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Capital

"Ele tirou o direito do Miguel crescer", diz mãe de menino morto a tiro

Por Nadyenka Castro | 02/03/2012 12:04

Patrícia Ribeiro Alves dos Santos, 28 anos, acompanha o julgamento do homem que matou o filho dela, Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho. A criança foi vítima de bala perdida

Patrícia acompanha júri do homem que matou o filho dela. (Foto: Marlon Ganassin)
Patrícia acompanha júri do homem que matou o filho dela. (Foto: Marlon Ganassin)

A estudante de Direito Patrícia Ribeiro Alves dos Santos, 28 anos, acompanha, novamente, nesta sexta-feira, o julgamento do homem que matou o filho dela, no fim da tarde do dia 4 de abril de 2009, na Moreninha II, em Campo Grande.

Após ser ouvida em juízo e reafirmar que foi Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho quem matou o filho dela, Patrícia conversou com o Campo Grande News e, com lágrimas nos olhos, desabafou. “Ele tirou o direito do Miguel crescer, de ser um homem de bem. Tirou todos os meus direitos de ser mãe do Miguel”.

Era pouco mais de 17 horas do dia 4 de abril de 2009. Patrícia estava com Miguel, dois filhos e a enteada esperando o marido no ponto onde ele trabalha como mototaxista.

De repente, conta ela, ao guardar alimentos no carro, viu dois rapazes em uma motocicleta atirando contra outro que estava a pé. Os filhos dela correram, mesmo assim Miguel foi atingido.

“No primeiro tiro que o Phellipe deu ele matou o meu filho”, conta Patrícia que inicialmente não viu o filho ferido. “Como meus filhos correram, eu pensei que não tivessem sido atingidos e fixei a visão no rapaz que atirou. Ele estava com a viseira do capacete levantada”.

Patrícia lembra que quando os autores fugiram ela pegou o celular para chamar a Polícia, mas, foi alertada por um colega do marido que o filho havia sido atingido. “Nessa hora eu perdi o chão”, lembra. Ela então levou o menino ao posto de saúde da Moreninha e em seguida ele foi transferido para a Santa Casa, onde morreu.

Após a morte do filho, Patrícia começou a estudar Direito e teve mais um filho, que completou um ano mês passado. Sobre o autor dos tiros ela afirma. “Ele [Phellipe] é uma pessoa perigosa. E pessoa perigosa não pode conviver em sociedade”.

“Se ele ficar preso é um assassino a menos. É uma mãe, duas mães a menos que vai chorar”, fala Patrícia, emocionada. “Sei que nada vai trazer o meu filho de volta, mas a justiça precisa ser feita porque assim como aconteceu com ele poderia ter sido o filho de qualquer outra pessoa”.

Phellipe está foragido. Ele foi preso poucos dias após o crime e condenado a nove anos, 11 meses e 25 dias de prisão em júri realizado em novembro de 2010, o qual foi anulado por questões técnicas e por isso outro é realizado nesta sexta-feira. Phellipe conseguiu progressão de pena e no fim do ano passado fugiu do regime semiaberto.

O outro apontado como envolvido no crime, Wesley Fabiano Dronov de Souza se apresentou em setembro de 2010 e confessou o crime. Dois meses depois foi condenado e está preso. Nesta sexta-feira ele disse que não pilotava a moto, apontou a pessoa de nome Cesar como condutor do veículo que tinha Phellipe como passageiro e disse que fez a confissão porque foi ameaçado de morte.

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