Cirurgias remotas chegam a MS com robô chinês de R$ 10 milhões
Sistema amplia acesso a especialistas e reduz limites geográficos em operações delicadas

A Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul) apresentou na noite desta segunda-feira (2), em Campo Grande, o robô Toumai, plataforma de telecirurgia que permite médicos realizarem procedimentos à distância, inclusive de outros países. Desenvolvido na China, o equipamento é o primeiro do tipo em funcionamento no Mato Grosso do Sul e passa a integrar a estrutura do Hospital da instituição, localizado na Avenida Mato Grosso.
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A Cassems apresentou em Campo Grande o robô Toumai, uma plataforma de telecirurgia que permite a realização de procedimentos médicos à distância. O equipamento chinês, avaliado entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões, é o primeiro do tipo em Mato Grosso do Sul e será utilizado inicialmente em cirurgias de urologia, gastroenterologia, ginecologia e obstetrícia. O sistema possibilita que médicos operem em conjunto, mesmo separados geograficamente, oferecendo cirurgias menos invasivas e recuperação mais rápida. A tecnologia requer infraestrutura robusta de internet e inclui visão tridimensional em alta definição, além de instrumentos que reproduzem movimentos humanos com precisão.
A apresentação ocorreu durante coletiva de imprensa no auditório do hospital e reuniu o presidente da Cassems, Ricardo Ayache, o CEO do Hospcom, empresa responsável pela tecnologia no Brasil, Gabriel Coelho Alencar, e o médico urologista Rafael Buta, especialista em cirurgia robótica. O investimento estimado no equipamento varia entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões.
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Segundo Gabriel Alencar, o principal diferencial do robô está na possibilidade de médicos atuarem de forma conjunta, mesmo separados por longas distâncias.
“Você pode ter um cirurgião aqui, operando localmente, e outro médico em qualquer lugar do planeta. A distância deixa de ser um limite, e os dois realizam o procedimento em conjunto”, afirmou.
O executivo explicou que a telecirurgia já ocorre no Brasil e citou uma experiência recente realizada em 2 estados. “Houve uma cirurgia em que o cirurgião estava em São Paulo (SP) e o paciente em Porto Alegre (RS). Existia toda uma estrutura de segurança, com garantia de internet e um cirurgião de retaguarda no local, mas não foi necessário acionar”, disse.
Alencar ressaltou que a tecnologia só funciona com uma base sólida de infraestrutura.
“O grande desafio não é apenas o robô. A qualidade da tecnologia e do sinal é decisiva. Sem isso, não existe segurança. Hoje, conseguimos garantir essa camada de proteção entre os dois lados”, afirmou.

O robô Toumai permite cirurgias menos invasivas, com incisões menores, menor agressão aos tecidos e redução da perda de sangue. O pós-operatório tende a ser mais confortável, com menos dor, menor uso de medicamentos e retorno mais rápido às atividades diárias. A menor manipulação dos tecidos também reduz o risco de infecção e melhora o resultado estético.
Para os médicos, a plataforma oferece visão ampliada em alta definição e em três dimensões, além de instrumentos que reproduzem os movimentos humanos com filtragem de tremores. A tecnologia amplia a precisão, facilita intervenções em áreas de difícil acesso e garante maior controle em procedimentos complexos.
Ricardo Ayache explicou que o robô será utilizado inicialmente em algumas especialidades.
“Nós vamos começar com cirurgias de urologia, gastroenterologia, ginecologia e obstetrícia. Outras áreas também podem se beneficiar, como cirurgia plástica, ortopedia e até procedimentos cardíacos”, afirmou.
Sobre o investimento, o presidente da Cassems informou que a instituição optou, neste primeiro momento, pela locação do equipamento. “O robô tem um custo elevado, em torno de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões. A locação permite incorporar essa tecnologia sem exigir um desembolso imediato muito alto. No futuro, a compra pode ocorrer, se for mais viável”, explicou.
O equipamento é fabricado em Xangai e já está em operação em hospitais de Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e em cidades do interior de Santa Catarina. Há previsão de novas unidades em Rondônia e na Bahia. Na América Latina, a plataforma também está presente em países como a Argentina.
Já o urologista Rafael Buta destacou que a tecnologia também contribui para a formação de novos cirurgiões. “Antes de operar pacientes, o médico passa por cerca de 40 horas de treinamento em simuladores. Só depois entra em cirurgia real, sempre acompanhado por um mentor”.

Segundo ele, a plataforma permite acompanhamento remoto durante os procedimentos.
“Um proctor pode assistir à cirurgia de outro hospital, reproduzir movimentos e orientar o cirurgião em tempo real. Isso acelera a capacitação e amplia o acesso à cirurgia robótica, inclusive no interior”, finalizou.



