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Em reunião com hospitais, MP cobra atualização de leitos em tempo real

Encontro ocorreu na tarde desta sexta-feira no Parque dos Poderes, em Campo Grande

Por Geisy Garnes e Liniker Ribeiro | 14/08/2020 18:25
Reunião no MP foi realizada nesta tarde (Foto: Henrique Kawaminami) 
Reunião no MP foi realizada nesta tarde (Foto: Henrique Kawaminami)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) se reuniu nesta sexta-feira (14) com representantes de todos os hospitais de Campo Grande e também com a prefeitura para entender a real situação das unidades e para cobrar a atualização em tempo real da ocupação de leitos destinados a pacientes com covid-19 na cidade.

O encontro aconteceu na sede do Ministério Público, no Parque dos Poderes e durou cerca de 2h30. Segundo a promotora Filomena Aparecida Depolito Fluminhan, titular da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública, o objetivo principal da reunião foi entender a real situação dos hospitais e traçar medidas efetivas para evitar o colapso da saúde no município.

“Pontuamos como maiores desafios a possibilidade de ampliação de leitos críticos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), tendo em vista que já avançamos muito. Em março eram 116 e atualmente são 312 na Capital. Apesar desse número, é necessária uma grande quantidade de equipamento e também de recursos humanos. Além de um consumo maior de medicamentos. Trouxemos os hospitais para tratar da real possibilidade de mais leitos. Nós estamos vivendo em um momento de grande transição. E isso apesar de termos expectativas positivas”, detalhou.

Foi discutido também a implementação de 40 leitos de UTI em Campo Grande. Desses, 10 já foram instalados no Hospital Regional e outros 30 devem ficar no Hospital Adventista do Pênfigo. “Mesmo assim nós discutimos se teríamos recurso para implementação de outros leitos”.

Diante do Ministério Público, os representantes explicaram que faltam de medicamentos, bloqueadores neurológicos e pessoal para atender a demanda. “Estamos em pandemia é óbvio, então tem profissionais afastados e há uma limitação na ampliação de leitos, por isso a necessidade de balancear com as medidas restritivas”.

Como exemplo, foi citada a “lei seca” que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes e conveniências na cidade. A medida já teria refletido nos atendimentos da Santa Casa, que em poucos dias reduziu em 30% a ocupação dos leitos clínicos.

Outro tema tratado foi a implementação de um monitoramento efetivo da situação dos leitos. A promotora explicou que um decreto estadual exige que os hospitais informam a ocupação de leitos em tempo real, duas vezes por dia, mas nem todas as unidades estão cumprindo. “Alguma estavam fazendo a cada 48 horas”.

“Com essa informação atualizada é possível ter a real noção dos hospitais. Com números reais podemos tomar as melhores decisões quanto a ampliação de leitos e também de medidas restritivas na cidade, para que as unidades não entrem em colapso”.

Prefeito Marquinhos Trad disse que Campo Grande tem sido exemplo (Foto: Henrique Kawaminami)
Prefeito Marquinhos Trad disse que Campo Grande tem sido exemplo (Foto: Henrique Kawaminami)

Para o prefeito Marquinhos Trad (PSD), a reunião está baseada na necessidade de encontros semana “para salvar vidas”. “E nisso Campo Grande tem sido exemplo. Tem atualmente a menor taxa de letalidade e a maior de recuperação. A taxa é resultado de que as pessoas que precisam de internação estão tendo. Não adianta ter leitos se não tem médicos intensivista, enfermeiro e técnico de enfermagem, ou seja, todo um conjunto de estrutura humana para complementar a estrutura material”.

Marquinhos reforçou ainda redução nos casos. Segundo ele, o boletim de hoje mostra a desaceleração de contagio e o achatamento da curva. “A covid-19 é uma doença que não dá tranquilidade, mas temos coragem e dedicação para enfrentá-la. Estamos nos saindo muito bem. Saímos da zona preta para a vermelha”.

No HR – A diretora do Hospital Regional, referência no tratamento de infectados por coronavírus em Mato Grosso do Sul, Rosana Leite de Melo, também acompanhou a reunião e detalhou a real situação da unidade. “Nós mostramos nossa situação. Tivemos ampliação de leitos, mas chegamos ao nosso limite”.

Atualmente, conta, a unidade trabalha com 111 leitos ativos e tem a expectativa de ativar mais sete. Hoje, a equipe do hospital conta com o reforço de profissionais enviados pelo governo do Estado e da prefeitura de Campo Grande. Novos processos seletivos também serão realizados pelo município e Estado nos próximos dias.

“O ideal é que ninguém perca vidas, mas a taxa de letalidade do hospital é de 14%, que se comparada a nível nacional, é baixa”. Segundo a diretora, 38% dos médicos intensivista de Campo Grande estão no HR. “São 105 em Mato Grosso do Sul, 75 em Campo Grande e 28 trabalham no Hospital Regional. Durante toda a pandemia, o hospital atendeu 1800 internações. 1125 tiveram alta, 139 ficaram na UTI, 267 óbitos, sendo 145 confirmados por covid-19. Outras 232 pessoas foram transferências”.

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