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Campo Grande, Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

25/09/2012 18:15

Em grupo de apoio, famílias dividem drama e trocam experiências sobre drogas

Mariana Lopes
 Em grupo de apoio, famílias dividem drama e trocam experiências sobre drogas
Na sede do Amor Exigente, famílias compartilham dramas parecidos em grupo de apoio (Fotos: Minamar Júnior)Na sede do "Amor Exigente", famílias compartilham dramas parecidos em grupo de apoio (Fotos: Minamar Júnior)
Há 16 anos no Amor Exigente, Fernando traz na memória inúmeros casos de famílias que deram a volta por cima (Foto: Minamar Júnior)Há 16 anos no "Amor Exigente", Fernando traz na memória inúmeros casos de famílias que deram a volta por cima (Foto: Minamar Júnior)

Droga. Uma palavra que gera preconceito, medo, curiosidade, mas quando ela entra pela porta de uma casa, o sentimento que prevalece é o de impotência, deixando algumas famílias sem saber como lidar com o drama de ver um filho ser consumido pela dependência.

Na oitava reportagem da série sobre o flagelo das drogas, o Campo Grande News mostra o trabalho do grupo "Amor Exigente", realizado por voluntários que oferecem ajuda às famílias de usuários que não sabem como ajudá-los a encontrar a porta de saída da situação e acabam sofrendo as consequências da dependência química.

Diante das drogas, quem vê o problema de longe ou até mesmo de perto, tem logo uma resposta pronta: clínica de recuperação. Porém, no Amor Exigente, o foco é trabalhar justamente a família, oferecendo apoio psicológico para que, então, ela possa ajudar o dependente.

Lá não tem uma receita pronta, tudo faz parte de um processo, que é desenvolvido paralelamente com o tratamento do usuário. O que o grupo faz é oferecer estabilidade emocional às famílias, que precisam estar preparadas para receber o dependente de forma diferente após o tratamento.

“É um grupo que troca experiências, muitas mães vêm aqui para buscar ajuda e para saber como ajudar o filho, mas depois que consegue interná-lo, é importante continuar o acompanhamento para saber como lidar com ele quando sair da clínica”, explica o coordenador regional do Amor Exigente, Fernando Orempuller Pulchério.

Na entrada da recepção da sede, um cartaz explica muito bem a filosofia do grupo. “O teu amor sem exigência, me humilha. A tua exigência sem amor, me revolta. O teu amor exigente me engrandece”.

Apesar de ser advogado e ex-militar, Fernando tem diploma de experiência de vida, que conquistou durante os 16 anos que atua no grupo. Ele conta que o mais difícil é mudar o comportamento.

Na bolsa, Iracema carrega um pôster com fotos que contam a trajetória do filho. (Foto: Minamar Júnior)Na bolsa, Iracema carrega um pôster com fotos que contam a trajetória do filho. (Foto: Minamar Júnior)

Resultado - Há quem desconfie do método e da eficácia do Amor Exigente, mas o fato é que o grupo conta com 40 voluntários e praticamente 100% deles são pessoas que um dia foram lá buscar ajuda e hoje testemunham a própria vitória.

Exemplo de um desses casos é o da cabeleireira Iracema Serafim, 51 anos. O filho dela conheceu o mundo das drogas ainda criança, com apenas 9 anos. O menino começou fazendo com que a maconha chegasse dentro da escola, onde já havia os “clientes” certos.

Daí foi um pulo para consumo e o vício, que duraram oito anos. Quando o filho estava com 17 anos, Iracema resolveu procurar ajuda. Esgotada de tentativas vãs e no limite da dor por ver o filho se acabando nas drogas, ela foi atrás do Amor Exigente, e em pouco tempo teve forças para dar um “cheque-mate” na situação.

“Como ele era menor de idade, não podia colocá-lo para fora de casa, mas fui dura e disse que a partir dali era com ele, não daria mais meu apoio para nada”, lembra. Iracema conta que foi assim que a ficha do filho caiu, ao se ver sozinho.

