Em julgamento, réu por matar namorada em acidente de trânsito admite que bebeu
William Moraes, no entanto, nega que estivesse acima dos 70 km/h na Av. Mato Grosso
Julgado pela morte de Ângela Maria Santos Vieira, o autônomo William Junior Moraes Guimarães, 27 anos, admitiu que bebeu três long necks de cerveja, mas que não estava acima dos 70 km/h. Porém, confrontado com a perícia, deu resposta confusa. “Não, não vou contestar a perícia, eu estava a 70 km pelo que eu vi, mas se a perícia disse outra coisa, eu não vou contestar".
Wiliam está preso desde maio de 2023, acusado de homicídio qualificado, pela morte da companheira, Ângela Maria, e pela tentativa de homicídio de outras duas pessoas, em acidente de trânsito ocorrido no dia 14 de maio daquele ano, às 22h10.
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Ele conduzia um Volkswagen Jetta pela Avenida Mato Grosso, ocupado pelo casal e pelo amigo, Francisco Romão Sampaio Nunes. Segundo a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), no cruzamento com a Rua Dr. Paulo Machado, em alta velocidade, furou o sinal vermelho e bateu em um Chevrolet Tracker, ferindo a condutora, Fernanda Giuncanse.
Ângela ocupava o banco dianteiro do passageiro, justamente o lado atingido pelo Tracker. Ela recebeu atendimento, mas morreu no local. O passageiro, que ocupava o banco de trás, sofreu ferimentos leves e foi socorrido. A condutora do Tracker teve fratura no antebraço direito.
Chorando muito durante o julgamento, William disse que estava a caminho da casa do amigo, o terceiro ocupante do Jetta, quando o acidente aconteceu. O réu afirma que passou quando o sinal ainda estava amarelo quando aconteceu a colisão, contrariando o que a investigação atestou.
Ao responder os questionamentos do juiz da 2ª Vara do Tribuna do Juri, Aluízio Pereira dos Santos, o réu voltou a falar da dinâmica do acidente. Após a colisão, viu Ângela caída no banco. “Aí comecei a tentar ajudar, ver pulsação, batimento, vi que ela estava viva”, contou.
A mãe do réu, Leila Moraes Guimarães também prestou depoimento, clamando pela absolvição do fiho. “Errar, todo mundo erra, quem nunca errou, quem nunca bebeu e dirigiu, né? Então acho que não tem que pegar ele pra Cristo e apedejar, entendeu?”. Ela complementou: “Sinto muito pela morte da Ângela, né? Sinto muito de coração, mas eu tenho certeza que nunca, jamais foi a intenção dele fazer uma atrocidade dessa, né?”.
O promotor Bolivar Luís da Costa Vieira disse que a perícia registrou velocidade de 81 a 86 km/h e Ângela Maria estava sem cinto de segurança, ressaltando que é dever do condutor exigir que todos os passageiros coloquem o cinto.
“O condutor assumiu o risco de produzir o resultado de morte, de lesão, ele assumiu o risco com a sua própria conduta, o risco de qualquer coisa que pudesse acontecer naquela noite: matar um cachorrinho que passasse na frente dele, atropelar uma velhinha que estivesse na frente dele ali, atropelar uma bicicleta, bater no carro, matar alguém, que foi a pior coisa que ele podia ter feito, ele matou a própria mulher, ele assumiu o risco e é nisso que o Ministério Público tem se batido", afirmou.
Conforme denúncia do Ministério Público, Willian empregou meio que resultou perigo comum ao dirigir embriagado, com velocidade excessiva, violando também as sinalizações semafóricas e colocando em risco inúmeras pessoas.
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