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Diversão

Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua

"Ta Dando Onda" fechou o Carnaval no monumento Maria Fumaça, neste domingo

Por Natália Olliver | 23/02/2026 06:45
Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua
Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da Calógeras (Foto: Natália Olliver)

Quem acha que só de axé, funk e samba-reggae vive o Carnaval está enganado. Na Avenida Calógeras quem fez a galera fitar foram os DJs do bloco Ta Dando Onda, primeiro dedicado à música eletrônica em Mato Grosso do Sul. Por lá, nada de se esconder em casas de shows ou clubes; o som é na rua.

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O primeiro bloco de música eletrônica de Mato Grosso do Sul, "Tá Dando Onda", agitou o Carnaval na Avenida Calógeras, em Campo Grande. O evento, realizado em frente ao Monumento Maria Fumaça, reuniu sete DJs e atraiu público diverso, mostrando que o gênero também faz parte da cultura carnavalesca. A iniciativa é parte do projeto "Tecno na Rua", movimento underground liderado pela DJ Naja, que há dois anos ocupa espaços públicos com música eletrônica no estado. Além das apresentações musicais, o projeto promove workshops e artes cênicas, buscando quebrar preconceitos e democratizar o acesso à cultura eletrônica.

Com uma lona colorida, a festa ocupou a frente do Monumento Maria Fumaça, neste domingo (22). Pela segunda vez, um bloco ocupou o espaço público e mostrou que o eletrônico também é Carnaval e também é cultura. Com sete atrações no line-up, o bloco reuniu DJs, produtores e curiosos que foram ver de perto o que, para muitos, ainda é novidade na cidade.

Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua
Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua
Rafael Grance foi ao bloco 'Ta Dando Onda', com uma máscara de ET (Foto: Natália Olliver)

Para outros, estar nesse ambiente é resistência. Entre os nomes que comandaram o som estavam Dom Roger Menegassi, conhecido como DJ Dom Menegassi, e novos talentos da cena local. No meio da pista improvisada,

“Além de DJ sou produtor e fico com isso na cabeça. A importância de ter um evento como esse na nossa cidade é trazer o peso do eletrônico pra rua, pras baladas e dar oportunidade para os novos DJs. Tem muito talento aqui”, diz.

Rafael Grance, de 21 anos, acompanhava tudo com brilho nos olhos. Ele não estava só curtindo, mas se reconhecendo ali. Rafael começou a acompanhar DJs há um ano.  Foi o gênero musical que impediu que ele desistisse de tudo.

“Eu estava desanimado, mas a música deu uma animada no astral, vontade de continuar. Acho uma grande importância o início da música eletrônica para a população, porque pra muitos aqui em Campo Grande é algo que não é bem visto. É uma forma de ter novos olhares.”

Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua
Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua
Dom Roger Menegassi, conhecido como DJ Dom Menegassi (Foto: Natália Olliver)

O preconceito velado contra o eletrônico ainda existe. Mas na frente da Maria Fumaça, o que se via era gente dançando e sorrindo. André Macedo, corretor de imóveis e DJ resume o sentimento.

“É muito bom ter esse espaço nas ruas de Campo Grande pra divulgar uma música que é extremamente legal. A gente só precisa que as pessoas venham, escutem, se divirtam e dancem. A gente vê blocos com todo tipo de música, mas é importante ter um com música eletrônica. Tem muita galera gente boa, muito som legal e também faz parte da nossa música brasileira.”

Para ele, não há dúvida: “É um carnaval como todos os outros. E ano que vem vai ser melhor ainda.”

Por trás da estrutura, da coragem e da caixa de som ligada no talo, está Lara, a DJ Naja, de 27 anos. Produtora cultural, ela é uma das responsáveis pelo projeto “Tecno na Rua”, movimento underground que há dois anos vem ocupando espaços públicos com música eletrônica em Mato Grosso do Sul.

Bloco de eletrônica colocou a galera para fritar no meio da rua
Lara, a DJ Naja, é uma das organizadoras do blo de eletrônica (Foto: Natália Olliver)

“Pela primeira vez no MS trazemos um bloco de música eletrônica. Essa é a segunda edição que levamos o movimento para as ruas. Isso prova que a gente tem público, mesmo com a falta de apoio. Conseguimos fazer, mesmo com pouco, um movimento lindo como esse”, afirma.

Mas o projeto vai além da batida. O “Tecno na Rua” também promove workshops e artes cênicas. “Não é só música. Existe algo por trás, um significado. Ano que vem espero trazer novamente para a rua porque a galera pede muito e não tem. Fazer história nas ruas".

O significado, talvez, esteja justamente nisso: ocupar. Mostrar que a rua é plural. Que a cultura não cabe em rótulos.

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