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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

25/07/2017 18:10

Dor de Janete já foi sentida por Eliane, que há 10 anos luta por justiça

Eliane teve o filho, Dudu, de 10 anos, assassinado em 2007 e hoje compartilha a dor de Janete, que perdeu Kauan recentemente

Luana Rodrigues e Adriano Fernandes
Eliane Aparecida Nascimento Martins, mãe de luiz Eduardo, o Dudu. (Foto: Marcos Ermínio)Eliane Aparecida Nascimento Martins, mãe de luiz Eduardo, o Dudu. (Foto: Marcos Ermínio)

A dor e o sofrimento que hoje tomam conta do coração de Janete dos Santos Andrade, 35 anos - a mãe do menino Kauan Andrade Soares dos Santos, 9 anos, que ao que a polícia indica, foi estuprado até a morte - há 10 anos foi sentida pela dona de casa Eliane Aparecida Nascimento Martins, 42 anos, mãe de Luiz Eduardo Martins Gonçalves, o Dudu, que também morreu depois de uma sessão de tortura e espancamento.

Janete dos Santos Andrade, mãe de Kauan. (Foto: Marcos Ermínio)Janete dos Santos Andrade, mãe de Kauan. (Foto: Marcos Ermínio)

Eliane, que ainda vive no mesmo bairro de quando perdeu o filho, conta que foi impossível não se lembrar do que passou e, ao mesmo tempo, solidarizar-se à outra mãe, ao saber do caso de Kauan. “Eu queria poder abraçá-la, conversar com ela. Dizer para que agora é hora de tirar forças de onde não tem, erguer a cabeça e lutar pro Justiça”, diz.

E é mesmo difícil não se recordar do crime que tirou a vida de Dudu ao ouvir a história mais recente. Assim como o caso de Kauan, a morte do menino de dez anos só veio a tona depois dele ficar desaparecido por bastante tempo e também envolveu adolescentes.

O caso, que começou a ser investigado em 2007, só foi desvendado em 2009, depois do testemunho dos próprios vizinhos, que por muito tempo se calaram. E o crime ganhou repercussão não só por envolver uma criança. Trapalhadas da polícia fizeram a fama da investigação. As buscas ao menino demoraram a começar por conta do feriado de fim de ano. Quando os investigadores resolveram agir, já não havia sinais dele.

Quinze meses depois, o caso voltou à tona porque um adolescente comentou dentro de uma Unei (Unidade Educacional de Internação) que havia participado do crime, que foi motivado por vingança contra a mãe de Dudu, ex-namorada de um dos autores. O adolescente foi quem levou a polícia até o local onde o garoto foi enterrado.

“A gente passa por dois momentos de muita dor. Primeiro por não saber o que da fato aconteceu e depois quando tudo é descoberto. É muito triste”, lembra a mãe.

Atualmente, apenas dois dos quatro envolvidos no crime continuam presos. O jovem Holly Lee e José Aparecido Bispo da Silva, que é apontado como o mandante do crime, pois era ele o ex-namorado da mãe do garoto.

Ali, na rua dos fundos da casa de Eliane, ainda moram dois dos acusados de participação no crime, que chegaram a ser presos ainda adolescentes, e agora estão em liberdade. Cruzar com eles se tornou um tormento inevitável. Dor, revolta, impotência e mais um misto de sentimentos dolorosos é o que a mãe diz sentir, toda vez que vê os dois soltos.

“Eu me sinto inútil ao ver eles andando pela rua ou no supermercado, aparentemente tão bem e eu sem poder fazer nada. Saber que a mãe deles também vive ali e faz de conta que nada aconteceu. O rancor de aceitar a convivência de todos na mesma vila retorna toda vez que eu os vejo”, já havia comentado anteriormente em reportagem ao Campo Grande News. 

Não bastasse isto, Lee e Aparecido também podem ser soltos. Eles entraram com pedidos de revisão de pena. Passaram por exames psicológicos e agora, depois de permanecerem presos por menos de sete anos, aguardam decisão da Justiça sobre liberdade.

"Se depender de mim, eles nunca vão sair da cadeia. Eu vou continuar lutando, porque eles oferecem um risco. Não para mim ou para o Roberto (pai de Dudu), mas para nossa família. Eu tenho outros filhos e desse tempo para cá já tive quatro netos, então eles podem sim fazer qualquer coisa contra minha família", diz Eliane.

Para a mãe de Kauan, a dona de casa deixa um recado. "Que ela não desista. Levante a cabeça e vá a luta para condenar quem matou o filho dela", finaliza.

Luiz Eduardo, 10 anos, torturado até a morte. (Foto: Arquivo pessoal)Luiz Eduardo, 10 anos, torturado até a morte. (Foto: Arquivo pessoal)

Morte Dudu - Quinze meses depois, o caso voltou à tona porque um adolescente comentou dentro de uma Unei que havia participado do crime. Depois, levou a polícia até o local onde o garoto foi enterrado.

De acordo com o inquérito, dois adolescentes, o jovem Holly Lee e Cido espancaram Dudu até a morte na noite do dia 22 de dezembro de 2007. Um sábado, por volta de 23h30.

Cada um dos envolvidos no espancamento ganhou R$ 100,00, pagos por Cido.

Eles começaram a bater em Dudu na rua, continuaram o espancando na casa de Cido e finalizaram com a morte, em um terreno baldio. A cena foi testemunhada por Maria de Fátima, a Marlene. O motivo seria vingança contra a mãe de Dudu, ex-namorada de Aparecido.

A vizinha só contou a verdade quando a Polícia já havia esclarecido o crime e disse que era ameaçada de morte por Cido.

Kauan, 9 anos, estuprado até a morte, segundo a polícia. (Foto: Arquivo Pessoal)Kauan, 9 anos, estuprado até a morte, segundo a polícia. (Foto: Arquivo Pessoal)

Sumiço Kauan - Conforme apurou a polícia, Kauan morreu no dia 25 de junho, dia em que saiu de casa para brincar e não voltou. O testemunho de um adolescente, de 14 anos, que teria levado Kauan até a casa do estuprador, norteou a investigação. No início da noite daquele dia, a criança estava a cerca de 3 km de casa, na Coophavilla 2 – bairro do sudoeste da cidade, onde o suspeito, um homem de 38 anos, mora.

Segundo o adolescente, quando o homem começou a violentar a criança, o menino se debatia, chorava bastante e gritava muito. Por isso, o suspeito pediu para o adolescente segurar o garoto enquanto ele tapava a boca do menino com a mão.

Minutos depois, Kauan parou de se debater e começou a sangrar pela boca. Foi quando o pedófilo e o adolescente constataram a morte, resolveram se livrar do corpo, o colocaram em um saco preto e atiraram no rio Anhanduí.

O suspeito, que diz ser professor, mas seria revendedor de celulares, nega ter cometido o crime. A polícia investiga se ele fez outras vítimas e ainda busca pelo corpo de Kauan, mas já trabalha com a certeza de que o menino foi assassinado.




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