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Diversão

No segundo dia de desfiles, Vila Carvalho sai do desfile como preferida

Por Paula Maciulevicius | 20/02/2012 09:00

Cinco escolas entraram na avenida neste domingo mostrando o esforço para fazer um Carnaval bonito, apesar das dificuldades

Silvia Constantino, rainha de bateria e a própria bateria da verde, rosa e branco. (Fotos: João Garrigó)
Silvia Constantino, rainha de bateria e a própria bateria da verde, rosa e branco. (Fotos: João Garrigó)

O público até podia não ser o mesmo do início, mas nem por isso ela deixou de brilhar. Quando a escola Unidos da Vila Carvalho, última a se apresentar, entrou na avenida, não precisa nem falar, ela é a preferida.

Enquanto a comissão de frente dava os primeiros passos, o relógio já marcava mais de 4h da manhã e o público, bem menor do que o 3,5 mil iniciais, mas fiel a escola do coração.

No meio da avenida, com os olhos vidrados, estava a produtora Carla Garcia, 38 anos, a olhar... O que ela mesma faz questão de falar "estou aqui para ver os fogos e a entrada. Eu sou Vila Carvalho", respondeu.

Mas, ela é suspeita para falar, é filha do presidente José Carlos. E foi ele quem deu as primeiras coordenadas quando a escola começou a entrar. Em alto, bom som e voz inconfundível ele gritou "alô minha comunidade, aqui é o presidente que vos fala". A partir de ali a ordem de levar a alegria do samba já havia sido dada.

Com cerca de 600 passistas, a maior escola de samba de Campo Grande deu às caras com o tema "Do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande à cidade Morena - Capital de encantos espalhados por todos seus cantos.

A primeira das 10 alas, contava a chegada de José Antônio Pereira ao arraial. A interpretação dos trabalhadores na terra era perfeita. Com caras e bocas eles transmitiam a alegria de ver tudo pela primeira vez.

Mestre-sala e porta-bandeira na avenida, os últimos a entrarem em cena nesta noite.
Mestre-sala e porta-bandeira na avenida, os últimos a entrarem em cena nesta noite.

O samba enredo narrava o que as alas mostravam. Da chegada de José Antônio Pereira, aos índios, belezas do Cerrado, pecuária e a lida no gado, influência do Sertanejo sobre o povo de Campo Grande, assim como a influência paraguaia, com o tereré, aos velhos Carnavais no Rádio Clube, onde o símbolo máxima era Pierrot. O final da história eram os marcos da cidade, trem de ferro, relógio da 14, praça Ary Coelho, Feira Central e cinemas.

A escola passava com suas alas lotadas e os quatro carros alegóricos preparados para o desfile. Mesmo tarde, a apresentação conseguiu tirar o fôlego de quem estava lá, só esperando para ver a Vila Carvalho desfilar.

"Está maravilhoso, eu sou daqui e desfilei já pela Vila Carvalho, estava esperando para ver ela entrar", conta o folião André Luiz Jesus, 30 anos.

Com dedicação equivalente à da Carvalho e brilho nos pés, a escola Os Catedráticos do Samba, foi a quarta e penúltima a entrar na avenida. O colorido das fantasias, o monstruoso carro alegórico do Mercadão Municipal enchiam os olhos.

Nem parecia que a escola havia perdido parte do trabalho com a chuva da última sexta-feira, data prevista para os desfiles das cinco escolas que se apresentaram neste domingo.

Homenagem ao pastel, peixe, frutas e à quem tira seu sustento do Mercadão.
Homenagem ao pastel, peixe, frutas e à quem tira seu sustento do Mercadão.

Com o samba enredo "Mercadão Municipal Antônio Valente - tem mel, pimenta, farinha. Tem queijo, peixe e pastel, temperos, aromas e sabor. Tem cultura de montão, é a história do Mercadão, vamos chegar freguesia", eles entraram com toda pompa e classe. Eram oito alas e quatro carros alegóricos que contavam a vida do Mercado Municipal de Campo Grande. A comida, as delícias e a cultura, tão bem feitos que dava água na boca.

A comissão de frente entrou com a miscigenação de um povo representado pela colônia japonesa, a maioria dos comerciantes do estabelecimento.

Entre hortaliças, queijo, peixe e frutas tropicais, o primeiro casal de porta-bandeira e mestre-sala era composto pela policial Maria Campos, que vestia uma fantasia exuberante, toda dourada.

