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Capital

“Ela era tudo pra mim”, diz mãe de professora morta por ex-guarda municipal

O ex-guarda municipal Valtenir Pereira da Silva é julgado nesta quinta-feira por duplo homicídio

Viviane Oliveira e Bruna Marques | 05/05/2022 09:40
Dona Marisa um pouco antes de entrar no plenário, onde será julgado o assassino da filha. (Foto: Henrique Kawaminami)
Dona Marisa um pouco antes de entrar no plenário, onde será julgado o assassino da filha. (Foto: Henrique Kawaminami)

“Mudou tudo na minha vida desde a partida dela”, disse muito emocionada a cuidadora de idosos Marisa Rodrigues da Silva, 52 anos, mãe de Maxelline da Silva dos Santos, de 28 anos, professora que foi morta a tiros pelo ex-namorado Valtenir Pereira da Silva, ex-guarda municipal. O crime aconteceu na noite do dia 29 de fevereiro de 2020, em Campo Grande.

Quando foi entrevistada pela manhã, Marisa, na companhia de parentes e amigos, se preparava para entrar no plenário e encarar o assassino da filha. Valtenir será julgado na 1ª Vara do Tribunal do Júri, por duplo homicídio, pela morte da ex-namorada e do amigo dela, Steferson Batista de Souza.

Segundo Marisa, Maxelline era a filha do meio, a única mulher. “Ela morava sozinha, era professora. Já ele [Valtenir] era muito quieto, mas muito atencioso. Ele almoçava no meu pai aos domingos e sempre foi acolhido pela nossa família”, disse.

Ao ser indagada se sabia de alguma coisa sobre o relacionamento dos dois, Marisa contou que a filha de vez em quando fazia prints das mensagens que ele mandava para ela. Teve um dia que ela mandou mensagem dizendo que ele havia jogado a aliança na testa dela e a imprensado contra a parede. “Ela era muito decidida, quando decidiu terminar, foi definitivo. Jamais esperávamos que ele fosse fazer isso, porque não esboçava nada, era quieto”.

Conforme Marisa, quando soube da morte da filha “foi desesperador”. “Fiquei desolada, espero pena máxima para ele e que seja cumprida pela minha filha e por todas as outras mulheres que foram mortas pelos companheiros. Que a lei olhe para isso com mais cuidado. Nossas mulheres estão indo”, lamentou.

A mãe lembrou que, na ocasião, quando passou a sofrer ameaças e ser perseguida pelo ex, Maxelline fez boletim de ocorrência e pediu medida protetiva. “A partir do momento que ela pediu medida protetiva, ela sabia que ele poderia fazer qualquer coisa”. Ela ainda avisou a família para tomar cuidado com Valtenir, porque havia terminado o namoro. Com medo, a professora passou a ir trabalhar de ônibus, com receio de Valtenir a perseguir e jogar o carro contra a motocicleta dela.

“Ela era tudo pra mim, tinha vários amigos, era querida, sorridente. Ela não vai voltar, por mais que a pena dele seja máxima, não vai trazer minha filha de volta. Minha filha foi perfeita, fez tudo o que podia fazer, registrou boletim de ocorrência, pediu medida protetiva”, disse. Marisa também lembrou de Sterson Batista, que foi morto no mesmo dia que a filha. “Ele não tinha nada a ver, deixou duas crianças”, lamentou.

Caso - O duplo homicídio aconteceu no Loteamento Nova Serrana, na Capital. Conforme a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Valtenir, descumprindo medida protetiva, procurou a ex-namorada, que participava de churrasco na casa dos amigos.

Maxelline foi conversar com o ex, mas o diálogo virou discussão e Camila Bispo - amiga de Maxelline - tentou acalmar os ânimos. Porém, ele empunhou a arma de fogo, Camila saiu correndo, mas mesmo assim foi atingida nas costas. Steferson Batista de Souza, 32 anos, marido de Camila, saiu do imóvel para ver o que estava acontecendo e foi morto. Em depoimento, ele disse que ficou “pilhado” quando chegou à casa da amiga da ex-namorada.

Camila é uma das pessoas que acompanham o julgamento de Valtenir no Tribunal do Júri. No dia 20 de fevereiro deste ano, a família de Maxelline protestou em frente à Casa da Mulher Brasileira para pedir celeridade à Justiça. Um mês após protesto, o júri do ex-guarda foi marcado.

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