Maior desafio do Brasil é reduzir custo do dinheiro, afirma ministro da Fazenda
Durigan diz que reduzir os juros é essencial para destravar investimentos

O Brasil precisa se preparar para um mundo mais instável, menos globalizado e marcado pela disputa econômica entre as grandes potências. Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse desafio exige uma combinação que, segundo ele, deixou de ser ideológica para se tornar estratégica: responsabilidade fiscal, redução do custo do crédito, fortalecimento das instituições e uma política industrial capaz de proteger a produção nacional.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu em Campo Grande uma combinação de responsabilidade fiscal, redução dos juros, reforma tributária e política industrial para preparar o Brasil para um cenário global mais instável. Em visita à capital sul-mato-grossense, ele afirmou que o país não se desenvolve sem indústria e que o alto custo do crédito é o maior obstáculo econômico nacional.
A mensagem foi transmitida em Campo Grande, durante quinta e sexta-feira, quando ele se reuniu com empresários, sindicalistas, visitou órgãos governamentais, a sede do Campo Grande News, e fez palesta na Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). O ministro defendeu maior aproximação entre governo e iniciativa privada e afirmou que o país não conseguirá ampliar empregos qualificados nem agregar tecnologia à economia sem fortalecer a indústria.
- Leia Também
- Em visita à Sefaz, ministro defende reforma e destaca papel de MS na transição
- Durigan promete ouvir indústria para enfrentar "tarifaço" e juros altos
"O país não se desenvolve sem indústria", resumiu.
Segundo Durigan, a mudança de postura dos próprios Estados Unidos, que passaram a adotar medidas para proteger sua produção diante da concorrência chinesa, demonstra que o livre mercado absoluto deixou de ser a regra nas principais economias do mundo.
Na avaliação do ministro, o Brasil também precisará utilizar instrumentos como financiamento público, medidas antidumping e proteção comercial quando houver risco para cadeias produtivas estratégicas, como a indústria automotiva, de caminhões e de veículos elétricos.
Ao mesmo tempo, ele fez questão de afastar a ideia de um Estado excessivamente intervencionista. "O desafio é construir um Estado forte e uma iniciativa privada forte. Não existe desenvolvimento apenas com um dos lados", afirmou.
Juros são o principal obstáculo
Durigan classificou o alto custo do dinheiro como o maior problema econômico do país. Segundo ele, juros elevados prejudicam famílias, empresas, produtores rurais e até o próprio governo, ao encarecer o financiamento da dívida pública e reduzir os investimentos produtivos.
Na avaliação do ministro, o Brasil precisa criar condições para reduzir gradualmente o custo do crédito, permitindo que mais recursos sejam direcionados para investimentos em produção, inovação e geração de empregos, e não apenas para aplicações financeiras.
Ele também defendeu a continuidade do ajuste fiscal como condição para abrir espaço à queda dos juros e ampliar investimentos públicos em áreas consideradas estratégicas.
Reforma tributária e revisão de incentivos
Durigan classificou o atual sistema brasileiro como complexo, burocrático e incompatível com as necessidades de uma economia moderna. Segundo ele, embora a transição seja desafiadora, a simplificação tributária representa uma mudança estrutural necessária para aumentar a competitividade do país.
O ministro também justificou a revisão de benefícios fiscais federais, especialmente das subvenções concedidas a partir de incentivos estaduais de ICMS.
Segundo ele, incentivos federais precisam estar vinculados a investimentos efetivos e não podem servir apenas como renúncia tributária sem contrapartida econômica.
Contas públicas e programas sociais
Ao defender equilíbrio fiscal, Durigan afirmou que responsabilidade nas contas públicas não significa redução das políticas sociais.
Segundo ele, programas como o Bolsa Família devem permanecer como instrumentos permanentes de proteção social, mas precisam ser continuamente aperfeiçoados para estimular a inserção no mercado de trabalho e aumentar sua eficiência.
O ministro também afirmou que o governo evitou medidas fiscais de caráter eleitoral e defendeu que eventuais desonerações ocorram apenas de forma temporária e acompanhadas por compensações nas receitas públicas.
Instituições e segurança jurídica
Em um dos momentos mais enfáticos, Durigan afirmou que crescimento econômico depende da preservação das instituições democráticas e da segurança jurídica.
Ao comentar o caso do Banco Master, defendeu o fortalecimento dos órgãos de controle e alertou para o risco de enfraquecimento institucional.
Segundo ele, investidores nacionais e estrangeiros precisam ter previsibilidade e confiança no funcionamento do Judiciário e das demais instituições.
Para o ministro, discursos que atacam ou deslegitimam as instituições acabam comprometendo o ambiente de negócios e afastando investimentos.
Compromisso com a indústria
Durigan reafirmou que pretende ampliar o diálogo com o setor industrial e disse considerar a indústria elemento essencial para que o Brasil avance em tecnologia, inovação, produtividade e soberania econômica. "O Brasil não vai construir um projeto de desenvolvimento sustentável sem fortalecer sua base industrial", concluiu.

