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Capital

Em julgamento, réu por matar namorada em acidente de trânsito admite que bebeu

William Moraes, no entanto, nega que estivesse acima dos 70 km/h na Av. Mato Grosso

Por Silvia Frias e Idaicy Solano | 03/04/2024 11:44
William Moraes (branco) durante o julgamento por homicídio (Foto: Idaicy Solano)
William Moraes (branco) durante o julgamento por homicídio (Foto: Idaicy Solano)

Julgado pela morte de Ângela Maria Santos Vieira, o autônomo William Junior Moraes Guimarães, 27 anos, admitiu que bebeu três long necks de cerveja, mas que não estava acima dos 70 km/h. Porém, confrontado com a perícia, deu resposta confusa. “Não, não vou contestar a perícia, eu estava a 70 km pelo que eu vi, mas se a perícia disse outra coisa, eu não vou contestar".

Wiliam está preso desde maio de 2023, acusado de homicídio qualificado, pela morte da companheira, Ângela Maria, e pela tentativa de homicídio de outras duas pessoas, em acidente de trânsito ocorrido no dia 14 de maio daquele ano, às 22h10.

Ele conduzia um Volkswagen Jetta pela Avenida Mato Grosso, ocupado pelo casal e pelo amigo, Francisco Romão Sampaio Nunes. Segundo a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), no cruzamento com a Rua Dr. Paulo Machado, em alta velocidade, furou o sinal vermelho e bateu em um Chevrolet Tracker, ferindo a condutora, Fernanda Giuncanse.

Ângela ocupava o banco dianteiro do passageiro, justamente o lado atingido pelo Tracker. Ela recebeu atendimento, mas morreu no local. O passageiro, que ocupava o banco de trás, sofreu ferimentos leves e foi socorrido. A condutora do Tracker teve fratura no antebraço direito.

William chora durante a fala do promotor (Foto: Idaicy Solano)
William chora durante a fala do promotor (Foto: Idaicy Solano)

 Chorando muito durante o julgamento, William disse que estava a caminho da casa do amigo, o terceiro ocupante do Jetta, quando o acidente aconteceu. O réu afirma que passou quando o sinal ainda estava amarelo quando aconteceu a colisão, contrariando o que a investigação atestou.

Ao responder os questionamentos do juiz da 2ª Vara do Tribuna do Juri, Aluízio Pereira dos Santos, o réu voltou a falar da dinâmica do acidente. Após a colisão, viu Ângela caída no banco. “Aí comecei a tentar ajudar, ver pulsação, batimento, vi que ela estava viva”, contou.

A mãe do réu, Leila Moraes Guimarães também prestou depoimento, clamando pela absolvição do fiho. “Errar, todo mundo erra, quem nunca errou, quem nunca bebeu e dirigiu, né? Então acho que não tem que pegar ele pra Cristo e apedejar, entendeu?”. Ela complementou: “Sinto muito pela morte da Ângela, né? Sinto muito de coração, mas eu tenho certeza que nunca, jamais foi a intenção dele fazer uma atrocidade dessa, né?”.

O promotor Bolivar Luís da Costa Vieira disse que a perícia registrou velocidade de 81 a 86 km/h e Ângela Maria estava sem cinto de segurança, ressaltando que é dever do condutor exigir que todos os passageiros coloquem o cinto.

“O condutor assumiu o risco de produzir o resultado de morte, de lesão, ele assumiu o risco com a sua própria conduta, o risco de qualquer coisa que pudesse acontecer naquela noite: matar um cachorrinho que passasse na frente dele, atropelar uma velhinha que estivesse na frente dele ali, atropelar uma bicicleta, bater no carro, matar alguém, que foi a pior coisa que ele podia ter feito, ele matou a própria mulher, ele assumiu o risco e é nisso que o Ministério Público tem se batido", afirmou.

Conforme denúncia do Ministério Público, Willian empregou meio que resultou perigo comum ao dirigir embriagado, com velocidade excessiva, violando também as sinalizações semafóricas e colocando em risco inúmeras pessoas.

William e Ângela Maria estavam juntos havia dois anos, segundo o réu (Foto/Arquivo)
William e Ângela Maria estavam juntos havia dois anos, segundo o réu (Foto/Arquivo)

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