARIAA...PQ NEM SAMU E NEM BOMBEIRO NÃO DA PRA CHAMAR MAISS,ELES PERGUNTAM TD QUE ELES TEM DIREITO PARA PODER IR ATÉ VCC.....É MAIS FACIL VC PEGAR UM CARRO E IR DIRETO PRA SANTA CASAA!QUE O ATENDIMENTO É MAIS RAPIDO!!!
 
CAMILA RIBEIRO em 19/09/2013 14:14:32
O velho ditado continua atual: criança, pobre e preto só servem para discursos políticos no pré-eleição; mesmos de candidatos médicos, muitos eleitos, até para executivos que aí estão construindo obras faraônicas , deixando prioridades não lembradas. Vejam os setores de urgência infantil no HR e HU: um fundo do poço, inclusive, invadido p/ macas com adultos. E novo PAM só com placa de urgência p/ adultos. Cuidado: professores e pediatras podem desaparecerem...
 
oswaldo Rodrigues em 19/09/2013 14:13:56
A burrocracia distancia o cliente do médico e as recepções de muitos serviços médicos colaboram. Só o Pediatra sabe que a evolução da doença na criança é muito rápida e se não atendê-la de imediato ela morre mesmo. O monstro cresceu tanto que a família não foi para o PSI-Santa Casa porque ali criou-se um paredão, triagem, que com frequência nega o atendimento; alguém, em sã consciência, acharia que a mãe levaria seu filho para passear no hospital?
 
Oswaldo Rodrigues em 19/09/2013 13:58:37
Existe muito cooperativismo na medicina, tudo para manter altos salários e baixa concorrência, o Governo investe altíssimo nos filhos da classe burguesa devido à desigualdade na formação educacional, onde o pobre acaba excluído em concorrência desleal, através de Universidades Públicas para não ter um retorno digno através do serviço público obrigatório. Isso tem que acabar! Médicos Estrangeiros já ou revalida para todos os médicos, inclusive os mais antigos que não se reciclaram.
 
Carlos Magno em 19/09/2013 13:25:24
É por isso que eu costumo dizer: enquanto o lucro for o objetivo das pessoas nunca teremos liberdade e igualdade. O dinheiro (que materializa a ganância) é a grande chaga da humanidade.
 
Anita Ramos em 19/09/2013 11:54:07
A citação do juramento é bastante pertinente. Embora esta versão esteja em desuso. Sugiro que leiam com atenção, pois o mesmo em nenhum momento afirma que o médico é sacerdote, que deve ser voluntário ou que deva aceitar trabalhar sob más condições de trabalho ou remuneração.
Há uma histeria coletiva social atualmente, patrocinada pelo Governo e acatada pela mídia, em culpabilizar o médico pelo caos na saúde. Certamente há maus médicos, como há em toda profissão. Há que se lembrar que o CRM é o conselho profissional que mais pune e exclui integrantes. Basta comparar com qualquer outro órgão de classe.
Os responsáveis pelo caos na saúde, senhores, são aqueles que arrecadam como nunca se arrecadou neste país e não suprem a saúde. Igualmente, quem culpabiliza os médicos pelo caos.
 
Wagner Luiz em 19/09/2013 11:48:10
Esta só acontecendo o que acontece em outras profissões também. Tenho um carro antigo e quero mandar repitar. Por inteiro. Visitei um monte de oficina de pintura e ninguém quer pegar. Só querem ganhar rápido, pintando só porta, para-lamas ou para-choque de carro batido ou arranhado (pago pela seguradora), mas nenhum profissional quer pegar um trabalho que custa mais tempo e da menos lucro. Ai, os médicos fazem a mesma coisa: querem se especializar num parte da profissão que é menos trabalhoso e da mais lucro e ai todos falam que não podem? Enquanto falta medico, cada um pode decidir em que área quer trabalhar para sustentar melhor a família e embora que não sou medico (e nem tenho na família), só estou observando que eles são humanos e agem da mesma forma que todos os outros profissionais..
 
Marcos da Silva em 19/09/2013 11:41:12
As pessoas que prestam vestibular para a área de saúde, seja qualquer uma, tem que entender que a área de saúde não é profissão para ficar rico, é profissão para quem tem talento para trabalhar na área e para quem tem compromisso com a vida, para quem tem amor pela vida , sem se importar se a pessoa tem ou não dinheiro, quem que apenas ganhar dinheiro e ficar rico sem se importar com a vida de ninguém a não ser a própria vida é melhor ser traficante. Ja viu um traficante se importar com a vida de alguém ?
 
mercia rosa em 19/09/2013 11:10:42
Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.
 
Silvio Silva em 19/09/2013 10:52:16
COMO O TEMPO MUDOU, HOJE É SÓ POR DINHEIRO CADÊ O JURAMENTO
Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder
 
Silvio Silva em 19/09/2013 10:52:01
Agora por conta disso vamos deixar as crianças morrerem ... isso é o cúmulo da falta de amor ao próximo e até mesmo pela profissão que faz um juramento de não deixar nenhum paciente desassistido, que espécie de médicos são esses? que visa somente dinheiro.. um absurdo...
 
Patricia Martins de Arruda em 19/09/2013 10:37:17
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