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Capital

Em meio a júri, Nando se descontrola e juiz manda de volta a presídio

Condenado a mais de 130 anos de cadeia, Luiz Alves Martins Filho, o Nando, se descontrolou na cela após depoimento

Por Silvia Frias e Geisy Garnes | 22/11/2019 10:08
Nando (sentado) durante depoimento prestado em julgamento hoje, em Campo Grande (Foto: Geisy Garnes)
Nando (sentado) durante depoimento prestado em julgamento hoje, em Campo Grande (Foto: Geisy Garnes)

O serial killer Luiz Alves Martins Filho, o Nando, será levado ao presídio e não poderá acompanhar o desfecho do 12º julgamento por homicídio, hoje, em Campo Grande. Durante o depoimento, Nando estava nervoso, mas manteve certa compostura, que acabou quando voltou para a cela e começou a gritar e destruiu uma cadeira.

Hoje, Nando e Claudinei Augusto Ornelas Fernandes estão sendo julgados pelo homicídio de homem identificado apenas como Alemão. Pela denúncia do MPE (Ministério Público Estadual), ele foi morto em 2014, enforcado com correia de máquina de lavar. A ossada foi encontrada dois anos depois, no cemitério na Rua dos Astronautas, no Jardim Veraneio.

De acordo com a denúncia, Claudinei recebeu R$ 200 para segurar o homem, enquanto Nando enforcava Alemão. O crime teria sido motivado pelos crimes cometidos pela vítima, responsável por vários furtos no Bairro Danúbio Azul, área de domínio de Nando.

A vítima é conhecida apenas como Alemão e não há comprovação oficial que a ossada encontrada é dele. A identificação foi feita por eliminação, com base no depoimento de Nando, na fase de inquérito policial, quando confessou os crimes e listou os executados. Com a identificação dos outros corpos, sobrou a ossada que seria de Alemão.

Audiência - nos últimos julgamentos, tornou-se comum o nervosismo do réu, que frequentemente se estapeia e grita. Hoje, antes mesmo do depoimento, foi advertido pelo juiz da 2º Vara do Tribunal do Júri, Aluizio Pereira dos Santos, para que se comportasse. “Me comportar como, se esse processo só tem mentira?”, retrucou Nando.

O juiz explicou aos jurados o procedimento do julgamento e o porquê de repetir perguntas feitas nos outros júris, fato que incomodava o réu e o deixava nervoso. Nando chegou a interromper as explicações do magistrado, como no momento em que Aluizio falou de uma caminhonete que seria do acusado. “Era não, ela é minha, consegui com suor do meu trabalho, limpando terreno e fazendo frete”.

Durante o depoimento, Nando demonstrou nervosismo, chegou a elevar a voz, mas manteve a compostura. Como ocorreu na fase judicial, negou os crimes que havia confessado durante a investigação policial. Atribui os crimes ao ex-amante, conhecido como Vasco e que lhe contava detalhes das execuções.

Segundo Nando, Vasco indicava o local onde havia enterrado o corpo e debochava: “Alemão está aqui, não vai furtar mais ninguém”. O juiz questionou o réu o motivo de Vasco contar tudo a ele. “Ele tinha muita confiança em mim, sabia que eu não contaria para ninguém, eu não contei”.
Aluizio dos Santos perguntou, ainda, qual a reação de Nando sobre os crimes. “Eu falava que ele tinha que parar de matar os outros”.

Depois de encerrado o depoimento, o serial killer foi levado à cela que fica atrás da sala de julgamento, onde aguardaria até o fim da sessão. Logo depois, Claudinei Fernandes começou a depor, negando qualquer participação nos crimes, o que também já havia sido dito por Nando. ele diz que foi agredido para confessar. "Eles colocaram no papel e eu apanhei igual a um filho da égua; eu sabia onde estavam [os corpos] e apanhei muito, por isso apontei”.

Durante o depoimento de Claudinei, ouviram-se gritos vindos detrás do plenário. A sessão de julgamento foi interrompida para que os policiais militares fossem até o local para averiguar o que acontecia. Até um policial civil que participou das investigações e estava no júri foi chamado para acalmar Nando. O réu havia destruído uma cadeira nas grades da cela.

O juiz determinou que Nando fosse reconduzido ao presídio e o julgamento foi retomado. A linha da defesa é de absolvição por falta de provas, já que não há comprovação oficial de que a ossada é de Alemão.

O serial killer é réu em 13 processos relacionados ao homicídio de dez pessoas e exploração sexual. Ele já ultrapassa os 130 anos em condenações.

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