A empolgação era tamanha, em média pouco mais de 200 passistas tomavam conta da avenida. "Vamos chegar freguesia neste Carnaval, os Catedráticos do Samba trazem para a avenida o Mercadão Municipal", cantavam.

O mais curioso e que saltava aos olhos era que até então, Os Catedráticos foram a escola onde a maioria, se não todos os passistas cantavam o samba. Não só sabiam a letra, como gritavam de coração.

"Vamos chegar freguesia neste Carnaval, os Catedráticos do Samba trazem para a avenida o Mercadão Municipal".
"Vamos chegar freguesia neste Carnaval, os Catedráticos do Samba trazem para a avenida o Mercadão Municipal".

Fato que não passou desapercebido pelo público. "Vim para olhar tudo. Até agora o que eu mais gostei foi o Catedráticos", conta a vendedora Reni Paula da Silva, 42 anos.

Os foliões começaram a deixar a Praça do Papa após a terceira apresentação. O desfile do GRES Aero Rancho, "De janeiro a janeiro, faço festa o ano inteiro", trouxe à avenida a sensação de passar por um ano inteiro sem sair de um só dia.

Alinhados, os passistas começavam com os arautos anunciando um novo ano e o casal de mestre-sala e porta-bandeira em dia de Reis.

Em seguida era o Carnaval falando do próprio Carnaval, seguido da ala mais divertida entre as sete, da Páscoa. Com os passistas com orelhas de Coelho e ovos de chocolates pregados à fantasia.

Depois da Páscoa, veio a comemoração do Dia do Índio, o Descobrimento do Brasil, Dia do Trabalhador, Abolição da Escravatura, Festa Junina, Dia das Crianças, Haloween, até a passagem do Bom Velhinho no terceiro e último carro alegórico.

"De janeiro a janeiro, faço festa o ano inteiro", da escola do Aero Rancho.
"De janeiro a janeiro, faço festa o ano inteiro", da escola do Aero Rancho.
Um ano todo em um só dia. Escola trouxe para avenida da Páscoa ao Natal.
Um ano todo em um só dia. Escola trouxe para avenida da Páscoa ao Natal.

O samba "Quero extravazar para começar feliz o Ano Novo, é Reveillon, vamos comemorar", foi cantado e encenado por 230 passistas, segundo informou a escola.

Uma das prejudicadas por conta do cancelamento do desfile na noite de sexta, a diretora Maria Benites, 50 anos, os carros alegóricos não estragaram, mas o resultado foram foliões que com a mudança da programação, desistiram de participar. "Tínhamos 250, entramos com 230", reforça.

Segundo a diretora, a escolha de entrar na avenida com um ano começando é para entrar no Carnaval 2012 com o pé direito.

Com mais simplicidade, as primeiras a desfilarem na Praça do Papa não marcaram presença. Deram o seu melhor, principalmente a Estação Primeira de Taquarussu, com o tema "Do lamento da dor ao esplendor da Liberdade", a escola voltou a ativa depois de 4 anos parada e não fez feio.

Estava composta de seis alas e quatro carros alegóricos para contar desde a chegada dos navios negreiros no Brasil, na época em que os índios eram os senhores da terra, até a abolição da escravatura, passando pela poesia de Castro Alves.

Animação com chocalho: "é a primeira vez, eu gostei e eu quero tudo de novo".
Animação com chocalho: "é a primeira vez, eu gostei e eu quero tudo de novo".

"Vem meu povo, vem cantar esbanjando esplendor, minha escola vai passar", dizia parte do samba, muito bem conduzido pelas crianças. Lucas Vinícius, 10 anos, era um dos primeiros a puxar o chocalho.

Em 30 minutos de apresentação, ele não parou um segundo se quer. "É a primeira vez, eu gostei e eu quero tudo de novo", dizia ele no final do desfile.

A homenagem da escola Os Herdeiros do Samba foi para todas as outras participantes. Com nove garças, eles abriram o desfile representando cada escola, na cor do bico da ave.

Como o nome mesmo já diz, os herdeiros eram crianças, responsáveis pelo Carnaval de amanhã. Apesar da humildade de uma dúzia de meninos desfilando, o samba enredo causava impacto "Eu defendo uma cultura, eu sou herdeiro. Eis aqui o meu enredo, podes ver não tem segredo".

Simples, mas sorridentes e transmitindo a alegria do Carnaval. Casal da Estação Primeira de Taquarussu.
Simples, mas sorridentes e transmitindo a alegria do Carnaval. Casal da Estação Primeira de Taquarussu.
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