Ele se tratou em uma clínica de recuperação e hoje, com 25 anos, mora no Paraná, tem uma dupla sertaneja e faz shows pelo Brasil. Na bolsa, Iracema carrega um pôster com fotos que contam a trajetória do filho, com fases de antes, durante e depois das drogas.

Histórias parecidas com a de Iracema passam diariamente pelos grupos do Amor Exigente. Embora não exista um cadastro que dê números exatos de quantos “finais felizes” o grupo coleciona, Fernando é capaz de puxar da memória inúmeros casos de famílias que deram a volta por cima e hoje vivem longe das drogas.

A sede do Amor Exigente fica na rua Senador Ponce, número 569, no bairro Monte Líbano, em Campo Grande. O telefone de lá é o 3026-4404.



a situaçao dos familiares e tao dificil quando deparamos com essa realidade de filho usando drogas, eles usam cada vez mais e mais e ficamos de maos atadas, buscando uma soluçao e as vezes nao encontra. estou nesta ha +- 13 anos, o meu familiar esta preso em consequencia das drogas. eu creio no tempo do senhor; eclesiaste 3, v 1 a 5:
 
neusa pereira de campos em 04/10/2012 21:17:16
Quero parabenizar ao Campo Grande News por esta serie de reportagem, tenho lido diariamente e acredito que tenha ajudado muitas pessoas, creio que a informação é um meio de prevenção e espero que toque muitos jovens para não entrarem nesse mundo destrutivo de tanta dor e sofrimento. Que Deus continue abençoando as familias do nosso Brasil.
 
Suéllen Silva em 26/09/2012 10:35:21
Penso no livre arbitio, todos podem fazer aquilo que quiserem nesse mundo de Deus, o homem e livre, e peloq ue sei ninguem colocou arma na cebaças desses usuario. os mesmos possuem familias acolhedoras, que deram apoio em tudo na vida, e mesmo assim entraram no mundo das drogas. Entao creio que esse é o preço para os que nao deram valor na suas familias> Tenho apenas dó de suas familias.
 
marcelo Campos em 26/09/2012 09:32:14
Parabéns Sr. Fernando, e a todas as Clínicas de tratamento a dependentes químicos. Deixo aqui em especial a Entidade ABRAÇO, que encerrou suas atividades em dezembro/11, por falta de recursos. A ABRAÇO, desempenhou suas atividades desde o ano de 1986(25 anos). Vi quantos dependentes foram recuperados e voltaram ao convício social.Tenho certeza que ficou na lembraça,e na gratidão de seus famíliares
 
Norma Sueli Dubian do Nascimento em 26/09/2012 09:11:18
Parabéns ao amor exigente, pelo excelente trabalho que faz ajudando as famílias, no pior momento que é, quando descobrimos que a droga entrou dentro do nosso lar. Em especial ao Sr. Fernando e toda a equipe que incansavelmente esta presente em todas a as reuniões orientando, ouvindo e se solidarizando com quem vive de perto o terror que a droga traz. FORÇA, FÉ E ESPERANÇA
 
aline peralta em 26/09/2012 08:16:51
Caro Alberto Romero, concordo com seu comentário, apesar de algumas pessoas acharem que a legalização das drogas acabaria com o tráfico e diminuiria o número de dependentes, eu penso que seria totalmente ao contrário. O trabalho repressivo da polícia hoje é muito bom porém ainda há muitas falhas no sistema que precisam ser corrigidas. Espero que os dependentes possam dar a volta por cima.
 
Bruno Miranda em 26/09/2012 08:16:25
Parabéns ao grupo exigente que consigam cada vez mais, para que a nossa cidade seja um verdadeiro lar em PAZ...
 
Célia Campos em 26/09/2012 08:06:44
E ainda tem pessoas que defendem a legalização do uso de drogas. Só podem ser usuários ou alguém que se beneficiará com a leberação. Deveria ser investigado todo aquele que faz apologia às drogas.
 
Alberto Romero em 26/09/2012 06:00:00
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