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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

06/07/2012 17:27

De olho na redução de pena, presos trabalham em horta de presídio

Elverson Cardozo
Horta orgânica da Gameleira foi entregue na tarde desta sexta-feira. (Foto: Pedro Peralta)Horta orgânica da Gameleira foi entregue na tarde desta sexta-feira. (Foto: Pedro Peralta)
Área, de 1,3 hectare, está 80% ocupada. (Foto: Pedro Peralta)Área, de 1,3 hectare, está 80% ocupada. (Foto: Pedro Peralta)

Ricardo Dias Basques tem 39 anos e há 1 ano e 2 meses está no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, uma das unidades do regime semi-aberto instalado na saída para Sidrolândia, zona rural de Campo Grande.

Não está lá por acaso, mas por causa do crime que cometeu prefere dizer que é “uma coisa que ficou gravada no tempo e não há como tirar do papel”.

O silêncio que tanto guarda, ele também encontra na horta orgânica da Gameleira, entregue na tarde desta sexta-feira (6) pelo Senar-MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul).

Ricardo Dias é um dos internos que participa do projeto Vida Nova. Há pouco mais de um ano, duas semanas após ter sido declarado o mais novo “morador” da unidade, Ricardo - que até então era construtor civil - resolveu trabalhar na horta.

Uma forma que encontrou para fazer com o tempo de pena passe mais rápido, literalmente. A cada três dias trabalhados ele reduz um dos 13 anos e 10 meses a que foi condenado.

O diretor do presídio, Tarley Cândido Barbosa, concorda que a diminuição da pena seja um atrativo aos detentos, mas destaca a importância do projeto pela possibilidade de resgate da autoestima dos internos e a reintegração social.

A questão disciplinar, explicou, é um dos indicativos de que a iniciativa, que começou em 2010, funciona. O nível de evasão, sem comparado ao ano passado, caiu.

Locidio Leite Pereira, de 61 anos, é um dos trabalhadores. (Foto: Pedro Peralta)Locidio Leite Pereira, de 61 anos, é um dos trabalhadores. (Foto: Pedro Peralta)

De acordo com o diretor, dados revelam que, em 2011, o índice ficava na casa dos 71%. “Hoje não chega a 8,5%”, disse. “A mentalidade é outra”, declarou, se referindo à mudança de comportamento que observou nos detentos durante a implantação do projeto, que só funciona, segundo ele, se houver envolvimento externo.

Locídio Leite Pereira, de 61 anos, também está preso na Gameileira e trabalha na horta. Condenado há 28 anos por duplo homicídio, ele agora só pensa em pagar o que deve à justiça.

Quando sair, disse, pretende continuar exercendo ofício. “Eu quero mexer com horta”, afirmou, acrescentando que a prisão se tornou uma lição de vida, mas “a esperança é a última que morre”.

Superintendente do Senar, Clodoaldo Martins, afirmou que Mato Grosso do Sul foi o primeiro Estado a desenvolver o projeto que custou R$ 200 mil, em um convênio firmado pelo órgão e 2ª vara de execuções penais.

Em dois anos, 300 internos foram qualificados. Eles participaram de 12 cursos, um total de 428 horas/aulas teóricas e práticas. Agora, com a conclusão, o espaço fica sob a responsabilidade do presídio. A horta orgânica da Gameleira tem 1,3 hectares e está com 80% da área ocupada. A venda de produtos produzidos no local é revertida para os internos em forma de salário.

São apoiadores do projeto Vida Nova a Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul), Funar (Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural) e o Fórum de Campo Grande.

O Centro Penal Agroindustrial da Gameleira tem 540 detentos. A unidade prisional fica no quilômetro 455 da Estrada da Gameleira.

Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. (Foto: Elverson Cardozo)Centro Penal Agroindustrial da Gameleira. (Foto: Elverson Cardozo)
Unidade fica na zona rural de Campo Grande. (Foto: Elverson Cardozo)Unidade fica na zona rural de Campo Grande. (Foto: Elverson Cardozo)


abraços almeida, saliento que alem desta horta ainda temos mais uma outra e cinco oficinas de trabalho: fábrica de cadeiras de fios, reforma de macas e móveis de um grande hospital, serralheria. e fabricamos pavers para calçamento da própria unidade. Porém o mais importante e que a reestruturação do Centro Penal. sai a custo "zero" para a sociedade. Estamos ainda, em negociação com tres empresas.
 
tarley c. barbosa em 07/07/2012 09:58:49
Que sirva de exemplo p/ as demais unidades penitenciaria, não importa o regime tanto fechado quanto aberto o importante é que de atividade a esses detentos, para que eles saiam das prisão e volte a o convivio social, passando a ser util a sociedade e reduzindo assim seus custos p/ o Estado.
 
porfirio vilela em 07/07/2012 08:15:28
Isso não deveria valer para redução de pena.Todos os presos deveriam participar desse trabalho, pois ficam sem ocupação lá dentro, ao menos estariam fazendo algo de produtivo.
 
nelci costta em 07/07/2012 04:03:44
eu não acredito que estes presos quando sairem de la vão se redmir na certa vão é assaltar como antigamente faziam
 
edgar rocha rodovalho em 07/07/2012 03:38:15
OS GOVERNANTES PRECISAM INVESTIR MAIS NOS PROBLEMAS CRIMINAIS BRASILEIROS, POR EXEMPLO, LEI QUE VENHA A FAZER OS CONDENADOS, A EXERCEREM UM TRABALHO PARA PAGAMENTO DO CRIME, COMO? DANDO INCENTIVOS FISCAIS A EMPRESAS JURÍDICAS, QUE DEREM EMPREGOS A ELES, REDUÇÃO DE IMPOSTOS, SEJA PÚBLICAS OU PRIVADAS, FAZÊ-LOS, CUIDAR DAS FAMÍLIAS, NAS NOITES, NÃO COLOCÁ-LOS EM PRESÍDIOS, ATORMENTADOS E EXPLORADOS.
 
pedro braga em 07/07/2012 02:48:56
Parabens Tarley pelo trabalho que vem efetuando, cumprindo com as normas e pregando a filosofia de tratamento ao apenado coisa que esta se acabando no sistema penal, que Deus ilumine e acompanhe vc, abracos
 
eduardo de almeida em 06/07/2012 10:45:55
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