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Capital

Morre Deócles, pioneiro funerário que inaugurou a própria estátua em vida

Fundador da Pax Real do Brasil, empresário faleceu aos 90 anos nesta sexta-feira

Por Kamila Alcântara | 22/05/2026 18:30
Morre Deócles, pioneiro funerário que inaugurou a própria estátua em vida
Deócles José Ferreira, em entrevista ao Campo Grande, quando tinha 81 anos (Foto: Paulo Francis)

Morreu na tarde desta sexta-feira (22), em Campo Grande, o empresário Deócles José Ferreira, fundador da Pax Real do Brasil e nome ligado à história do setor funerário na Capital. Ele tinha 90 anos e estava internado desde o dia 13, após uma infecção urinária que agravou um quadro de saúde já debilitado pela idade.

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Morreu nesta sexta-feira (22), em Campo Grande, o empresário Deócles José Ferreira, fundador da Pax Real do Brasil, aos 90 anos. Ele estava internado desde o dia 13 com uma infecção urinária que agravou sua saúde debilitada. Mineiro de origem, chegou à Capital no fim dos anos 1970 e fundou a empresa em 1979. O velório ocorre neste sábado, a partir das 7h, com sepultamento às 16h.

Segundo o filho, o jornalista João Paulo Ferreira, de 37 anos, Deócles vinha enfrentando “variados problemas” nos últimos anos, mas permaneceu lúcido até o fim. “Ele tinha uns dez problemas e a gente ia manejando. Esteve lúcido até o fim. Internou quarta da outra semana, dia 13, com uma infecção de urina. Coisa besta, mas nessa idade, já com a saúde debilitada, escalona tudo muito rápido”, contou.

João Paulo explicou que a infecção não foi a causa direta da morte, mas acabou enfraquecendo o pai. “Não foi a infecção que o matou. A infecção deixou ele fraco. Aí ele enfraqueceu bem, até que descansou hoje logo após o almoço”, disse.

Mineiro de origem e campo-grandense por escolha, Deócles chegou à Capital no fim da década de 1970, quando o serviço funerário ainda enfrentava resistência de parte da população. Em 1979, fundou a Pax Real do Brasil, após meses tentando convencer moradores de que plano funerário não era mau presságio, mas uma forma de amparo em um dos momentos mais difíceis da vida.

A trajetória foi contada pelo próprio empresário ao Campo Grande News em 2017, quando ele revelou a história por trás de uma estátua de bronze instalada no cemitério Memorial Park. A obra, com mais de 300 quilos e 1,60 metro de altura, foi encomendada por ele mesmo para deixar como lembrança à família depois de sua morte. Os netos, porém, o convenceram a inaugurar a homenagem ainda em vida.

A estátua mostra Deócles sorrindo, segurando uma pasta. Dentro dela, segundo ele contou na época, estava a lembrança simbólica do primeiro contrato fechado, em 21 de março de 1979, depois de três meses batendo de porta em porta. “Ali nasceu a Pax Real do Brasil”, disse na entrevista.

Naquele relato, Deócles também contou que ouviu xingamentos e enfrentou portas fechadas até conseguir firmar o primeiro plano de assistência funerária. “Imagina como era naquele tempo chegar na casa de uma família oferecendo um caixão e assistência na hora da morte. As pessoas não aceitavam, pensavam que eu estava indo à casa delas gorar a vida”, afirmou à época.

Morre Deócles, pioneiro funerário que inaugurou a própria estátua em vida
Estátua é preservada com todo carinho pela família e virou atração em cemitério (Foto: Arquivo)

Para o filho, a despedida tem um peso simbólico ainda maior justamente porque Deócles construiu a vida profissional ajudando outras famílias a enfrentarem despedidas. Mesmo assim, a experiência de décadas não diminuiu a dor.

“Dolorido como se fosse surpresa. A gente tenta se preparar. A gente trabalha com isso há 46 anos. Mas na hora que chega, não adianta de nada. Dói como se fosse uma morte súbita”, afirmou João Paulo.

Apesar da dor, ele resume o sentimento da família em orgulho. “Fica o sentimento de orgulho por ter sido parte da história de um grande homem. Uma honra para nós. Fica o exemplo do homem que conquistou o mundo com o próprio suor e honestidade”, disse.

João Paulo também lembrou a origem humilde do pai, que começou a trabalhar ainda criança. “Começou a trabalhar com 7 anos vendendo lavagem e esterco, e se tornou um dos empresários mais marcantes que Campo Grande já viu. Chegou em Campo Grande com um carro velho, a esposa, quatro filhos e um sonho. Hoje parte com um império construído do chão. Só fica orgulho e saudade”, completou.

Pai de sete filhos, avô e bisavô, Deócles dizia que não queria ser lembrado apenas pelo patrimônio, mas pela honestidade e pela perseverança. Em 2017, ao falar da própria estátua, resumiu o motivo de ter escolhido contar a própria história ainda em vida: “toda história merece ser contada e bem contada. Principalmente para que minhas gerações tenham uma boa lembrança”.

O velório está marcado para às 8h30, no Cemitério Memorial Park, assim como é sepultamento, às 17h30. Endereço: Rua Francisco dos Anjos, 442 – Universitário.

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