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Crise em fintech investigada chega a MS e vítimas relatam sumiço de milhões

Empresa prometia rendimento de até 2,5% e virou alvo de apuração após deixar clientes sem acesso ao dinheiro

Por Gabi Cenciarelli | 26/05/2026 17:01
Crise em fintech investigada chega a MS e vítimas relatam sumiço de milhões
Prédio da fintec Naskar Instituição de Pagamento Ltda. em São Paulo (Foto: Times Brasil)

Pelo menos quatro pessoas procuraram a polícia em Campo Grande para registrar denúncias de estelionato e apropriação indébita contra a fintech Naskar Instituição de Pagamento Ltda., empresa que passou a ser investigada nacionalmente após investidores relatarem interrupção de pagamentos, desaparecimento dos sócios e dificuldade de acesso ao dinheiro aplicado. Somados, os valores mencionados apenas nos quatro boletins registrados até agora ultrapassam R$ 4 milhões.

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Um médico otorrinolaringologista de Campo Grande registrou boletim de ocorrência após não conseguir resgatar mais de R$ 2 milhões investidos na fintech Naskar, investigada nacionalmente por interrupção de pagamentos e desaparecimento dos sócios. A empresa prometia rentabilidade de 2% ao mês e os prejuízos totais podem chegar a R$ 1 bilhão. Nem o Banco Central nem a CVM possuem registro da Naskar como instituição autorizada.

Só um médico otorrinolaringologista de Campo Grande afirma não conseguir resgatar mais de R$ 2 milhões aplicados. Os casos registrados em Mato Grosso do Sul se somam a denúncias feitas em diferentes estados do país e ampliam a crise envolvendo a companhia, que já é alvo de investigações policiais e ações judiciais envolvendo prejuízos milionários.

Conforme o boletim registrado na Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), o médico afirma que realizou diversos aportes financeiros atraído pela promessa de rentabilidade fixa de cerca de 2% ao mês, percentual que chegaria a 2,5% para aplicações superiores a R$ 2 milhões.

Segundo o relato, os investimentos eram acompanhados por meio de um aplicativo da própria empresa, que aparentava funcionamento normal. Os rendimentos prometidos eram reaplicados mensalmente e, conforme o saldo exibido na plataforma, os valores passaram de R$ 1,397 milhão para R$ 2,027 milhões.

O médico afirma, porém, que a empresa deixou de efetuar os pagamentos prometidos e passou a impedir saques e resgates. Ainda conforme o registro policial, o aplicativo saiu do ar e os endereços físicos ligados à fintech foram fechados sem aviso prévio aos clientes.

A vítima relata ainda que tentou contato pelos canais disponibilizados pela empresa, mas recebeu apenas mensagens genéricas alegando “problemas técnicos”, sem previsão para regularização ou devolução dos valores.

Além desse caso, outro médico de Campo Grande, de 43 anos, registrou ocorrência afirmando ter investido R$ 503,7 mil na plataforma após ser atraído pela mesma promessa de rendimento mensal. Segundo o boletim, ele também afirma que os pagamentos deixaram de ser feitos e que o aplicativo saiu do ar.

Um casal de empresários que mora em Campo Grande também procurou a polícia alegando aportes conjuntos de aproximadamente R$ 1,36 milhão na fintech. Conforme o registro, os dois afirmam que não conseguiram mais acessar os valores investidos após a interrupção dos pagamentos e a retirada do aplicativo das plataformas digitais.

Outro empresário relatou prejuízo de R$ 129,3 mil e afirmou que a empresa deixou de responder contatos após os problemas na plataforma.

Nacional - A crise envolvendo a Naskar ganhou repercussão nacional neste mês. Reportagem publicada pelo g1 DF informou que a Polícia Civil do Distrito Federal investiga denúncias de clientes que afirmam ter enfrentado dificuldades para acessar valores investidos, além de problemas no aplicativo e falta de respostas da empresa.

Segundo a publicação, a companhia norte-americana Azara Capital anunciou a aquisição da Naskar e informou que assumiria a auditoria junto aos investidores e a análise individual dos casos. A negociação envolveria também as empresas 7Trust e Next.

Em nota divulgada ao g1, a Naskar afirmou que iniciou “processo interno de auditoria” após identificar inconsistências na base de dados e disse que equipes técnicas seguem trabalhando na validação das informações.

Já a reportagem do Times Brasil/CNBC Brasil publicada em 12 de maio apontou que os prejuízos relatados por clientes podem chegar a R$ 1 bilhão. O veículo informou ainda que a fintech teria abandonado a sede oficial na Vila Olímpia, em São Paulo, meses antes da crise vir a público, além de encerrar simultaneamente filiais em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro.

Segundo a publicação, nem o Banco Central nem a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) possuem registro da Naskar como instituição autorizada a captar recursos de investidores.

No boletim registrado em Campo Grande, o médico pede investigação pelos crimes de estelionato e apropriação indébita. Ele informou possuir comprovantes de transferência, extratos bancários, contratos, capturas de tela do aplicativo e trocas de e-mails que devem ser apresentados às autoridades durante a investigação.

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